21 de dez. de 2007

Individualidade - cap 2 de Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman (Resumo)

Em primeira análise, duas visões distópicas sobre o trágico futuro do mundo foram lembradas pelo autor: O mundo de George Orwel e o de Aldous Huxley. Eles compartilhavam de um pressentimento de um mundo controlado, da liberdade individual reduzida e rejeitada por pessoas treinadas a obedecer ordens e seguir rotinas estabelecidas. Ambos sentiram que a tragédia do mundo era seu ostensivo e incontrolável progresso rumo à separação entre os mais poderosos e remotos controladores e o resto, destituído de poder e controlado.

Capitalismo – pesado e leve / Tenho carro, posso viajar
As histórias de Orwell e Huxley poderiam ter sido classificados como “discurso de Joshua”, onde a ordem é a regra e a desordem, uma exceção. Aqui, o mundo é organizado e delimitado por fronteiras impenetráveis. Tudo serve a algum propósito, e a própria ordem é, ela mesma, seu próprio propósito. Deus a fez existir e a tarefa de projetar e servir à ordem cabe aos homens. O que sustentava o discurso de Joshua era o mundo fordista, um modelo de industrialização, acumulação e regulação, separando projeto de execução, liberdade de obediência.
O fordismo era a autoconsciência da sociedade moderna em sua fase “pesada”, “sólida”. Nesse estágio, capital, administração e trabalho estavam condenados a ficar juntos talvez para sempre. O capitalismo pesado era obcecado por volume, tamanho e fronteiras firmes impenetráveis.
Agora, o trabalho permanece tão imobilizado quanto no passado, mas o lugar em que ele imaginava estar fixado perdeu sua solidez. Alguns dos habitantes do mundo estão em movimento, para os demais é o mundo que se recusa a ficar parado. O discurso de Joshua, então, começa a soar vazio.
Na passagem do capitalismo pesado para o leve foi considerado um novo tipo de incerteza: não saber os fins, em lugar da incerteza tradicional de não saber os meios. O que está em pauta é considerar e decidir, diante dos riscos, quais dos flutuantes e sedutores fins devem ter prioridade. Ao contrário do pesado, o capitalismo leve tende a ser obcecado por valores, e a ver o mundo como uma coleção infinita de possibilidade. Assim, é a infinidade das oportunidades que preenche o espaço deixado vazio pelo desaparecimento das “torres de comando e de controle”: é o mundo pós-fordista, moderno fluido, dos indivíduos que escolhem em liberdade.
Tudo corre agora por conta do indivíduo. Cabe a ele descobrir o que é capaz de fazer, esticar essa capacidade ao máximo e escolher os fins a que essa capacidade poderia melhor servir. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser capaz de petrificar-se em realidade. Melhor que permaneçam líquidas, fluidas, finitas. Viver em meio a chances aparentemente infinitas tem o gosto doce da “liberdade de tornar-se qualquer um”. O tornar-se sugere que nada está acabado e temos tudo pela frente. A infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta da escolha. Caracteriza-se como uma alegria duvidosa, dada a incerteza perpétua e um desejo que nunca saciará.

Pare de me dizer; mostre-me! / A compulsão transformada em vício
Não faltam ainda pessoas que têm milhões de seguidores identificados pelo autor como conselheiros. O papel de um exemplo na sociedade tem a importância quando olhando para a experiência de outras pessoas, esperamos descobrir e localizar os problemas que causaram nossa própria infelicidade, dar-lhes um nome e, portanto, saber para onde olhar para encontrar meios de resistir a eles ou resolvê-los.
Uma celebridade é uma pessoa conhecida por ser muito conhecida. As celebridades com autoridade suficiente para fazer com que o que dizem seja digno de atenção mesmo antes que o digam são muito poucas para estrelar os inúmeros programas de entrevistas da TV, mas isso não impede que esses programas seja uma compulsão diária para milhões pessoas ávidas por aconselhamento. As pessoas “comuns” que aparecem na TV são tão desvalidas e infelizes quanto os espectadores. Seria equivocado condenar ou ridicularizar o vício dos programas de entrevistas como efeito da eterna avidez humana pela fofoca e da “curiosidade barata”. As lições retiradas desse programas respondem a uma demanda genuína e têm valor pragmático inegável, pois já sabemos que depende de nos mesmos fazer o melhor possível de nossas vidas.
Procurar exemplos, conselho é um vício e todos os vícios são auto-destrutivos, destroem a possibilidade de se chegar à satisfação. Exemplos são atraentes enquanto não-testados; a satisfação não duraria muito, pois no mundo dos consumidores as possibilidades são infinitas igualmente ao volume de objetos sedutores à disposição. Então, permanecer na corrida se torna o verdadeiro vício. Nenhum prêmio é suficientemente satisfatório para destituir a atração de outros prêmios O desejo se torna seu próprio propósito. O arquétipo dessa corrida particular é a atividade de comprar: esquadrinhar as possibilidades, examinar, tocar, sentir e manusear coisas. “Vamos às compras” pelo tipo de imagem que gostaríamos de vestir e por modos de fazer com que os outros acreditem que somos o que vestimos; pelos meios de extrair mais satisfação do amor; pelos recursos para fazer mais rápido o que temos a fazer. Essa lista não tem fim. O consumismo de hoje, porém, não diz respeito à satisfação das necessidades, mas ao desejo, o qual liga o consumo à auto-expressão, ao gosto e à discriminação.
Mas o consumismo atual não está fundado sobre a regulação dos desejos, mas sobre a liberação de fantasias desejosas. A história do consumismo é a quebra de sucessivos obstáculos “sólidos” que limitam a fantasia e reduzem o “princípio do prazer (PP)” ao que é dito pelo “princípio da realidade (PR)”. Um estimulante ainda poderoso para manter a demanda do consumidor é o “querer”, que é imediato e completa a libertação do PP, limpando os últimos resíduos dos impedimentos do PR.

