5 de out. de 2007
ATA - Reunião 02.10.07
1 de out. de 2007
Painel e etc
Um painel também envolve custos e edição. Quem tiver propostas leve amanhã. No mais, já é outubro. Abraço!
O NASCIMENTO DA MEDICINA SOCIAL
Foucault procura mostrar o contrário: que na realidade a medicina moderna é uma prática social que possui uma tecnologia do corpo e tendo apenas como um de seus usos o tipo individual que valorizaria essa relação médico-doente. Para esclarecer essa indagação, Foucault menciona que no livro de Victor Bullough (1965), conta sobre a história da medicina na Idade Média que já era do tipo individualista, mas com dimensões coletivas discretas e limitadas. Por isso e outros indícios Foucault aposta da hipótese de que o capitalismo ao invés de ter transformado a medicina coletiva em privada, fez exatamente o contrário. Ocorreu a socialização da medicina, pois o corpo tornou-se força de produção, força de trabalho, existindo o interesse, com isso, de controlar a sociedade através do indivíduo, investindo-se primeiro no âmbito biológico, somático e corporal, para só adiante controlar as consciências e ideologias.
O corpo torna-se uma realidade bio-política e a medicina é uma estratégia bio-política, que serviu e serve para o controle do corpo. Mas apesar do corpo ter sido investido político e socialmente como forma de trabalho, esta não foi a primeira forma assumida pela medicina e sim em último lugar, já na segunda metade do século XIX. Para organizar didaticamente a grosso modo, Foucault indica três etapas para a formação da medicina social: a medicina de Estado, a medicina urbana e a medicina da força de trabalho.
I. A medicina de Estado acontece na Alemanha, no começo do século XVIII, em que se forma a ciência do Estado, onde este se torna objeto de conhecimento, além de instrumento e lugar de formação de conhecimentos específicos. Tais conhecimentos se desenvolveram de forma mais rápida e concentrada neste país, tendo entre as razões, a necessidade de se fazer inquéritos sobre recursos e o funcionamento dos estados que compunham a Alemanha, que naquela época ainda se encontrava dividida, sob intenso clima de conflitos e afrontamentos. Uma outra razão para essa rápida ascensão da ciência do Estado foi a condição econômica estagnada em que se encontrava a Alemanha, que impulsionou a burguesia se aliar ao soberano para melhor organizar o Estado.
O mercantilismo era a teoria econômica ou prática política que delineava as ações daquele momento, final do século XVII para início do século XVIII. Com fins de melhor controlar a produção e por sua vez a quantidade de população ativa, a Alemanha desenvolve a chamada política médica de Estado. Este sistema teria um modo muito mais completo de observação da morbidade, ao requerer a contabilidade de médicos e hospitais das diversas regiões da Alemanha, além do registro dos diferentes fenômenos epidêmicos ou endêmicos. Essa política permitiu ainda o acontecimento de uma série de inovações tais como: a organização de um saber médico estatal, a normalização da profissão médica, a subordinação central e integral de vários médicos em uma nova organização estatal.
A medicina de Estado tinha por objetivo não de garantir uma força de trabalho, mas o corpo dos indivíduos enquanto força do Estado. Não é a toa que essa medicina se propôs a mais funcionalizada, estatizada, coletivizada dessa época fazendo com que os outros modelos nada mais sejam do que atenuações.
II. A medicina urbana aconteceu na França já nos fins do século XVIII, exatamente pelo desenvolvimento das estruturas urbanas. Este país também se encontrava fracionado em múltiplos territórios heterogêneos, além da existência de poderes senhoriais rivais num mesmo território e a estratificação do poder em representantes do poder estatal. Com essa situação, fica clara a necessidade da unificação do poder urbano bem regulamentado, que por sua vez proporcionará a unificação do território francês de modo coerente e homogêneo.
Esse objetivo vinha por razões, tanto econômicas, pela intenção de tornar a cidade um importante lugar de mercado, além de unificar as relações comerciais à nível de nação; quanto por razões políticas, pois com o desenvolvimento das cidades, ocorre o aparecimento do proletariado, que fará com que as tensões aumentem consideravelmente. Isso se deve ao afrontamento entre pequenos grupos (plebe e burguês, ricos e pobres) o que ocasiona agitações e sublevações urbanas cada vez mais numerosas, que se chamam de revoltas de subsistência.
Dentro desse panorama é que percebe a necessidade de um poder político capaz de esquadrinhar a população urbana para um melhor controle da mesma. Para tanto, colaborou o surgimento da atividade do medo diante das cidades, caracterizado por pânicos ocasionados pela vida urbana das grandes cidades do século XVIII. Este pânico urbano era resultado de uma inquietude político-sanitária, que atingia principalmente a burguesia. Por isso essa classe reage ao lançar um modo de intervenção que se trata do modelo médico e político de quarentena.
