A partir do texto de Heliana Conde, Para Desencaminhar o Presente Psi: biografia, temporalidade e experiência, indica-se a problematização como uma experiência aliada da reflexão historiográfica e envolvida por uma inquietação sobre a construção da Psicologia, o que faz surgir uma produção teórico, prático e político. Este trabalho tem por objetivo, junto a discussão do texto de Conde, indagar para onde a Psicologia caminha, como se organiza e questionar a pretensão da Psicologia buscar sua condição de ciência formadora de saberes pretensamente nobres e verdadeiros. Ao mesmo tempo tornar público o conteúdo dessa discussão afim de incluir a sociedade acadêmica. Metodologicamente, o presente trabalho funcionou na exposição o texto em blog exclusivo do grupo de pesquisa chamado Entre Nós, que junto a debates sobre o texto nas reuniões, percebeu-se a importância da Psicologia ser problematizada, atentando à condução de sua história, procurando assim fazer uma eventualização, que significa fazer surgir a singularidade e romper com as evidências que apóiam o saber formal. Resultado dessa discussão está longe de terminar, porém consegue trazer questões sobre a Psicologia que são pertinentes não só para sua formação como ciência, como também para as atuações psicoterápicas e para a formação de profissionais da Psicologia. É possível constatar com esse trabalho discursivo e problematizador da conjuntura da Psicologia, que não basta conhecer a sua história, mas fazer surgir as mutações, que seriam para Conde, acontecimentos produzidos pela introdução de descontinuidades nos saberes, que demandariam correlações com outras séries de saberes para tornar possível um sentido novo, uma descoberta ou invenção. Com isso, conseguir nesse movimento a transformação da Psicologia, para que vá além das grandes narrativas e se tornem tal qual obras de arte, que se propõem fazer arqueologias, problematizações auto-reflexivas e interferências em jogos de verdade.
21 de set. de 2007
RESUMO ESQUELETO HELIANA CONDE
A partir do texto de Heliana Conde, Para Desencaminhar o Presente Psi: biografia, temporalidade e experiência, indica-se a problematização como uma experiência aliada da reflexão historiográfica e envolvida por uma inquietação sobre a construção da Psicologia, o que faz surgir uma produção teórico, prático e político. Este trabalho tem por objetivo, junto a discussão do texto de Conde, indagar para onde a Psicologia caminha, como se organiza e questionar a pretensão da Psicologia buscar sua condição de ciência formadora de saberes pretensamente nobres e verdadeiros. Ao mesmo tempo tornar público o conteúdo dessa discussão afim de incluir a sociedade acadêmica. Metodologicamente, o presente trabalho funcionou na exposição o texto em blog exclusivo do grupo de pesquisa chamado Entre Nós, que junto a debates sobre o texto nas reuniões, percebeu-se a importância da Psicologia ser problematizada, atentando à condução de sua história, procurando assim fazer uma eventualização, que significa fazer surgir a singularidade e romper com as evidências que apóiam o saber formal. Resultado dessa discussão está longe de terminar, porém consegue trazer questões sobre a Psicologia que são pertinentes não só para sua formação como ciência, como também para as atuações psicoterápicas e para a formação de profissionais da Psicologia. É possível constatar com esse trabalho discursivo e problematizador da conjuntura da Psicologia, que não basta conhecer a sua história, mas fazer surgir as mutações, que seriam para Conde, acontecimentos produzidos pela introdução de descontinuidades nos saberes, que demandariam correlações com outras séries de saberes para tornar possível um sentido novo, uma descoberta ou invenção. Com isso, conseguir nesse movimento a transformação da Psicologia, para que vá além das grandes narrativas e se tornem tal qual obras de arte, que se propõem fazer arqueologias, problematizações auto-reflexivas e interferências em jogos de verdade.
27 de jul. de 2007
Parte 3 - "Das lições da história às experiências e experimentações: o abalo do presente"
Dando prosseguimento ao texto de Heliana Conde, a autora se utiliza do artigo de D'amaral e Pedro que trata da discussão sobre modos de temporalidade que os historiadores constroem e narram. Estes podem ser:
- História universal do tipo positivista - como se o narrador ocupasse o lugar do "fins dos tempo", ou seja, a extremidade de uma linha reta que caracteriza o tempo e a história. Esta história estaria caminhando em nossa direção. Pensa-se o passado como naturalmente justificado por uma cadeia causal de fatos justificados. Os positivistas foram os primeiros a admitir um fim da história, onde ocupariam o lugar idealizado, em que se estaria a meta, o objetivo, a finalidade a ser alcançada.
