15 de set. de 2007

A volatilização do poder capitalístico-Respostas

Retomando o capítulo “A disciplina” da Michel Foucault e o capítulo “A invenção da psicologia social” pode-se perceber que há sim uma homogeneização dos pensamentos e sentimentos apesar da concomitante individualização sofrida pelos indivíduos. Observando bem todo pensam da mesma forma por alguns fatores: conteúdos veiculados nos meios de comunicação de massa, globalização, imposição da falta de respeito à alteridade e até mesmo ao biopoder. Entretanto, essa homogeneização não se estabelece apenas na sociedade de controle, mas também na disciplinar. Na segunda, através da docilização dos corpos e na primeira, através da disciplina investida para os sentimentos, pensamentos, desejos e etc.

Assim o controle exerce “formas cada vez mais sutis de assujeitamento, moldando nossos corpos não apenas do exterior, mas, sobretudo, do interior, através de uma homogeneização dos nossos modos de pensar, agir e sentir”. (SILVA, p.47). Entender que se homogeiniza é fácil, porem ela acontece concomitante com a suposta (ou não) individualização. Desde a sociedade disciplinar no século XVIII, com o proposto esquadrinhamento busca-se individualizar e com o incremento da sociedade de controle as pessoas são individualizadas de forma a manter o controle e a aumentar a competição inerente ao capitalismo. Daí surge a subjetivação capitalística em que se produz uma individualidade, com o objetivo de alcançar uma uniformidade. Os indivíduos são vistos como “conjuntos de indivíduos” o que representa a individualização concomitante com a homogeneização do pensamento.

É importante compreender eu essa homogeneização, como já foi citada, não se dá apenas com o fim da sociedade disciplinar até mesmo porque a sociedade disciplinar não acabou ela extrapolou os muros das instituições, se incrementou e se tornou a sociedade de controle.

Essa lógica disciplinar preservada tratará de encerrar desejos em ações estereotipadas e, assim desencadeia um processo de individualização da subjetividade, que forja a idéia de subjetividade privatizada posto que não haja singularidade real nessa subjetividade. Pois, produz uma “sociedade de normalização” (Foucault, 1999) que fabrica indivíduos “normais”, com padrões médios de comportamento exigidos pelo poder capitalista. Percebe-se assim, a verdadeira função da pretendida adaptação social, pregada pela psicologia científica do final do século XIX: normalização social.
Aqui vai gente minha tentativa de responder as questoões das meninas...não sei se tá muito confuso ou se tá certo...hihihi.mas..
=)

11 de set. de 2007

Ata 11/09

Pessoas, me ajudem se estiver faltando algo sobre a reunião de hoje!Eu nunca fiz atas :P

*Apresentação de novas pessoas em situação de "estágio": Lázaro e Jade. Explicando o que o grupo já havia trabalhado e o que estava por trabalhar.

*Continuação da apresentação da Terceira parte de Vigiar e Punir por Marcus.
Pontos discutidos:
-corpo dócil- útil
-violência implícita
-vigilância hierárquica
-sanção normalizadora
-exame Pergunta: como o exame não atua diretamente sobre o indivíduo? O exame já não se utiliza da violência direta e sim da lógica da docilidade que passa a agenciar os corpos, se apropria deles sem que eles percebam.
-exame na escola - avaliação
no exercito- subir de patente
no hospital e no hospício- garantia ou não da alta
na prisão- aumento ou diminução da pena
-vigilânica - os corpos passam a vigiar a si mesmos e a se auto-controlar- o que é possível pela potencialidade de vigilância.
Falamos também de individualização ascendente e descendente que era inclusive uma das perguntas feitas pelas meninas. O trecho da página 160(no meu livro que a edição é mais nova) ajudou a esclarecer.

Tarefas:
Kleber add Jade e Lázaro no Blog e explicar a diferença entre sociedade disciplinar e controle.

Nós= responder as perguntas elaboradas pelas meninas.

Presença: Bruna, Fernanda, Vanessa, Marcus,Andressa, Laura, Jade, Lázaro, Rafaela,Karyne.

10 de set. de 2007

Fichamento - "A Loucura e a Sociedade" (Michel Foucault)