Surgiram para esse esquema de quarentena dois modelos: um em reação à lepra, que consistia em um mecanismo de exclusão ou exílio do doente, semelhante a uma forma religiosa de atuar, pois se tinha a intenção de purificar as cidades retirando os “bodes expiatórios” (os leprosos); o outro teria sido suscitado pela peste que procurava uma análise minuciosa da cidade, de maneira individualizante, com o registro permanente tal qual uma revista militar. Desta forma, a sociedade estaria disposta em um espaço esquadrinhado, dividido e inspecionado sob um olhar permanente e controlado de registro.
Entre os objetivos delineados para esse plano de conduta médica urbana, tinha-se: 1º) O fato de analisar regiões de amontoamento, confusão e perigo urbano, que são propícios a doenças e fenômenos epidêmicos e endêmicos. Espaços como cemitérios passavam a se localizar em regiões afastadas da cidade e a organizar seus cadáveres tal qual um exército enfileirado e classificado; 2º) O controle e estabelecimento de uma boa circulação do ar e da água. Isso se devia por pensar que o ar seria um dos grandes fatores patogênicos, pois agia diretamente por ação mecânica sobre o corpo. Com isso se organizou métodos de arejamento das cidades; 3º) A organização da distribuição e seqüências de água e esgoto, de maneira que não entrassem em contato.
Já a importância da medicalização das cidades se deu principalmente: · quando a prática médica entrou em contato direto com as ciências extra-médica ou físico-quimicos, graças a socialização da medicina; · quando a medicina passou a se preocupar com as condições de vida e o meio de existência, ou seja, da relação do organismo com seu meio, e isso devido a união das ciências naturais à medicina; · quando surge a noção de salubridade caracterizada pela preocupação com o estado das coisas, do meio e dos elementos constitutivos que afetam a saúde dos indivíduos. Junto a essa idéia surge a noção de higiene pública que seria as técnicas de controle político-científico e modificação dos elementos materiais do meio que sejam suscetíveis a favorecer ou prejudicar a saúde.
III. A medicina da força de trabalho surge na Inglaterra, no momento de seu desenvolvimento industrial, fazendo aparecer uma classe pobre, plebéia e proletária que ainda não era considerada um elemento perigoso para a saúde da população, mas passaria a ser. O que fazia com que essa massa ainda não se tornasse um perigo seria a ordem quantitativa dessas pessoas que ainda não eram tão numerosos e o fato de serem úteis à vida urbana, servindo como uma parte instrumental da existência urbana. Foi já no segundo terço do século XIX, aconteceram razões que levaram a crer que o pobre seria um perigo, entre elas: 1. Por razão política, pois enquanto força a população pobre poderia ser capaz de se revoltar ou participar de revoltas; 2. No momento em que se constrói sistemas (postal e carregadores), dispensam, em parte, os serviços prestados pela população, produzindo uma série de revoltas; 3. O aparecimento da cólera de 1832 fez cristalizar uma série de medos políticos e sanitários sob a população proletária, fazendo crer no perigo em suas presenças na cidade, surgindo com isso a divisão do espaço urbano em bairros e habitações de ricos e pobres.
Para a socialização da medicina inglesa, elaborou-se a Lei dos pobres que tinha o intuito ambíguo de tanto promover uma assistência controlada aos pobres, através de uma intervenção médica, o que os beneficiava por um lado; como também protegia as classes ricas, sendo a burguesia quem mais se interessava em assegurar sua segurança política. Para melhor completar o intuito da Lei, grandes fundadores da medicina social incluíam o sistema Health Service que tinham medidas preventivas a serem tomadas tais como a intervenção nos locais insalubres, as verificações de vacinas, o registro de doenças.
Esta medicina de controle suscitou uma série de reações violentas da população, de resistência popular, que aconteciam não só na Inglaterra, da segunda metade do século XIX, como em diversos países do mundo. Formaram-se grupos de resistência aparentemente religiosos que lutavam contra a medicalização, o direito de querer ser atendido ou não pela medicina oficial e, sobretudo, o direito sobre o próprio corpo.
Esta medicina foi a que mais vingou, pois ligou três pontos: a assistência médica ao pobre, o controle de saúde da força de trabalho e o esquadrinhamento geral da saúde pública. Ao mesmo tempo realizou três sistemas médicos: a assistencial, a administrativa e a privada. Conclui-se que a medicina na Inglaterra era essencialmente um controle da saúde e do corpo das classes mais pobres para torná-las mais aptas ao trabalho e menos perigosas às classes mais ricas.