O corpo do consumidor / Comprar como ritual de exorcismo
O principal cuidado é a adequação: estar sempre pronto, desenvolver novos desejos (insaciáveis). Se a sociedade de produtores coloca a saúde como o padrão de meta, a sociedade de consumidores tem seu ideal na aptidão. A saúde demarca os limites entre norma e anormalidade; é o estado próprio e desejável de corpo e espírito. Refere-se a uma condição corporal e psíquica que permite a satisfação das demandas do papel socialmente atribuído. O estado de aptidão é tudo menos sólido, seu verdadeiro teste fica sempre no futuro: “estar apto” significa ter um corpo flexível, ajustável, pronto para viver sensações ainda não testadas e imprevisíveis. A aptidão diz respeito a uma experiência subjetiva: a satisfação e o prazer são sensações precisam ser subjetivamente experimentadas.
O status de todas as normas (também da saúde) foi abalado numa sociedade de infinitas possibilidades. O que ontem era considerável normal e satisfatório, hoje pode ser considerado preocupante, patológico. E, dentre outras coisas, é por isso que o cuidado com a saúde torna-se cada vez mais semelhante à busca da aptidão: contínuo, fadado à insatisfação permanente, gerando ansiedade e incerteza.
A compulsão transformada em vício de comprar é uma luta contra a incerteza aguda e contra um sentimento de insegurança incomodante. Os consumidores provavelmente estão correndo atrás de sensações agradáveis e reconfortantes. Mas também estão tentando escapar da agonia, do medo do erro, da incompetência. Por isso, o comprar compulsivo é um ritual diário para exorcizar essas terríveis aparições.

Livre para comprar – ou assim parece
As pessoas sofrem por não serem capazes de possuir o mundo de maneira suficientemente completa. Tendemos a ver as vidas dos outros como uma obra de arte e, assim, lutamos para fazer o mesmo. Isso que queremos moldar chama-se identidade. A busca da identidade é a incessante tentativa de solidificar o fluido e de dar forma ao disforme. Porém, as identidades parecem fixas e sólidas apenas quando vistas de fora. A identidade experimentada, vivida, só pode se manter unida com o adesivo da fantasia, do sonhar acordado. É a capacidade de “ir às compras”, de selecionar a própria identidade e de mantê-la enquanto desejo que se torna o verdadeiro caminho para a realização das fantasias de identidade. Com essa capacidade, parece sermos livres para fazer e desfazer identidades à volta. Compartilhar a dependência de consumidor é a condição da liberdade de ser diferente, de ter identidade. Além do ato da compra, é preciso levar em conta o poder que os meios de comunicação de massa exercem sobre a imaginação popular e individual. A vida na telinha diminui e tira o charme da vida vivida. Se coisas instáveis são a matéria-prima das identidades, é preciso manter a própria flexibilidade ao padrões do mundo exterior. Em relação ao panóptico de Foucault, a obediência aos padrões tende a ser alcançada hoje pela tentação e pela sedução, e não mais pela coerção.

20 de dez. de 2007



São tantos peixinhos
Mil lugares pra explorar
Se você for, eu acompanho
E aí? Quer tentar...?

**Bom, não sei se poderia, mas me atrevi a postar =)
Foi numa discussão em uma de nossas aulas que Lázaro me lembrou da analogia do aquário feita por kléber; depois da aula fui pra BICEN e no caminho pensei nessas quatro frases
Me veio na cabeça de fazer uma postagem e pôr uma foto
É isso.. ^^
Bjinhos e Sorrisos
Até a volta**




13 de dez. de 2007

ATA - Reunião 11.12.07

  • Presença: Andressa, Bruna, Herica, Jade, João, Karine, Lázaro, Marcus, Rafaela.
  • Discussão e apresentação por Marcus do capítulo 1 "Emancipação" - Modernidade Líquida.
  • Proposta da Bolsa UOL: dois bolsista e Kleber

TAREFAS

  • Herica: postar até segunda o capítulo 2 "Individualidade" - Modernidade Líquida
  • Kleber: propor um cronograma de entrevistas (previstas para o retorno do recesso)
  • Marcus: continuar (e finalizar) a apresentação do capítulo 1 na p´roxima reunião.

PRÓXIMA REUNIÃO

  • Não haverá

BOLSA UOL

  • Avaliação: Texto "O que é o Iluminismo?" (Michel Foucault)
  • Data: 18.12.07
  • Hora: 9 hs às 12 hs
  • Aplicador da avaliação: Marcus

10 de dez. de 2007

Emancipação - cap 1 de Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman (Resumo)

**Emancipação
Ao fim das três décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, época de prosperidade, de uma sociedade rica e poderosa, apresentou-se como problema o dever de emancipação, não a libertação em si, mas a falta de desejo das pessoas para serem libertadas. Libertar-se significa sentir-se livre das limitações, ser livre para agir conforme os desejos. Uma ameaça que atormentava os filósofos era que as pessoas pudessem não querer ser livres, pelas dificuldades que o exercício da liberdade pode acarretar.

As bênçãos mistas da liberdade
A questão sobre a liberdade, se seria ela uma bênção ou uma maldição, assombrou pensadores durante a maior parte da era moderna, quando ficou claro que os que deveriam dela gozar relutavam em aceitá-la. Houve dois tipos de resposta à questão: a primeira lançando dúvidas sobre a prontidão do povo para a liberdade, e a segunda inclinando-se a aceitar que os homens podem estar certos quando questionam os benefícios que as liberdades podem trazer. Na perspectiva de Hobbes, depois desenvolvida por Durkheim, não há outro caminho para o indivíduo buscar a libertação senão submetendo-se à sociedade e seguindo suas normas. Padrões e rotinas fazem com que os homens saibam como agir na maior parte do tempo, e que raramente se encontrem em situações em que as decisões devem ser tomadas com a própria responsabilidade e sem o conhecimento das conseqüências.

As casualidades e a sorte cambiante da crítica
Para Cornelius Castoriadis o que está errado em nossa sociedade é que ela deixou de se questionar, não reconhece mais qualquer alternativa para si mesma. Mas isso não significa que tenha suprimido o pensamento crítico como tal, pelo contrário, fez da crítica da realidade e do que está posto uma parte inevitável e obrigatória da vida dos indivíduos. Mas a sociedade da modernidade fluida é inóspita à crítica, acomoda o pensamento e a ação críticos de modo que permaneça imune a suas conseqüências, saindo intacta e sem cicatrizes.
Atualmente temos a crítica ao estilo do consumidor, que veio substituir a crítica ao estilo do produtor. As causas da mudança estão ligadas à profunda transformação do espaço público, e do modo como a sociedade opera e se perpetua. A teoria crítica clássica, de Adorno e Horkheimer, insere-se no contexto de uma modernidade pesada, sólida, condensada e sistêmica, tendente ao totalitarismo. Um dos principais ícones dessa modernidade é a fábrica fordista, que reduzia a atividade humana a movimentos simples e rotineiros, excluindo a espontaneidade e iniciativa individual. A teoria crítica pretendia neutralizar e eliminar de vez a tendência totalitária da sociedade, buscando sobretudo a defesa da autonomia, da liberdade de escolha e da auto-afirmação humanas. A sociedade que entra no século XXI é moderna de um modo diferente da que entrou no século XX. A modernidade é marcada pela contínua modernização, por uma insaciável destruição criativa. Ser moderno significa ser incapaz de parar e de ficar parado, por causa da impossibilidade de alcançar a satisfação. Duas características fazem nossa modernidade nova e diferente: o colapso da antiga crença de que há um fim no caminho que andamos, um telos alcançável, e a desregulamentação e privatização das tarefas e deveres modernizantes.