- O modo do paradigma indiciário - termo esse descrito por Carlo Ginzburg e significa dizer as práticas historiográficas quando posicionadas contra a história tipo positivista. Essa vertente acredita que o presente vive do passado e deste deve procurar uma verdade oculta e invisível. Seria então o presente um momento particular, pois construído a partir de certa realidade do passado.
- Modo de relacionar tempo e narrativa - do tipo foucaultiano, em que não foca nem na 1ª e nem na 2ª forma de entender temporalidade, mas sim numa que relaciona o presente com ele mesmo. Ou seja, uma história do presente expressada por Foucault para designar o trabalho construtivo do historiador, ao perceber o desprendimento do presente dele mesmo, quando "a história do presente é feita no presente sobre o presente".
Para melhor contribuir nesse entendimento que Conde se utiliza de um artigo de Deleuze que menciona que Foucault estaria fazendo um trabalho de filosofia dos dispositivos.Na afirmação de Deleuze: "Nós pertencemos aos dispositivos e agimos neles", aponta-se os conceitos de história e atual, em que o primeiro seria o que somos, e o segundo o que estamos em vias de nos tornar.
Fica mais claro ao distinguirmos o que seria o ontem, o hoje e o passado. Nesse caso o ontem é a dimensão do presente, pois é o que somos e deixamos de ser ao mesmo tempo. O hoje significa ser o atual, já que se trata do que estamos nos tornando. E o passado seria a história que se configura no espaço entre o ontem e o hoje. Dessa maneira, o passado não é o que nos fundamenta, mas sim algo ficcionado, de acordo com aquilo que existe nesse espaço entre o ontem e hoje, presente e atual, respectivamente. Porém, só válido desde que haja uma reflexão sobre esse movimento e quando assimilando novas experimentações.
Para Conde, esta possibilidade de conceber o mundo sob esse prisma de temporalidade fica estampado nos trabalhos de Deleuze, assim como nos últimos de Foucault. A problematização aparece sempre, mesmo quando interligada aos temas da biografia, da experiência e dos usos estratégicos da história. O que acontecia é que a experiência, aliada a uma reflexão historiográfica, quando envolvida por uma inquietação, torna-se um ponto de partida para um trabalho teórico, prático e político. Daí podemos chamar de "experiências transformadoras", como Foucault mesmo denominou. Seria a partir dessas experiências, as quais estariam comprometidas em se engajar politicamente, confrontar normas institucionais, entre outros, que o trabalho teórico de Foucault se construiu, levando a "algum fragmento de autobiografia".
Assim foram com obras como História da Loucura, em que freqüentou hospitais psiquiátricos ou na obra Arqueologia do saber (dessa obra não saberia bem explicar como procedeu a sua experiência). Também aconteceu com a obra Vigiar e Punir, que a partir das experiências do Grupo de Informações sobre as Prisões (GIP), aparentemente particular a um certo lugar, demonstrava-se bem mais ampla, pois estaria inscrita em algo que estava em curso, em ações não afastadas, mas comuns. Este livro torna-se um sucesso como empreendimento historiográfico, já que se trata de um livro-experiência em pró da transformação, e não um mero livro-verdade ou livro-demonstração.As experiências dita transformadora, ficam claras em obras foucaltianas da década de 70 e 80, em que focava nos modos de subjetivação, ética e governamentabilidade, pois denunciava a compreensão identitária e subjetiva sob a forma de componentes compreendidos como naturais e profundos. O próprio autor afirma, praticar uma espécie de ficção história, sob o propósito de interferindo entendimento que fica entre nossa realidade e o que se sabe da história passada.