27 de set. de 2007
Ciberespaço entre conceitos e experiências
O ciberespaço configura-se como um novo plano de experiência humana no contemporâneo. A proliferação e intensidade dessa experiência tornaram necessária a criação de ferramentas conceituais que auxiliassem no entendimento e problematização de estar no ciberespaço. Tarefa árdua pelo seu caráter virtual, algo incomum frente aos demais meios de trocas e construção de conhecimento. No entanto real, posto que imprime novas possibilidades de relação, de produção de sentido e aquisição de informações na vida cotidiana. A realidade virtual proporciona uma nova noção para a experiência no tempo e localização no espaço. O tempo não será apenas histórico-cronológico, assumindo também a dimensão do atual, do agora. O espaço perde a concretude como característica principal, tornando-se fluido e navegável em sua interface hiper-textual. Silvana Monteiro em discussão sobre o Ciberespaço, efetua o mapeamento do conceito promovendo o dialogo entre três áreas do conhecimento: artes, ciência e filosofia. A primeira seria o berço do termo, aparecendo na obra de Willian Gibson como um novo espaço aonde não se vai com o corpo, mas sim com a mente conectada a um deck cyberespacial. A segunda busca localizar o ciberespaço e seus desdobramentos dentro de semióticas científicas utilizando como referenciais: David Koepsell, que mantém uma perspectiva da sua materialidade, entendendo-o como um emaranhado de fios e cabos interconectados originando um sistema de troca de bits, e Pierre Lévy, que não desconsidera a interligação entre infra-estrutura e pessoas que navegam esse universo fluido de informação. A terceira situa o ciberespaço na dimensão filosófica utilizando-se do conceito de máquina abstrata pensado por Gilles Deleuze e Félix Guattari, onde se alcança o pico da desterritorialização dos agenciamentos discursivos e de corpos. Metodologicamente, essa discussão se deu nas reuniões que envolvem o projeto de pesquisa Psicologia, tecnologia e modos de subjetivação contemporâneos, no endereço eletrônico http://entrenospelarede.blogspot.com/, que funciona como um espaço de discussão on line do grupo e também através do e-mail do psicibercultura@yahoogrupos.com.br . Análises iniciais consideram o ciberespaço como dispositivo capaz de agregar vários meios de comunicação e promover socialização, transações econômicas e principalmente novas agenciamentos cognitivos. Diante do crescimento acelerado e importância que as novas tecnologias da comunicação estão adquirindo ante a conjuntura social contemporânea, problematizar o conceito de ciberespaço consiste em ampliar os modos de experiência do mesmo, bem como situar academicamente os desdobramentos desse acontecimento.
bom pessoal.. esse aí é o resumo.
26 de set. de 2007
ATA - Reunião 25.09.07
PROBLEMATIZANDO CAMINHOS NA PSICOLOGIA
Andressa Almada Marinho Pontes (Bolsista Voluntário PIBIC/CNPq - Psicologia/UFS); Kleber Jean Matos Lopes (Orientador DPS/UFS); Jade Santana de Azevedo (Psicologia-UFS); Lázaro Batista da Fonseca (Psicologia-UFS); Fernanda Hermínia Oliveira Souza (Psicologia-UFS).
Esse trabalho problematiza junto a Heliana de Barros Conde Rodrigues, os caminhos que a psicologia faz ou poderia vir a fazer, enquanto um campo de saberes e práticas, analisando implicações que envolvem a produção da temporalidade, biografia e experiência. Busca assim, indagar para onde a Psicologia se encaminha e se organiza, questionando a pretensão em tornar-se uma ciência formadora de saberes supostamente nobres e verdadeiros. Têm-se também como objetivos questionar as práticas que não toleram surpresas e estão à busca de um conhecimento final, da verdade dada e consumada. Assim como publicizar essa discussão, buscando ressonâncias junto à sociedade acadêmica. Metodologicamente, essa discussão se deu nas reuniões que envolvem o projeto de pesquisa Psicologia, tecnologia e modos de subjetivação contemporâneos e no endereço eletrônico http://entrenospelarede.blogspot.com/, que funciona como um espaço de discussão on line do grupo. Partindo da importância e necessidade de problematizar a psicologia, atentando para a condução de sua história, procura fazer uma eventualização, ou seja, fazer surgir a singularidade e romper com as evidências que apóiam o saber formal. Essa discussão não apresenta resultados conclusivos, entretanto problematiza os caminhos na Psicologia, que são pertinentes a sua busca em enquadrar-se nos parâmetros formais da ciência, como também nas práticas psicológicas e nos processos de formação de seus profissionais. Desse modo, não basta conhecer a história de datas e nomes consagrados, mas fazer aparecer a força das experiências e das suas mutações, que seriam para Conde, acontecimentos produzidos pela introdução de descontinuidades nos saberes. Saberes que demandam correlações com outros, formando séries de saberes para tornar possível um sentido novo, uma descoberta ou invenção. Essa ação busca um movimento de transformação na Psicologia, que vá além das grandes narrativas, permitindo problematizações e interferências em jogos de verdade, configurando assim outros modos de experimentar a temporalidade e a história.