O indivíduo em combate com o cidadão
A apresentação de seus membros como indivíduos é marca registrada da sociedade moderna. A individualização é uma atividade incessante e diária, e muda seu significado constantemente, assumindo novas formas. Ulrich Beck contribui para a compreensão do processo de individualização, através de diversas obras. A individualização consiste em transformar a identidade humana de um em uma tarefa, encarregando os atores da responsabilidade de realizar essa tarefa e das conseqüências de sua realização. Os indivíduos não mais nascem em suas identidades; precisam tornar-se o que já são, sendo esta uma característica da vida moderna. A modernidade antiga desacomodava para reacomodar, sendo essa reacomodação uma tarefa posta aos indivíduos. Os estamentos, a que se pertencia por hereditariedade, foram substituídos pelas classes. O pertencimento às classes era uma realização, deveria ser buscado, continuamente renovado, reconfirmado e testado na conduta diária. Os indivíduos com menos recursos tinham que compensar sua fraqueza individual pela força do numero, partindo para a ação coletiva, somando suas privações, que congelavam-se em interesses comuns. O coletivismo foi a primeira estratégia para aqueles incapazes de se auto-afirmar enquanto indivíduos. O que distingue essa individualização da individualização da segunda modernidade é a ausência de lugares para reacomodação, e os lugares que se apresentam são frágeis, e freqüentemente desaparecem antes que seja completado o trabalho de reacomodação. Tanto no estágio leve e fluido da modernidade quanto no sólido e pesado a individualização é uma fatalidade, não uma escolha. Os riscos e contradições são socialmente produzidos, mas o dever e a necessidade de enfrentá-los estão sendo individualizados. Atualmente, os problemas dos indivíduos podem ser semelhantes, mas não podem fundir-se para formar uma totalidade. Tocqueville afirma que a libertação das pessoas pode torná-las indiferentes. O indivíduo é o pior inimigo do cidadão, pois o cidadão busca seu próprio bem-estar através do bem-estar da cidade, enquanto o indivíduo tende a ser cético ou prudente em relação à causa comum. O outro lado da individualização parece ser a corrosão e lenta desintegração da cidadania. Os cuidados e preocupações dos indivíduos, enquanto indivíduos, enchem o espaço público, como seus únicos ocupantes legítimos, expulsando todo o resto. Assim, o público é colonizado pelo privado.

O compromisso da teoria crítica na sociedade dos indivíduos
Ser um indivíduo significa não ter ninguém a quem culpar pela própria miséria, não procurar as causas das próprias derrotas senão na própria indolência e preguiça, e não ter outro remédio senão tentar com mais determinação. Há demanda por cabides individuais onde os indivíduos possam pendurar coletivamente, ainda que por breve período, seus temores individuais. Há um grande abismo entre a condição de indivíduos de jure e suas chances de tornarem-se indivíduos de facto. Ele não pode ser transposto apenas por esforços individuais, pois é tarefa da Política. O abismo emergiu e cresceu por causa do esvaziamento do espaço público, e do lugar intermediário público/privado, onde problemas privados são traduzidos para linguagem das questões públicas, e soluções públicas para os problemas privados são buscadas, negociadas e acordadas. A tarefa da teoria crítica era defender a autonomia privada contra as tropas da “esfera pública”. Hoje sua tarefa é defender o domínio público, ou repovoar e reequipar o espaço público, que se esvazia rapidamente. Não é mais o público que tenta colonizar o privado; o que se dá é o contrário, o privado coloniza o público. O poder navega para longe do alcance do controle dos cidadãos, para a extraterritorialidade das redes eletrônicas. O espaço público está cada vez mais vazio de questões públicas, dessa forma as perspectivas de que o indivíduo de jure se torne indivíduo de facto parecem cada vez mais remotas.

****



Nota: Não sabia bem o que fazer, entre roteiro e fichamento, preferi resumir. Muita coisa ficou de fora. E o que ficou foi, provavelmente, por dificuldade de compreensão.

3 de dez. de 2007

Um calendário

As datas buscam fazer dos dias alguma repetição. Isso parece triste. É triste, mas é confortável. Quando são datas alegres, comemora-se e na data arrisca-se a felicidade. Um acontecimento.
Já quando as datas são fardulentas, arriscar uma alegria já parece temerário. Arrisca-se então o conforto. Mas pode aparecer alguém com uma vontade desmedida que arrisque retirar a métrica da data, já que data e dados são a mesma coisa. E se “ainda estão rolando os dados”, as coisas podem ser diferentes daquilo que lhe quis as datas.
Bom, vamos às datas:
11/12 > reunião às 9h. Apresentação e conversa sobre o capítulo 1 de Modernidade Líquida (Marcus).
18/12 > reunião às 9h. Apresentação e conversa sobre o capítulo 2 de Modernidade Líquida (Hérica).
Seria interessante postar no blog um roteiro ou fichamento do que vai ser apresentado com no máximo 24 horas de antecedência.

ps: por e-mail, proposta de programação para as entrevistas.

2 de dez. de 2007

Foram perguntas interessantes, que em alguns momentos se tornaram muito íntimas mas acredito que havendo só o entrevistado e entrevistador, caso entre eles haja uma interação vão ser respondidas sim. Afinal de contas eu acho que o vai fazer a diferença é como elas vão ser perguntadas. Bom, gostei de poder ter contribuído e vamos torcer para que um bom trabalho possa ser realizado :]

Beijos

29 de nov. de 2007

ATA - Reunião 27.11.07

  • Presença: Andressa, Bruna, Herica, Jade, João, Karne, Laura, Lázaro, Marcus.
  • Realização da entrevista com Bruna: Identidade - Jade/ Consumo - Herica/ Amizade - Andressa
  • Na entrevista de amizade, atentar para a cibercultura; caso ela não apareça, o entrevistador pode investigar.
  • Conversa/discusão sobre o andamento e funcionamento do grupo

PRÓXIMA REUNIÃO

  • Local: Sala 117 Didática I
  • Hora: 9 hs

TAREFAS

  • Kleber: postar uma sugestão de cronograma para o roterio de entrevista
  • Bruna: postar suas impressões sobre as questões e a entrevista.