Um dos filósofos bastante admirados por Foulcault foi Nietzche, que emite a idéia de que não é interessante relacionar os homens ao seu tempo, mas sim que a cada momento eles estejam em luta contra seu tempo, o que significa que a obras trazidas por autores seja eles qual for deveriam ter "efeito sobre a vida e sobre a ação". Foucault mesmo numa entrevista em 1978 para Ducio Trombadori relata que um experimentador, mais do que um teórico, constrói seus livros a partir de experiências, sendo esta caracterizada pela transformação que traz e se encontra na escrita para mudar a si mesmo e aos outros. Estaria se falando de uma des-subjetivação, pois seria o ato de "arrancar o sujeito de si mesmo, fazer com que ele não seja mais ele mesmo". No fim, esse tipo de livro possibilitará estabelecer novas relações.
Conde conclui que os livros-experiências psi não nos intoxicaria com saberes psicológicos pretensamente nobres, orgânicos e maiores, como os livros-verdade ou livros-demonstração. Por isso que no texto-apresentação do livro "Foulcault e a Psicologia", a autora busca fazer articulações entre biografia, temporalidade e experiência, por se sentir tocada pelas idéias das "experiências biográficas transformadoras" dos autores que compõem o livro. Estes autores seriam o exemplo de que se pode ir além das grandes narrativas e ter livros tal qual obras de arte que se propõem fazer arqueologias, problematizações auto-reflexivas e interferências em jogos de verdade. A alternativa de se fazer livros-verdade seria uma tentativa de iluminar o olhar daqueles que só enxergam um ilusório descaminho, isto por estarem desimplicados com a realidade, precisando nada mais do que se livrar do que sufoca e com isso "respirar junto", assim como menciona Guatarri, indicado pela autora, como se houvesse conspiração realizada pelos leitores destes livros.
21 de jul. de 2007
Para desencaminhar o presente Psi - parte 2 "Futuro do Pretérito"
Para tal insurreição destes tipos de saberes, inclui tanto o saber histórico, estes dessingularizados no interior de sistemas de saber, quanto o de pessoas. Este, particiularmente, diz respeito a um saber que não é unanime, mas é diferencial, por se opor a todos os outros saberes ao seu redor. Por conta disso foi deixado de lado, ou mesmo subordinado. Por isso é que Foucault afirma a importância da crítica local, pois unindo esse dito saber sem valor na erudição, ou desqualificado pela hierarquia dos conhecimentos e das ciências, é antes de tudo o saber histórico da luta.
Conde defronta em seguida a afirmação de Barthes e a indagação-resposta de Arlette Farge à afirmação feita. O primeiro coloca que a história seria como um sonho, pois consegue conjulgar, sem assombro e convicção, a morte a e vida. Porém o segundo rebate indagando que como pode ser possível fazer tal conjulgação, dessa vez com assombro e convicção, de maneira que história não seja sonho. Isso faz pensar que história não poderia funcionar de outra forma, quer dizer, não se trata de ser sonho, algo ilusório, mas sim ativo, convicto e mesmo que com assombro, já que mesmo aquilo que desestabiliza deve ser encarado. (Inserção de entendimento de minha parte, podem retrucar...). A autora então completa com as palavras de Farge que história seria "um meio de se decidir quanto ao presente e, quem sabe, quanto ao futuro?", e a autora continua afirmando: "O futuro do presente se vê, assim, implicado no futuro do pretérito".
De acordo com a autora, Foucault chama atenção do quanto a história pode ter de estratégico, visto que é possível elaborar certas narrativas, ou mesmo encerrar as grandes, para que se constitua algo distinto do que se tem como desencantado ou quietista. Existiria uma "valiosa inquietação" ante ao que concebe "dado, coerente, óbvio, lógico, previsível, evidente, funcional ou nobremente científico". É possível observar com isso que Foucault não concorda com a cientificidade, mas ao contrário, com a possibilidade, de ao unir os saberes históricos e pessoais, produzir genealogias, que são consideradas "anti-ciências", já que tem a função de ir de encontro aos tais discursos totalizantes. Torna-se, então, uma postura de contariedade diante do que é dito estabelecido.