Comunicação e psicologia: modos de captura e produção da realidade
Herica Silva França, Marcus Vinicius de Jesus Silva, Vanessa Araujo Souza Côrtes, Karyne Emanuely Lima Cardoso, Laura Regina Oliveira Santana, Rafaela Santos de Carvalho.
A problematização dos meios de comunicação de massa no que tange a possibilidade da sua conversão em modos de exercício da democracia direta ou em maneiras de opressão simbólica constitui o sentido desse trabalho. O fenômeno da comunicação atenta para a sua atuação na construção da realidade, na detenção do poder, na produção da cultura, no controle social e na modificação e fomento do ser humano. Compreende-se, então a comunicação social, como um conjunto de instrumentos capaz de atingir a todos com uma ação simbólica no plano das informações. Com isso, o presente estudo reflete a articulação entre o campo da Comunicação e da Psicologia, enquanto saberes e práticas que se afetam e se configuram na produção da subjetividade contemporânea. Para tanto, foram realizadas discussões com Pierre Bourdieu e Pedrinho Guareschi, dentre outros, que resultaram na produção e publicação de textos dispostos no endereço eletrônico http://entrenospelarede.blogspot.com/. Considerações desse trabalho apontam que os meios de comunicação podem difundir uma concepção de mundo a partir daquilo que é comunicado, consumido e visto, como também daquilo que se faz perceber, atribuindo a essas veiculações de massa uma força singular sobre a existência das coisas e a difusão das idéias. Por outro lado, há possibilidade de resistência a esse poder, já que lhe escapa ao controle, a transmissão de sinais não-verbais, como gestos, olhares, entonação, que estão presentes nos seus discursos. Trata-se assim de problematizar e perceber que os meios de comunicação mesmo pretendendo ser um mecanismo de registro da informação, podem tornar-se um forte instrumento de modos de captura do desejo e de criação da realidade.
24 de set. de 2007
Como estamos?
21 de set. de 2007
RASTROS NO ORKUT:a produção de sentidos entre deletar e manter scraps
Marcus Vinicius de Jesus Silva (Bolsista PIBIC/CNPq - Psicologia/UFS); Kleber Jean Matos Lopes (Orientador DPS/UFS) Andressa Almada Marinho Pontes(Bolsista Voluntário PIBIC/CNPq - Psicologia/UFS, Herica Silva França(Bolsista Voluntário PIBIC/CNPq - Psicologia/UFS), Ligia Carolina Oliveira Silva e Vanessa Araujo Souza Côrtes.
Esse trabalho analisa os modos de inscrição e de produção da subjetividade no ambiente da cibercultura na plataforma Orkut. Ante a intensa dimensão do uso desse programa entre brasileiros, dentre esses, todos os autores desse estudo, o mesmo estabeleceu-se como campo de observação e análise de movimentos e representações que se busca dar a si. Através (da aplicação) de 57 entrevistas realizadas no ambiente do próprio software Orkut, se busca entender os sentidos que usuários desse programa produzem ao administrar a seção de comentários disposta em cada endereço, tendo como condição de análise inicial, a manutenção ou não, das mensagens que recebem. Essa ação de exclusão ou de manutenção do comentário (recebido) é pensada como uma disposição que marca maneiras de operar na vida cotidiana, que se desdobram em pelo menos duas modalidades de experiências contemporâneas: uma que tem caráter individual, onde cada usuário busca formas de atender demandas que lhe são mais imediatas e requerem um sentido no presente, e uma outra marcada por um modo mais ampliado de entender como o Orkut se transforma, enquanto experiência coletiva, a partir do apagar ou manter as mensagens que recebe. Esses sentidos(,entretanto,) não definem campos opostos de significação. Ao contrário, marcam-se como fluxos articulados para a experiência cibernética, onde a diversidade no coletivo possibilita heterogeneidade na dimensão do singular, como apontam(estudos realizados por) Michel Foucault, Gilles Deleuze, Bruno Latour, Heliana Conde, Leila Machado e Virgínia Kastrup. Considerações iniciais dessa análise indicam uma modalidade de experiência no uso da plataforma Orkut, que empobrece semanticamente os modos de dizer de si para o mundo e perceber nesse mundo um dito distinto daquele que lhe parece próprio. A leitura dos discursos e a observação realizada nas páginas desses usuários apontam para uma ação que visa objetivar os sentidos, primando pela busca da identificação máxima com a informação mínima. Ação que reduz as possibilidades tecnológicas postas na plataforma Orkut, no que lhe confere importante fundamento social: encontrar, conhecer e fazer amigos. A ação de excluir os comentários deixados pelos amigos de Orkut, desdobra-se em movimentos de abreviação da experiência singular em sua dimensão semântica( e já se configura em comunidades do Orkut, voltadas para um procedimento de legitimar moralmente a ação de deletar as mensagens recebidas). Considerações preliminares permitem supor processos de afastamento gradual do uso da plataforma Orkut, como conseqüência do sentido particularizado que dela se faz ou se fez.