28 de nov. de 2007

Minha situação

Genteeeeee...
Td bem? quanto tempooo...hihihi
Já to com saudades...
Enfim, estou aqui para explicar minha ausência/saída do grupo. Eu já expliquei para Kleber e conversei com alguns de vocês...mas, como nao pude ainda ir na reunião para falar oficialmente vim aqui para falar.
É o seguinte, eu arranjei um estágio e por todos os motivos que vocês podem imaginar é impossível recusar e como são todos os dias pela manhã vou ter que sair do grupo=(
Há ainda uma remota possibilidade de eu voltar caso consiga dar um jeitinho lá e faltar a terça, mas ainda nao tive oportunidade de falar com a chefinha...
Então por enquanto oficialmente eu saí do grupo...certo?
Desculpa por não poder ir falar pessoalmente e talz..mas vou ver se consigo na próxima terça!

=)

22 de nov. de 2007

ATA - Reunião 20.11.07

  • Discussão das questões do roteiro de entrevistas
  • Leitura e Esclarecimento de cada pergunta e dos seus questionamentos
  • Presença: Andressa, Herica, Jade, João, Karine, Laura, Lázaro, Rafaela.

PRÓXIMA REUNIÃO

  • Local: diática I - sala: 117 / Hora: 9 hs
  • A entrevista será feita com Bruna.

15 de nov. de 2007

ATA - Reunião 13.11.07

  • Discusão do roteiro de entrevista - Rafaela e Andressa trouxeram suas perguntas para a reunião.
  • Presença: Andressa, Herica, Jade, João, Karine, Lázaro, Marcus, Rafaela.
  • Para todos: já podem enviar perguntas do roteiro de entrevista pro email do grupo; Kleber se disponibilizou a fazer um "roteirão".

14 de nov. de 2007

Site-referência

Pensando em todos que nos acompanham e dão suporte escrito a nossas falas e posteriores, também, escritos, venho aqui por meio destas mal traçadas linhas meio que trazer a tona um achado - muito interessante por sinal - com qual me deparei por acaso e que me deixou contente, pois também dialoga com alguns bons conhecidos nossos que permeiam discursos outros, e principalmente por ser gente nova e interessante produzindo, dizendo coisas...
Tornar público um bom trabalho é sempre interessante, então vou usando o blog como uma via de fazê-lo, não só para nós do grupo de pesquisa, mas também para algum navegador (des)avisado que também, algum dia, depare-se por acaso com nosso blog e sinta essa vontade de falar dele. fica aí a dica:

http://www.rizoma.net/

11 de nov. de 2007

ATA - Reunião 06/11/07

Para constar como ATA dessa data de reunião, fica aqui o seguinte...

  • Discussão do prefácio de Modernidade Líquida: Cada autora dos textos postados no blog se posicionou. Depois tentou a partir do texto original, explicar algumas partes e retirar algumas dúvidas.
  • Presença de: Kleber, Andressa, Hérica, Rafa, Jade, Bruna, João, Lázaro, Karyne, Laura.
  • RELEMBRANDO - Dentro do cronograma para reunião de 13/11/07 fica a formulação das perguntas do roteiro de entrevistas do projeto PIBIC. OBS: "Cobaia" ou "Rato branco" (apelidos carinhosos dado a Bruna) não vai à reunião... :)
  • Maiores informações a ATA podem se colocar...INTÉ

7 de nov. de 2007

Mensagem da Lígia

----- Original Message -----
From: Lígia Oliveira Silva
To: kleber matos
Sent: Tuesday, November 06, 2007 10:49 PM
Subject: Abrapso - Resultados
Kleber, por favor leia e repasse esse e-mail para os integrantes da pesquisa.Olá a todos!!Estou escrevendo para dar alguns pareceres sobre o trabalho do Orkut no encontro da abrapso. Foram vários imprevistos, mas no final deu tudo muito certo!! Primeiro, que colocaram preu apresentar o pôster no sábado e eu ia embora na sexta de madrugada. Enchi tanto o saco do organizador que no final ele conseguiu me transferir pra sexta-feira!! Lá tinha avaliador e premiação de pôster, ou seja, tinha q apresentar mesmo e as pessoas davam valor. Assim que eu pendurei o pôster, um monte de gente parava pra olhar, e quando as avaliadoras chegaram, que eu comecei a explicar, começou a juntar um monte de gente, que nem cabia mais no corredor, e o povo perguntando milhões, e as avaliadoras também perguntando milhões, sobre coisas que eu nunca tinha pensado, mas deu pra se virar legal!! Sei que todo mundo discutiu, tirou onda, acrescentou, criticou, elogiou, e no fim, uma explicação que era pra durar uns 10 min durou 40min, mas todo mundo achou legal. Depois que as avaliadoras foram embora, juntou mais um monte de gente e eu dei outra explicação prum cara que foi aluno de Virginia Kastrup, que comecou a perguntar milhões, o que durou mais uns 40 min. Daí depois disso acabou o tempo do pôster (era +/- 1:30h só). Nesse mesmo dia, mais tarde, foi a sessão temática. Não sei como meu nome foi parar de coordenadora da sessão, mas bom, lá fui eu. Todos os outros trabalhos da sessão era sobre orkut e internet, o que fez da sessão muito proveitosa, pois os trabalhos se complementaram. Porém, a análise mais profunda sobre o orkut em si foi a nossa. Uma menina falava sobre anorexia no orkut (comunidade), um cara sobre prazer sexual (mas não compareceu), e outra menina falava sobre um estudo de lan houses e usuário de internet. A sala lotou, e no fim das apresentações se deu um debate muito produtivo. As pessoas comentavam, problematizavam, elogiavam, etc. E basicamente foi isso!! E ainda mais, pra completar, acabei de ver no site da abrapso que o nosso painel foi premiado como o melhor do eixo de mídia, comunicação e linguagem no dia 02/03! olhem aqui o link do site: http://abrapso.org.br/siteprincipal/index.php?option=com_content&task=view&id=171&Itemid=29
No mais, bjo a todos e agradeço pela oportunidade que me foi dada de levar esse trabalho pro Rio, apesar de não fazer mais parte do grupo. Outros congressos que os integrantes não puderem comparecer e eu porventura for, estou à disposição para apresentar o trabalho novamente.
Bjo gente!!!
Lígia