19 de jul. de 2007
"Para desencaminhar o presente Psi: biografia, temporalidade e experiência em Michel Foucault"
Continuando a fazer uma menção geral de seu objetivo, a autora comenta que Michel Foucault afirmou que seus escritos seriam “fragmentos de autobiografia”. Essa afirmação poderia ser comparada a certa “identificação disciplinar” que alguns psicólogos tivessem em relação às hipóteses de trabalho de Foucault. Mas pensando em biografia, tem-se nas colocações de Didier Eribon apenas que Foucault teria tido uma juventude passando por hospitais psiquiátricos, fascinado pelo teste Rorschart, lecionou Psicologia e inclusive pensou em se tornar um. Ora, essa forma de se fazer Biografia, ao olhar de Conde, demonstra ser oposto à menção de sujeito constituinte, que possui muito mais do que meras considerações de ações, posições, entre outros. Ou seja, torna-se necessário evitar enfoques redutores, daí a necessidade de acordo com a autora e se tecer as explicações e articulações do que Foucault fez sobre temporalidade e experiência.
Nesse intuito, tentando dar conta dessas conceituações, a autora inicia comentando sobre a obra “A palavra e as coisas” que teria sido mais um exemplar do ápice do estruturalismo na França, onde inclusive se estaria tratando de epistemes - “conjunto de regras a que obedecem os modos de ver e dizer presentes em um conjunto de saber simultâneos”, ou seja, saberes que vieram antes de serem enquadrados pelas ciências. Entres esses epistemes tem o descontínuo, caracterizado por uma série de sistemas de longa duração. Porém, afim de defender dessa menção anteriormente que Conde vai trazer duas passagens desse mesmo livro: uma que trata do descontínuo, considerado por aquilo que dá acesso à erosão do que vem de fora, ao pensamento que está fora do domínio daquilo que se tem contato, de certa forma, conduzido pela cultura de uma sociedade, daí a autora se indaga de como um pensamento pode ter lugar no mundo e não cesse de começar sempre de novo?
A segunda passagem colocada por Conde fala do problema das mutações, de se é possível explica-las por acontecimentos ou leis. Tais mutações são exatamente aquilo que faz com que se perceba as coisas de forma diferente. No entanto, a autora enfatiza que não basta explicar as mutações, mas sim analisar essa abertura na continuidade, esse acontecimento radical que transforma a superfície do saber e que se é possível observar os abalos e efeitos. Nesse caso, de acordo com livro mencionado, ressalva-se que quanto às descontinuidades, levando em conta os pensamentos ou discursos, tona-se necessário fazer correlações, seja para descobrir ou inventar, com outros tipos de séries. Já no que tange as estruturas, para que de fato apareçam, não devem seguir leis, mas sim os acontecimentos, desde que problematizados. Ou seja, Conde relata que para um livro tão estruturalista, como pode ter Foucalt ter combinado acontecimento e estrutura, “dar conta da estrutura através do acontecimento!”? No entanto, o acontecimento aqui não está ligado a grandes feitos, nem mesmo fatos consumados, mas que apontem a entrada de forças ou ocorrências de acontecimentos rupturais. Com isso, para a coerência do sujeito e/ou suas causalidades poderia ser admitida a diferença.
Para melhor elucidar essas e outras questões, Conde se utilizará do comentador, um tipo de função que não agradava a Foucault, mas que no caso de Mitchell Dean, coube ser trazido. Este teórico se dizia insatisfeito com o recurso das categorias globalizantes, que seria tudo aquilo que compõe a modernização. Através destas categorias é que ciências sociais tentam compreender o presente, conseguiram o prestígio de uma ciência nomotética*, sob o preço de negar a presença da história, apesar de serem chamadas de ciência da história. A sociologia estaria integrando duas formas duas formas aparentemente contrastantes, de acordo com Dean.
Uma dessas formas é a teoria progressivista, que “defende um esquema de progresso social fundado em uma teleologia”, seja “da razão, da tecnologia ou da produção”. Existiriam, então, narrativas denominadas de alto modernismo, que embasariam suas explicações de maneira geral ou causal, com um caráter semelhante ao de uma lei. A outra forma mencionada é a da teoria crítica, que estaria negando e preservando as formas presentes de razão e sociedade. Esta teoria estaria buscando uma versão alternativa para a razão instrumental, com narrativas que estariam incluidas no modelo denominado modernismo crítico. Tais narrativas podem exemplificadas pela Teoria da Racioalidade Comunicativa de Habernas e a Dialética do Iluminismo de Adorno e Horkheimer.