RESUMO ESQUELETO HELIANA CONDE
A partir do texto de Heliana Conde, Para Desencaminhar o Presente Psi: biografia, temporalidade e experiência, indica-se a problematização como uma experiência aliada da reflexão historiográfica e envolvida por uma inquietação sobre a construção da Psicologia, o que faz surgir uma produção teórico, prático e político. Este trabalho tem por objetivo, junto a discussão do texto de Conde, indagar para onde a Psicologia caminha, como se organiza e questionar a pretensão da Psicologia buscar sua condição de ciência formadora de saberes pretensamente nobres e verdadeiros. Ao mesmo tempo tornar público o conteúdo dessa discussão afim de incluir a sociedade acadêmica. Metodologicamente, o presente trabalho funcionou na exposição o texto em blog exclusivo do grupo de pesquisa chamado Entre Nós, que junto a debates sobre o texto nas reuniões, percebeu-se a importância da Psicologia ser problematizada, atentando à condução de sua história, procurando assim fazer uma eventualização, que significa fazer surgir a singularidade e romper com as evidências que apóiam o saber formal. Resultado dessa discussão está longe de terminar, porém consegue trazer questões sobre a Psicologia que são pertinentes não só para sua formação como ciência, como também para as atuações psicoterápicas e para a formação de profissionais da Psicologia. É possível constatar com esse trabalho discursivo e problematizador da conjuntura da Psicologia, que não basta conhecer a sua história, mas fazer surgir as mutações, que seriam para Conde, acontecimentos produzidos pela introdução de descontinuidades nos saberes, que demandariam correlações com outras séries de saberes para tornar possível um sentido novo, uma descoberta ou invenção. Com isso, conseguir nesse movimento a transformação da Psicologia, para que vá além das grandes narrativas e se tornem tal qual obras de arte, que se propõem fazer arqueologias, problematizações auto-reflexivas e interferências em jogos de verdade.
19 de set. de 2007
Resumo Inicial de Comunicação
ATA - Reunião 18.09.07
- Reorganização das pesquisas em subgrupos:
- Amizade: Andressa, Rafaela, Bruna
- Consumo: Herica, Laura, João
- Identidade: Marcus, Vanessa, Fernanda, Karine, Jade, Lázaro
Obs.: Ainda falta a escolha de Bruna dentre esses temas.
- XVII Encontro de Iniciação Científica da UFS - Painéis:
- Orkut: Marcus
- Sobre a TV e Comunicação e Controle Social: Herica, Vanessa, Marcus, Laura, Rafaela, Karine, Marcus
- Para Desencaminhar o presente psi: Andressa, Fernanda, Lázaro, Jade, Bruna , João.
- Os resumos devem conter: introdução; objetivo; metodologia; resultado(s); conclusão(s)
Inscrições até dia 28.09.07 --> www.posgrap.ufs.br/encontro
- Discussão das questões referentes à reunião passada
- Apresentação do fichamento "A Loucura e a Sociedade"
- Presença: Andressa, Fernanda, Herica, Jade, João, Karine, Laura, Lázaro, Marcus, Rafaela, Vanessa
TAREFAS:
- Herica e Andressa:
preparar um "esqueleto" do resumo dos painéis e postar aqui no Blog até sexta (21.09.07)
mandar resenha desses textos para o email do grupo
PRÓXIMA REUNIÃO:
- Continuar a aprosentação do fichamento "A Loucura e a Sociedade"
- Ver resumos do encontro
15 de set. de 2007
A volatilização do poder capitalístico-Respostas
Assim o controle exerce “formas cada vez mais sutis de assujeitamento, moldando nossos corpos não apenas do exterior, mas, sobretudo, do interior, através de uma homogeneização dos nossos modos de pensar, agir e sentir”. (SILVA, p.47). Entender que se homogeiniza é fácil, porem ela acontece concomitante com a suposta (ou não) individualização. Desde a sociedade disciplinar no século XVIII, com o proposto esquadrinhamento busca-se individualizar e com o incremento da sociedade de controle as pessoas são individualizadas de forma a manter o controle e a aumentar a competição inerente ao capitalismo. Daí surge a subjetivação capitalística em que se produz uma individualidade, com o objetivo de alcançar uma uniformidade. Os indivíduos são vistos como “conjuntos de indivíduos” o que representa a individualização concomitante com a homogeneização do pensamento.