4 de nov. de 2007

A Solidificação dos Líquidos

Que os líquidos têm uma qualidade de “fluidez”, isto é certo; eles são capazes de modificar sua forma, ocupar espaços variados e não se fixam em uma ou outra determinação de espaço nem de tempo. Fluidos (ou líquidos) podem, ainda, contornar barreiras que têm o poder de deter sólidos. Enquanto os primeiros inundam espaços, dissolvem matérias; estes últimos limitam-se a permanecer como são, imutáveis, sem recursos.
Essas características parecem representar muito bem, metaforicamente falando, o momento histórico atual. A instabilidade, o desconforto, as mudanças, a fluidez, estão presentes nas atitudes, nas múltiplas opiniões, em qualquer manifestação que tenha um caráter social nos dias de hoje. Mas o início disso tudo está um pouco mais distante da nossa década, como nos mostra o texto: “Ser Leve e Líquido”, prfefácio do Livro “Modernidade Líquida”; desde a época do Manifesto Comunista fala-se em “derreter os sólidos”, o que mostra a insatisfação de um espírito moderno que se acha inadaptável ao momento em que se manifesta.
O que não se pode esquecer é que os estados físicos das substâncias mudam, de uma certa forma, também são “fluidos”. Na química, uma substância no estado líquido pode virar um sólido, depois derreter-se, evaporar; o que significa que também ocorre com os líquidos do nosso tempo a possibilidade de virarem gelo.
A liquidez da modernidade encontrou os seus antigos 'sólidos-base' já em um estado de desintegração; assim, além de derreter esses, solidificou outros, criou seus próprios sólidos. O derretimento dos sólidos antigos levou ao surgimento de uma sociedade 'economicamente líquida', o que dá o tom de fluidez e movimento são as variadas possibilidades de atuação no campo econnômico sem o entrave de questões como honra, família, ética. O que não significa, é claro, que se viva a liberação total; na verdade, essas questões citadas deixaram de ser consideradas obstáculos pois outras são criadas para ocupar seu lugar, mas, agora, de maneira racional.
Essa dita, racionalidade, mantém um sistema de determinações e regras tão rígido e sólido quanto antes, ou mais. O que se percebe é apenas uma mudança de alvo; se, por um lado, as questões familiares eram empecilho para a prosperidade da economia e, dessa forma, deveriam ser esquecidas, por outro, o conjunto de itens que dominam uma transação bancária podem, também, atrapalhar o desenvolvimento de algum negócio. O que se vê hoje não é a vantagem da liberdade, mas sim uma luta pela adaptação, que a modernidade dita fluida, maleável, determinou ao solidificar suas categorias e instituições.
É verdade que cada vez mais o tempo e o espaço tornam-se infinitos ao homem, ele os conquista e os modifica de diferentes – e, cada vez mais, profundas – formas. Mas é exatamente neles que a modernidade adquire sua força, na medida em que se aparenta ter mais liberdade (por causa das conquistas do tempo-espaço), se observa uma maior dominação (por causa das conquistas tempo-espaço) e um poder fluido e líquido, que transpõe barreiras físicas e derrete solidificações subjetivas. O domínio atinge a vontade, a vida é planejada para que se encaixe em uma determinada maneira de se viver, a qual é imposta e criada para disciplinar quem a escolhe. A fluidez deixa de significar mudança para exprimir a fuga e o ocultamento dos sólidos modernos.
Não se pode negar que desde a época do Manifesto Comunista até hoje mudou-se muita coisa, a vida ficou mais fácil, tudo se tornou mais acessível, as distâncias diminuíram, ou seja, é possível se ter muito mais do que as gerações anteriores tiveram. De uma certa maneira, mudou-se da água para o vinho...o que não significa que o vinho não congele.

2 de nov. de 2007

Interpretação do prefácio de Modernidade Líquida

“Tudo que é sólido se desmancha no ar”. Frase famosa do Manifesto do Partido Comunista de K. Marx e F. Engels (aput Zygmunt Bauman, pág. 09). Ali, naquelas poucas palavras, os autores estavam descrevendo um fenômeno que começava a surgir a olhos vistos na sociedade ocidental do século XIX, marcaria profundamente o séc. XX e reafirma-se como característica primordial do incipiente séc. XXI: a fluidez. A constante mudança; mutação dos corpos, regras e acontecimentos.

Sua função é a quebra de todos os sólidos, as marcas estabelecidas anteriormente pela sociedade e que já não mais servem para a nova organização totalmente capitalista. Deveriam ser aniquilados os entraves que impediam o aprimoramento do capitalismo. Mas, como não seria possível a manutenção da sociedade sem um suporte, novas bases têm de ser lançadas. Isto é, novos sólidos surgirão, porém mais fortes e de acordo com as regras do jogo econômico. Segundo Z. Bauman, a característica principal que se busca nestes novos sólidos é a durabilidade; porém, como obter tal performance, que está em total contradição à regra do mercado, a fluidez?
As primeiras quebras de sólidos foi àquelas relacionadas aos costumes familiares e leis de proteção ao empregado. Tais regras antigas iam de encontro ao livre comércio e à exploração do mercado e da força humana. Na verdade, é principalmente uma “limpeza dos entulhos” destes sólidos, que estavam se deteriorando havia algum tempo.

A nova base sólida, descrita por Marx, é a economia, que dita as transformações nos demais ramos da sociedade – a superestrutura (religião, família, educação, Estado, etc). É através da solidificação do fator econômico que os demais sólidos são destruídos, ou outros sólidos que poderiam competir pelo posto de maior importância são impedidos de crescer. Todo o sistema capitalista que se desenvolve tem como requisitos básicos fortalecer-se e não permitir que traços oponentes se instalem também.

Esta base só se manterá desta forma: não permitindo críticas ou formas de mudança estrutural. Até mesmo a maneira como o indivíduo é ensinado a observar a realidade visa cria-lo como um cordeirinho, alguém que não tem forças ou não quer se rebelar. O sujeito foi exercitado a considerar conceitos antes honrosos como ruins à sociedade: identidade, emancipação. Outras idéias, como tempo/espaço e trabalho foram reestruturadas, para um melhor encaixe nesta nova solidez. Tudo para tentar conseguir quebrar as noções de individualidade ou especificidade de algum grupo; é a lei da globalização, do mercado exigindo a ligação entre todos do planeta, para terem as mesmas características e demandas de produtos.

A fluidez talvez se encaixaria aqui, instigando as mudanças no desejar de algo; o novo é o melhor, e um desejo renovado surge a todo instante.

Esta liquefação trás conseqüências ao poder. Ele é posto em prática por uma maior ênfase no subordinado; antes, os subordinadores eram identificados através do poder, e constantemente vistos por isso; agora, na modernidade, são os dominados os visados pelo poder, rastreados e identificados por ele. Esta modificação, a desterritorialização do poder, tornou possível a inacessibilidade dos detentores verdadeiros dele, que manipulam os demais através da força do mercado e de sua influência na sociedade. É a era pós-Panóptica, onde não há necessidade de vários sólidos, apenas da força de dominação para manter a sociedade dócil e liquefeita na superfície, porém firme na base – composta de dinheiro, muito dinheiro.



PS: Gente, desculpa a demora. Realmente, tive alguns problemas com relação ao texto e a redação que deveria fazer em cima dele. Espero que consigam entender, porque ainda não organizei todas as idéias. Não sei se foi possível a percepção, mas vou expor mais claramente minha principal dúvida, que me fez recear pelo texto que escreveria: como estruturas ditas tão sólidas, sendo construídas pela modernidade, dariam espaço a serem também líquidas? Tentei buscar mais Marx, acho que ele tenta explicar isso com a idéia de estrutura e superestrutura. É isso mesmo?
:)

31 de out. de 2007

Resumo referente ao prefácio do livro “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman

O líquido não possui uma forma definida, assume a forma do recipiente no qual ele seja colocado. Em outras palavras, sua forma é temporária, ele está constantemente mudando. Esse fato os distingue fundamentalmente dos sólidos, os quais oferecem resistência à separação dos seus átomos.
A situação dos líquidos, para Bauman seria a que mais se encaixaria ao que se vive hoje. O fato de os líquidos estarem sempre prontos para mudar a sua forma, faz com que o tempo lhes seja essencial. Portanto, qualquer descrição que se faça deles é meramente temporária. A mobilidade que lhes é tão característica faz com que eles passem a idéia de “leveza”. Quanto maior a facilidade em se mover, mais rápido se dará o movimento. A leveza é frequentemente associada à mobilidade e inconstância. A situação que caracteriza a presente fase é muito semelhante a essa condição dos líquidos. A modernidade já nasceu “derretendo os sólidos”. Tudo o que apresentasse uma tendência a permanecer constante à medida que o tempo passasse, deveria ser destruído. Todas as tradições deveriam ser “liquefeitas”. Todos os sólidos deveriam ser destruídos para dar lugar a novos sólidos, mais aperfeiçoados. Sólidos que possuíssem uma solidez mais confiável e desse modo pudessem ser mais duradouros, faziam-se necessários.
Todas as obrigações “irrelevantes” deveriam deixar de existir: as empresas deveriam se libertar dos deveres para com a família e das obrigações éticas; só deveria permanecer nas empresas o que tivesse fins materiais. As relações sociais ficavam desprotegidas e o papel da economia ganhava destaque. Ela ia se libertando progressivamente de obstáculos éticos, políticos e culturais. Desse modo, construía-se uma nova ordem, a qual era definida principalmente pela economia e que por ter se libertado de todos esses entraves, deveria ser uma ordem mais “sólida”. “Não que a ordem econômica, uma vez instalada, tivesse colonizado, reeducado e convertido a seus fins o restante da vida social; essa ordem veio a dominar a totalidade da vida humana porque o que quer que pudesse ter acontecido nessa vida tornou-se irrelevante e ineficaz no que diz respeito à implacável e contínua reprodução dessa ordem.” (BAUMAN, 1999, p.11)
Consoante Bauman, essa nova ordem é composta por subsistemas livres, mas o modo que esses sistemas estão ligados é bastante rígido. A ordem das coisas se apresenta fixa, não está aberta a opções. Esse quadro surgiu quando o que limitava a liberdade do homem foi “derretido”. “A rigidez da ordem é o artefato e o sedimento da liberdade dos agentes humanos. Essa rigidez é o resultado de ‘soltar o freio’: da desregulamentação, da liberalização, da ‘flexibilização’, da ‘fluidez’ crescente, do descontrole dos mercados financeiro, imobiliário e de trabalho, tornando mais leve o peso dos impostos etc.” (BAUMAN, 1999, p.11). Uma conseqüência disso é que é cada vez mais difícil encontrar pessoas que satisfaçam o “perfil revolucionário”, que esteja disposto a abrir mão de interesses individuais em nome do coletivo.
A ausência desses revolucionários torna a construção de uma nova ordem tarefa impossível. As forças que poderiam manter a ordem e o sistema na agenda política foram dissolvidas. Segundo Bauman, os sólidos que estão derretendo, ou os que estão para serem derretidos são os que entrelaçam as escolhas individuais em projetos e ações coletivas. Ele cita Ulrick Beck, que fala sobre as “instituições zumbi”, que estão vivas e mortas ao mesmo tempo, como é o caso da família, da classe e do bairro.
Para Bauman, ocorre hoje uma redistribuição dos poderes de derretimento da sociedade. As instituições foram as primeiras a serem atingidas e a sociedade teve sua forma mudada. Ele acrescenta que os velhos moldes foram sendo distribuídos por outros, as pessoas foram se libertando das antigas gaiolas e com seus próprios esforços, tiveram de encontrar lugar nos novos nichos pré-fabricados . Os indivíduos deveriam fazer isso seguindo regras que lhes eram exteriores.
Essas regras, que serviam para orientar, estão cada vez mais em falta. Mas isso não quer dizer que as pessoas hoje constroem sua vida utilizando-se somente de sua própria imaginação, quer dizer que o trabalho de autoconstrução individual não está totalmente determinado. Hoje os padrões não são dados, eles são bem variados e alguns deles se chocam. Eles mudaram de natureza e são agora tarefas individuais. Uma conseqüência disso é que “o que acontece” com o indivíduo é problema dele somente.
Os padrões de dependência e interação, assim como os líquidos, não mantêm a forma por muito tempo. Essa extrema mobilidade muda radicalmente a condição humana e faz com que os velhos conceitos referentes a ela se tornem obsoletos. Eles necessitam, portanto serem atualizados ou inteiramente descartados e é justamente isso que Bauman se propõe a fazer no livro.
Uma característica fundamental da vida moderna é a relação entre espaço e tempo. É dela de onde partem todas as outras características. Segundo Bauman, a modernidade tem início quando tempo e espaço se separam entre si e da prática da vida. Ele acrescenta ainda que na modernidade o tempo passa a ter história e a velocidade de movimento através do espaço se torna uma questão do engenho, da imaginação e capacidade humanas. E a partir desse momento a velocidade superou seus próprios limites.
Essa velocidade sem limites foi fundamental na conquista do espaço. Agora podia-se percorrer grandes espaços em pouco tempo e a velocidade tornou-se, desse modo, uma ferramenta de poder e dominação. Bauman cita o exemplo do Panóptico, onde os internos se encontravam impedidos de se movimentar. Como os controlados não viam os vigias, eles não tinham como burlar as regras, tinham que ficar apenas nos lugares indicados, se encontravam assim, imóveis no espaço. Os vigias tinham facilidade de se movimentar, dominavam o tempo e isso era uma estratégia de poder. Apesar de esses vigias terem facilidade de se movimentar, eles não o podiam fazer livremente, pois tinham de ficar observando os internos nos lugares estipulados.
Por isso que Bauman fala que a modernidade no presente estágio é pós- Panóptica. Diferentemente do Panóptico, agora o poder não se limita a um espaço. Os controladores não precisam mais estar próximos aos controlados, eles podem exercer seu poder independente do espaço que se encontre. Se no Panóptico os vigias tinham de estar perto para poder exercer seu poder, agora a principal técnica de poder é justamente evitar qualquer tipo de confinamento no espaço. Se antigamente uma guerra se dava basicamente de confrontos “corpo a corpo” terrestres, agora – Bauman cita o exemplo da Guerra do Golfo – uma maneira eficiente de guerrear é a utilização de mísseis auto dirigidos, que aparecem e desaparecem numa velocidade extraordinária. E essa nova maneira de se fazer guerra é condizente aos objetivos da mesma: fazer o inimigo abrir mão de suas próprias regras e assim poder dominá-lo.
Bauman cita Jim MacLaughlin, que diz que uma característica da modernidade foi o ataque contra o nomadismo. Na época em que nações e Estados nações se firmavam, os nômades passaram a ser considerados “sedentários” no tempo. No entanto, no presente estágio da modernidade, o líquido, os nômades, que não possuem território “sólido”, ganham vantagem. Consoante Bauman, hoje um propósito da política e das guerras é eliminar as barreiras e permitir o tráfego nômade.
A elite dominadora, ao exercer seu poder, não precisa se preocupar com a maneira que ela vai fazer isso. No mundo contemporâneo, os dominadores não levam em conta o bem estar dos dominados, pois isso lhes seria custoso. Não vale a pena investir tanto em um só território, o ideal é deixar recursos livres para abandonar o território e migrar para outros, tão logo surjam novas oportunidades. Essa velocidade é fundamental quando o assunto é lucro. Logo, os detentores de poder devem dar preferência a tudo o que for transitório. Já os destituídos de poder, desesperadamente procuram por algo durável.
Para Bauman, a desintegração social é uma conseqüência e, ao mesmo tempo, condição da nova técnica de poder, pois para que este flua é necessário uma rede de laços sociais facilmente quebráveis. Laços que assim se encontrem irão permitir a fluidez, esta, por sua vez, irá permitir que o poder desintegre as redes.
Olá pessoas!!!