É importante compreender eu essa homogeneização, como já foi citada, não se dá apenas com o fim da sociedade disciplinar até mesmo porque a sociedade disciplinar não acabou ela extrapolou os muros das instituições, se incrementou e se tornou a sociedade de controle.
Essa lógica disciplinar preservada tratará de encerrar desejos em ações estereotipadas e, assim desencadeia um processo de individualização da subjetividade, que forja a idéia de subjetividade privatizada posto que não haja singularidade real nessa subjetividade. Pois, produz uma “sociedade de normalização” (Foucault, 1999) que fabrica indivíduos “normais”, com padrões médios de comportamento exigidos pelo poder capitalista. Percebe-se assim, a verdadeira função da pretendida adaptação social, pregada pela psicologia científica do final do século XIX: normalização social.
11 de set. de 2007
Ata 11/09
*Apresentação de novas pessoas em situação de "estágio": Lázaro e Jade. Explicando o que o grupo já havia trabalhado e o que estava por trabalhar.
*Continuação da apresentação da Terceira parte de Vigiar e Punir por Marcus.
Pontos discutidos:
-corpo dócil- útil
-violência implícita
-vigilância hierárquica
-sanção normalizadora
-exame Pergunta: como o exame não atua diretamente sobre o indivíduo? O exame já não se utiliza da violência direta e sim da lógica da docilidade que passa a agenciar os corpos, se apropria deles sem que eles percebam.
-exame na escola - avaliação
no exercito- subir de patente
no hospital e no hospício- garantia ou não da alta
na prisão- aumento ou diminução da pena
-vigilânica - os corpos passam a vigiar a si mesmos e a se auto-controlar- o que é possível pela potencialidade de vigilância.
Falamos também de individualização ascendente e descendente que era inclusive uma das perguntas feitas pelas meninas. O trecho da página 160(no meu livro que a edição é mais nova) ajudou a esclarecer.
Tarefas:
Kleber add Jade e Lázaro no Blog e explicar a diferença entre sociedade disciplinar e controle.
Nós= responder as perguntas elaboradas pelas meninas.
Presença: Bruna, Fernanda, Vanessa, Marcus,Andressa, Laura, Jade, Lázaro, Rafaela,Karyne.
10 de set. de 2007
Fichamento - "A Loucura e a Sociedade" (Michel Foucault)
A título de metodologia, as problematizações concentram-se em “como as condições nas quais o louco se encontra mudaram da Idade Média aos nossos dias”. Para tanto, Foucault examina qual o status do louco nas sociedades primitivas e como isso se configura nas sociedades industriais, e pensa sobre a causa da mutação que se operou no século XIX.
Como configuração inicial da sua análise, Foucault avalia que os domínios da atividade humana estão divididos em quatro categorias: o trabalho, a sexualidade, a linguagem e as atividades lúdicas (jogos, festas), afirmando que as pessoas que escapam às regras definidas nesses domínios são chamadas de indivíduos marginais, comumente presentes em todas as sociedades. No caso da loucura, uma mesma pessoa passa a ser excluída e rejeitada em todos os domínios. Aqui, então, o autor analisa também o louco diante das quatro categorias, já que o mesmo difere em seu comportamento das outras pessoas no trabalho, na família, nos discursos, nos jogos, etc.
Com relação à sexualidade, somente a partir do século XIX, práticas sexuais como masturbação, homossexualidade, ninfomania foram consideradas anomalias identificadas à loucura por serem incapazes de adaptação à família burguesa européia. A idéia de que a principal causa da loucura residia na anomalia sexual consolidou ainda com Beyle, relacionando a paralisia progressiva com a sífilis, e com Freud, desenvolvendo teorias sobre o distúrbio da libido.
Na Idade Média, no que diz respeito à linguagem, a fala dos loucos ora era dada como sem valor, ora prestavam-lhe uma atenção particular. Para contextualizar tal afirmação, Foucault faz referência aos bufões europeus, os quais contavam a verdade sob forma simbólica que os homens comuns não fariam. Faz referência ainda a uma curiosa afinidade entre a literatura e a loucura, especialmente, porque a primeira não está obrigada às regras da linguagem formal e cotidiana, ocupando a literatura uma posição também marginal.
No teatro tradicional europeu, como exemplo de atividades lúdicas, o louco divertia os espectadores, era um personagem que exprimia a verdade de que os outros atores e espectadores não estariam conscientes. Outro exemplo está nas festas que na Idade Média, havia apenas uma delas que não era religiosa, a festa de Loucura, onde os papéis tradicionais eram invertidos e todas a instituições sociais, lingüísticas, familiares eram derrubadas e questionadas.