Já estou de volta e dando um parecer da minha ausencia enquanto estive viajando!!
já dei também uma lidinha nas postagens aqui!!
é isso!!
abraçoo

30 de out. de 2007

ATA - Reunião 30/10/07

  • Comentou-se sobre o projeto sobre os Centro de Inclusão Digital, a coleta de informações pela internet e a possibilidade dessa coleta se dar de forma mais presente, nos próprios locais.
  • Tratou-se da saída da Fernanda, comentando que ninguém respondeu ao e-mail dela. Junto a isso se discutiu o compromisso com os trabalhos e a pensar sobre a entrada e saída de membros do grupo.
  • Fez-se uma breve avaliação da apresentação dos painéis.
  • Kleber indagou o não posicionamento no Blog sobre o prefácio de Modernidade Líquida. Foi ugerido fazer então postagens sobre as dúvidas, questões, idéias, colocando como marcador: "conversa fiada".
  • Cronograma estabelecido para as próximas reuniões: dia 06/11 - discussão sobre o texto.prefácio de Modernidade Líquida, esperando que se façam postagens e comentários sobre o texto; nas próximas duas semanas será a produção da entrevista do Projeto PIBIC em duas etápas = dia 13/11 - produção de questões para entrevista, pensando numa lógica de raciocínio para elaborar o roteiro (nesse dia, nossa "cobaia" ou "rato branco" (hehehehe) Bruna não irá comparecer), dia 20/11 - ocorrerá o teste em Bruna com o intuito de ver se o roteiro de entrevista, as questões respondem, atrapalham ou batem com o nosso interesse no projeto e se por acaso surgem novos pontos.
  • Houve a apresentação do texto/resumo O nascimento da Merdicina Social por Andressa, além da discussão no grupo.
  • Tratou-se da proposta de apresentar os trabalhos na Semana de Graduação. Fica pendente saber se os trabalhos da Inciação podem ser apresentados na Semana. Kleber sugere que façamos uma comunicão sobre o modo de funcionamento do grupo, os trabalhos, o andamento, projeto, entre outros.
  • Presença: Marcus, Laura, Karine, Rafaela, Lázaro, Jade, Bruna, Andressa, Joãozinho, Kleber.

Modernidade líquida

Será que o duradouro transformou-se em algo tedioso? Esta se torna uma importante pergunta após a leitura do presente texto. O parar para pensar sobre o que seria “A Modernidade” também adquire forma, pois esta “significa muitas coisas, e sua chegada e avanço podem ser aferidos utilizando-se muitos marcadores diferentes.”(p. 15). Ademais, tentar entender o porquê de buscarmos o fluido, o instável, que não se fixa ao espaço, nem prende o tempo, em detrimento do estável, do resistente é algo que nos faz querer percorrer todo o percurso lógico de idéias existentes no texto.
Em Modernidade Líquida, a palavra liquefação resume todo um processo em busca da modernidade, de desprender-se dos caminhos habituais, da estagnação. Enfim, a busca da leveza. Porém, o objetivo final não era acabar com os sólidos definitivamente, mas sim proporcionar o surgimento de reconstruções sólidas novas e aperfeiçoadas
Tal derretimento levou a uma sedimentação, a concretização de uma nova ordem baseada em termos econômicos. Ordem esta que encontrou, segundo Max Weber, portas abertas devido a forma que se propiciava o derreter: “ antes e acima de tudo,eliminar as obrigações “irrelevantes” que impediam a via do cálculo racional.”(p.10). Para este, o que restaria seria o “nexo dinheiro”.
A reprodução dessa nova ordem era implacável, meios capazes de desestruturá-la foram quebrados. Amarras que eram suspeitas de desprover de liberdade individual de escolha e ação foram substituídas por algemas que nos prendem a esse novo modo de ver: “Por mais livres e voláteis que sejam os “subsistemas” dessa ordem, isoladamente ou em conjunto, o modo como são entretecidos é “rígido, fatal e desprovido de qualquer liberdade de escolha”.”(p.11)
Primeiramente, os “poderes de derretimento” afetaram as molduras, tudo aquilo que circunscrevia o domínio de ações e escolhas. Hoje, a sua tarefa não é mais construir uma nova ordem, mas sim findar elos que ligam escolhas individuais em projetos e ações coletivas, fase que podemos denominar de “segunda modernidade” (modernidade voltando-se para si mesma). Etapa em que as responsabilidades pelo fracasso recaem sobre os ombros do próprio indivíduo.
Tempo e espaço distinguem-se. Não há mais como enxergar os dois como um só, o que podemos definir é que com a expansão do tempo moderno este se tornou a arma de conquista do espaço. O tempo é o dinâmico, enquanto que o espaço o lado sólido.
Com o advento da modernidade, o poder se tornava extraterritorial, não era mais necessário o contato ou suposto contato entre comandante e comandado explícito no modelo panóptico. O poder era capaz de se mover através de um sinal eletrônico, podendo se dizer que o tempo de comando e execução de um movimento resumia-se a instantaneidade. Os poderosos desvencilhavam-se do engajamento para com seus subordinados , ele era considerado desnecessário, ineficaz e custoso.
A liberdade estava em questionamento, porém as pessoas realmente desejavam ser libertadas? Como nos revela o texto eram poucos aqueles que estavam dispostos a agir para obtê-la. Muitas eram as incertezas sobre como a libertação da sociedade iria distinguir-se do Estado em que se encontrava. Dúvidas sobre o que era a libertação também surgiram, caminhando entre meios de tornar-se benção ou maldição.
Havia a idéia de que dependência e libertação não ocasionavam contradição, pelo contrário, o único caminho para encontrá-la seria submeter-se às normas impostas pela sociedade. Seguia-se a idéia de que normas podiam incapacitar, mas também capacitavam enquanto que a sua ausência propiciava apenas a pura e simples incapacitação: “A rotina pode apequenar, mas ela também pode proteger.” (p. 28)
A esperança de totalidade era abandonada, a crença de que quando encontrado o último pedaço de todo um conjunto de fragmentos estes poderiam ser reagrupados novamente vai ser colocada à parte. Emergia a noção de que o que foi fragmentado não podia ser colado novamente. O ser humano não era mais denominado como um ser social que definia-se por sua ocupação na sociedade e conseqüentes ações e comportamentos. As respostas passavam a ser encontradas dentro do próprio indivíduo, desligada de instituições sociais ou em princípios universais. Tal suposição nos remetia a idéia de que a liberdade já teria sido alcançada, restando apenas a limpeza dos poucos cantos restantes e o preenchimento dos poucos lugares vazios.
O voltar-se para si, questionando-se não era mais exercido pela sociedade. Críticas eram feitas, porém distantes de possuírem toda potência possível, simplesmente desdentadas.
Com o fim da crença da revelação e condenação eterna o que nos restava era nos encontrarmos “por nossa própria conta”. As limitações para o nosso aperfeiçoamento nos era dada a partir das limitações dos nossos próprios dons herdados e adquiridos. A capacidade de ficar parado era inexistente, os movimentos continuariam devido à impossibilidade de satisfação: “A consumação está sempre no futuro, os objetivos perdem sua tração e potencial de satisfação no momento de sua realização, senão antes.” (p. 37)

* Gente desculpa pela demora, mas meu computador realmente está me dando muitos problemas.Acessar o blog, o e-mail do grupo e msn são tarefas praticamente impossíveis, ele acessa quando bem quer e entende, desde sexta tento manter contato com vocês. No texto que postei vai ter o que tentei entender até a página 40 pois entre os vários problemas que tive com o meu pc, foi perder meus arquivos tendo que refazer esse texto( acabei de acabar), não vou mentir que ficou complicado dentro dessas circunstâncias escrever novamente todo o texto :/

* Tive muitas dúvidas talvez por essa razão o texto esteja confuso, gostaria de tirar elas durante a reunião, td bem? :]

Beijos








17 de out. de 2007

ATA - Reunião 17/10/07

  • Apresentação de proposta por Kleber de um futuro projeto de curto a médio prazo (para mais de um ano), sobre os Centro de Inclusão Digital ou projetos do Poder Público Constituído que tenham essa dimensão em Aracaju, com idéia inicial de conhecer, analisar e em seguida fazer algum trabalho com a comunidade envolvida. Pretensão também de que haja alguma bolsa envolvida pelo PIBIEX na atuação de estágio dos alunos envolvidos. Preferência de 4 alunos. TAREFA: os interessados procurem mais informações sobre esses centros, o que são, quais existem em Aracaju, memdidas burocráticas para adentrar nesses recintos, etc.
  • Trazido por Kleber indicação de leitura dos textos para núcleo da Identidade da pesquisa = Corpos Elétricos: do assujeitamento à estética da obra - Richard Misholci; e Identidade e diferença em movimento: ressonâncias da obra de Deleuze - Maria Lopes da Rocha. Serão enviados pelo e-mail.
  • Apresentação dos painéis de Iniciação Científica (Problematização, Comunicação e Ciberespaço), junto a pontuações dadas por Kleber.
  • Foi informado pela COPES-POSGRAP que horário para colocar os painéis no devido lugar serão às 15hrs.
  • Indicação de leitura do prefácio do livro Modernidade Líquida e TAREFA de os integrantes mais novos do grupo postar algo sobre o texto.
  • Presença: Rafaela, Fernanda, Andressa, Bruna, Vanessa, Jade, Laura, Joãozinho, Marcus, Kleber.
  • LEMBRANDO: Não haverá reunião na próxima semana, apenas no dia 30/10/07, em que ocorrerá a apresentação e discussão do resto do fichamento "A loucura e a sociedade" e do fichamento "O nascimento da clínica social".