E, como última análise, a inaptidão ao trabalho foi considerada o primeiro critério da loucura. Historicamente, na Idade Média, os loucos eram admitidos e podiam vagar pela cidade; eles não se casavam, não participavam de jogos, eram alimentados e sustentados pelos outros (família), mas também, por vezes, tornavam-se excitados e perigosos, sendo afastados e “presos”. Entretanto, no século XVII, constituindo-se a sociedade industrial e a existência dessas pessoas não foi mais tolerada. Foram criados estabelecimentos para todos aqueles que se encontravam fora da ordem social, a saber, loucos, desempregados, doentes, velhos, prostitutas, considerados grupos de vagabundos para a nova sociedade. Uma grande ironia, colocada pelo autor, é o fato de que nos hospitais psiquiátricos modernos, pratica-se o tratamento pelo trabalho, sendo este o principal critério para a exclusão do louco. Ora, bastaria curar a loucura com trabalho.
No século XVIII, Pinel e Tuke, ao considerarem os loucos como doentes, “libertaram” destes estabelecimentos todos os vagabundos, já que, dentro da lógica industrial, eram aptos a trabalhar. Separadamente, os loucos não tendo a faculdade de trabalhar, tornaram-se pacientes cujos distúrbios tinham causas que se referiram ao caráter psicológico. Pinel e Tuke tornaram o estabelecimento de internação um hospital psiquiátrico, abrindo as portas para o nascimento da psiquiatria, cujo objeto de estudo configurava-se nos distúrbios mentais.
Em última e principal análise, Foucault revela que tal medicalização do louco produziu-se por razões econômicas e sociais, pois o status do louco não variou em nada entre as sociedades primitivas e avançadas. Em outras palavras, em nossa sociedade pouquíssimas coisas revalorizaram o status do louco, mas ela ainda continua o excluindo. Isso só demonstra, para Foucault, o primitivismo de nossas sociedades.
6 de set. de 2007
ATA -Reunião 04.09.07
nandaherminia@yahoo.com.br
nandaherminia@uol.com.br
lauryregina@yahoo.com.br
- Kleber irá se ausentar por um tempo nas reuniões e nas comunicações no blog e no email, por motivos particulares, provavelmente até dia 18.09.07
-Leitura e discussão do fichamento de Marcus sobre "A disciplina" (Foucault)
-Presença: Andressa, Bruna, Fernanda, Herica, João, Karine, Laura, Marcus, Vanessa.
TAREFAS:
- Kleber quando voltar do "recesso":
postar fichamento do capítulo 1 "A Volatização do poder capitalista" do livro "A invenção da Psicologia Social".
- Herica e Andressa:
postar fichamentos aqui no blog dos textos "A Loucura e a Sociedade" e "O Nascimento da Medicina Social"
-Fernanda e Laura:
Ler dois textos base
o primeiro capítulo de "A Invenção da Psicologia Social"
a introdução e o primeiro capítulo de "A corrida para o século XXI: o loop da montanha russa"
-Todos:
Tentar responder os questionamentos postado por Bruna e Rafaela. Deixar como postagem
PRÓXIMA REUNIÃO:
-Terça-feira às 9hs na sala próxima ao departamento de Psicologia
- Continuar leitura e discussão do fichamento "A disciplina"
30 de ago. de 2007
ATA - Reunião 28.08.07
28 de ago. de 2007
Fichamento (estudo dirigido) de "A Disciplina"
É dócil o corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado, aperfeiçoado em função do poder.
Os estudos de Michel Foucault mostram a origem destes mecanismos capilares de poder nos séculos XVII e XVIII, junto com a aparição da arte do corpo humano, do estudo da anatomia, houve a descoberta do corpo como objeto transformável em eficiência e alvo do controle. É o que ele chamou de momento das disciplinas. Desde então tem-se apenas variado as técnicas de submissão e controle. O que é descrito e detalhado nas prisões, hospícios, quartéis, escolas toma forma social mais ampla de uma sofisticada e sutil tecnologia de submissão (movimentos, gestos, rapidez...).
Este poder que se exerce sobre o corpo é ininterrupto (contínuo) chegando mesmo a instalar-se como coerção interna e suas tecnologias alcançam este feito através do que Foucault chamou DISCIPLINA, o que conduz os corpos a relação docilidade-utilidade. Foucault mostra como a idéia de obediência, evolui até as tecnologias imaginárias das sociedades modernas. Na domesticidade escrava a obediência se inscrevia (inscreve-se) no controle sobre a operação do corpo (suas ações em função dos resultados produtivos). Na vassalidade, a obtenção do controle se faz pela produção, é o resultado do trabalho dos corpos onde se instala o controle. A obediência monástica (religiosa) realiza-se através das renuncias. Mas é na modernidade que se constrói uma maquinaria de poder através do controle dos corpos (anatomia política), isto é, o corpo para fazer não o que se quer mas para operar como se quer. É a tecnologia da disciplina fabricando os corpos submissos.
Discuta como o corpo, durante a época clássica, foi descoberto como alvo e objeto de poder. Exemplifique.
O dispositivo disciplinar constitui o corpo como objeto e alvo de poder. O corpo como máquina, tanto no sentido anátomo-metafísico, desenvolvido por Descartes, quanto no sentido técnico-político, desenvolvido no exército, na escola, no hospital por regulamentos e práticas, está cruzado por dois registros distintos: submissão e utilização e, funcionamento e explicação. Todo um esquema de docilidade dos corpos já está posto no século XVIII. Embora toda a sociedade exerça limitações, proibições ou obrigações ao corpo, algo novo está ocorrendo.
A escala do poder que se aplica sobre o corpo atinge até o nível do movimento, do gesto, das atitudes do corpo, da rapidez de execução de suas tarefas. Este poder infinitesimal, capilar, se exerce sobre o corpo ativo, objeto de controle, cuja economia é almejada na eficácia dos seus movimentos. Toda uma cerimônia do exercício, do movimento, está se constituindo. Esta modalidade do poder atua constantemente, esquadrinhando o tempo, o espaço, os movimentos .
Comente o que permite à disciplina aumentar as forças do corpo em sua utilidade e ao mesmo tempo, diminuí-las no sentido político da sua ação.
A disciplina aumenta a força em termos econômicos e diminui a resistência que o corpo pode oferecer ao poder. Daí que o corpo tenha sido fonte de utilização econômica e só se torne força útil se, ao mesmo tempo, é produtivo e submisso. Essa sujeição não é obtida só pelos instrumentos da violência ou da ideologia, pode muito bem ser direta, física, usar a força contra a força sem, no entanto, ser violenta. Pode ser calculada, organizada de forma sutil, não fazer uso de armas nem do terror e, no entanto, continuar a ser disciplina física. Os métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante das suas forças e lhe impõem uma relação de docilidade - utilidade são aquilo a que podemos chamar as disciplinas.
Como o exame combina técnicas de ver e de sanção? Discuta sua função na constituição do indivíduo moderno.
O exame é o produto final de todas as técnicas disciplinares, reúne a vigilância, a sanção, o controle de tempo, de espaço, enfim, uma forma de classificar, punir e corrigir. Está presente em praticamente todos os regimes disciplinares. O poder disciplinar é exercido com subtileza mas encontra-se altamente presente nos corpos que disciplina. O exame corresponde a esta característica, é implícito, não atua diretamente no individuo, porém sanciona-o da mesma forma.
Sobre o princípio do panóptico, Foucault diz que os “detentos se encontram presos numa situação de poder de que eles mesmos são os portadores”. Como isso é possível?
27 de ago. de 2007
14 horas e outras coisas
Horário: tive quer marcar um compromisso regular às 17 horas das terças, que é o horário limite das nossas reuniões. Peço por isso, que tentemos chegar às 14 horas, pois quanto mais cedo começarmos, mais poderemos discutir e encaminhar.
Entre nós: quero deixar registrado aqui do nosso compromisso em pelo menos ler e dá um ok da leitura no que é postado em nosso blog. Isso não está acontecendo. O grupo precisa desse instrumento para acontecer naquilo que ele se propõe. Nas postagens dessa última semana, nesse momento os indicadores são: Perguntas da Rafinha: 3 comentários. Perguntas da Bruna: 3 comentários. Ata: 7 comentários.
24 de ago. de 2007
A volatilização do poder capitalístico
- O que, exatamente, a autora chama de individualização? Primeiro ela diz que as sociedades de soberania são compostas por "individualizações ascendentes". Depois diz que as de controle e disciplinares têm uma "individualização descendente". O que é essa individualização? Pois o tratamento dado às camadas populares é completamente diferente daquele que recebem os detentores do poder. Como se pode denominar um mesmo processo em situações opostas?
- Como funciona essa dinâmica, citada pela autora, de que as mediações entre o indivíduo e a sociedade afastam esses pólos cada vez mais?
-Como os três "modelos" de Sociedade podem ser distintos e separados? Será que é certo falar em "modelos" ou atribuir uma ordem "cronológica" para estas sociedades? Os modelos não coexistem em uma única sociedade e em todas elas?
-Por que os três modelos estão vinculados somente à sociedade? Não pode existrir a mesma lógica em outras relações além do social? Ou o social se resume à um conjunto de indivíduos que formam a sociedade?
-A emergência das ciências Humanas não teria sido 'necessária', ao invés de ser dita como 'possível'? De uma certa forma, elas não são tão paradoxais quanto o capitalismo? O novo campo de conhecimento que surgiu não terá sido, também, responsável por criar aquilo que ele próprio questiona (a problemática das questões sociais?)?
Aí tão as da Rafinha :]
Beijos