Ao acusar os sistemas de pensamento no Ocidente de abarcar somente os fenômenos positivos de uma sociedade, Foucault avalia, que não se trata mais de saber apenas o que é afirmado e valorizado em uma sociedade ou em um sistema de pensamento. Para ele, a atenção destes sistemas deve-se voltar também para o que rejeitado e excluído. Nesse sentido, conta que a loucura foi excluída em todos os tempos. E é sobre essa questão que o autor revela seus interesses e inquietações para produzir uma análise histórica da loucura.
A título de metodologia, as problematizações concentram-se em “como as condições nas quais o louco se encontra mudaram da Idade Média aos nossos dias”. Para tanto, Foucault examina qual o status do louco nas sociedades primitivas e como isso se configura nas sociedades industriais, e pensa sobre a causa da mutação que se operou no século XIX.
Como configuração inicial da sua análise, Foucault avalia que os domínios da atividade humana estão divididos em quatro categorias: o trabalho, a sexualidade, a linguagem e as atividades lúdicas (jogos, festas), afirmando que as pessoas que escapam às regras definidas nesses domínios são chamadas de indivíduos marginais, comumente presentes em todas as sociedades. No caso da loucura, uma mesma pessoa passa a ser excluída e rejeitada em todos os domínios. Aqui, então, o autor analisa também o louco diante das quatro categorias, já que o mesmo difere em seu comportamento das outras pessoas no trabalho, na família, nos discursos, nos jogos, etc.
Com relação à sexualidade, somente a partir do século XIX, práticas sexuais como masturbação, homossexualidade, ninfomania foram consideradas anomalias identificadas à loucura por serem incapazes de adaptação à família burguesa européia. A idéia de que a principal causa da loucura residia na anomalia sexual consolidou ainda com Beyle, relacionando a paralisia progressiva com a sífilis, e com Freud, desenvolvendo teorias sobre o distúrbio da libido.
Na Idade Média, no que diz respeito à linguagem, a fala dos loucos ora era dada como sem valor, ora prestavam-lhe uma atenção particular. Para contextualizar tal afirmação, Foucault faz referência aos bufões europeus, os quais contavam a verdade sob forma simbólica que os homens comuns não fariam. Faz referência ainda a uma curiosa afinidade entre a literatura e a loucura, especialmente, porque a primeira não está obrigada às regras da linguagem formal e cotidiana, ocupando a literatura uma posição também marginal.
No teatro tradicional europeu, como exemplo de atividades lúdicas, o louco divertia os espectadores, era um personagem que exprimia a verdade de que os outros atores e espectadores não estariam conscientes. Outro exemplo está nas festas que na Idade Média, havia apenas uma delas que não era religiosa, a festa de Loucura, onde os papéis tradicionais eram invertidos e todas a instituições sociais, lingüísticas, familiares eram derrubadas e questionadas.
E, como última análise, a inaptidão ao trabalho foi considerada o primeiro critério da loucura. Historicamente, na Idade Média, os loucos eram admitidos e podiam vagar pela cidade; eles não se casavam, não participavam de jogos, eram alimentados e sustentados pelos outros (família), mas também, por vezes, tornavam-se excitados e perigosos, sendo afastados e “presos”. Entretanto, no século XVII, constituindo-se a sociedade industrial e a existência dessas pessoas não foi mais tolerada. Foram criados estabelecimentos para todos aqueles que se encontravam fora da ordem social, a saber, loucos, desempregados, doentes, velhos, prostitutas, considerados grupos de vagabundos para a nova sociedade. Uma grande ironia, colocada pelo autor, é o fato de que nos hospitais psiquiátricos modernos, pratica-se o tratamento pelo trabalho, sendo este o principal critério para a exclusão do louco. Ora, bastaria curar a loucura com trabalho.
No século XVIII, Pinel e Tuke, ao considerarem os loucos como doentes, “libertaram” destes estabelecimentos todos os vagabundos, já que, dentro da lógica industrial, eram aptos a trabalhar. Separadamente, os loucos não tendo a faculdade de trabalhar, tornaram-se pacientes cujos distúrbios tinham causas que se referiram ao caráter psicológico. Pinel e Tuke tornaram o estabelecimento de internação um hospital psiquiátrico, abrindo as portas para o nascimento da psiquiatria, cujo objeto de estudo configurava-se nos distúrbios mentais.
Em última e principal análise, Foucault revela que tal medicalização do louco produziu-se por razões econômicas e sociais, pois o status do louco não variou em nada entre as sociedades primitivas e avançadas. Em outras palavras, em nossa sociedade pouquíssimas coisas revalorizaram o status do louco, mas ela ainda continua o excluindo. Isso só demonstra, para Foucault, o primitivismo de nossas sociedades.

6 de set. de 2007

ATA -Reunião 04.09.07

- Apresentação dos novos membros do grupo, em "estágio": Laura Regina e Fernanda Hermínia

nandaherminia@yahoo.com.br
nandaherminia@uol.com.br
lauryregina@yahoo.com.br

- Kleber irá se ausentar por um tempo nas reuniões e nas comunicações no blog e no email, por motivos particulares, provavelmente até dia 18.09.07

-Leitura e discussão do fichamento de Marcus sobre "A disciplina" (Foucault)

-Presença: Andressa, Bruna, Fernanda, Herica, João, Karine, Laura, Marcus, Vanessa.

TAREFAS:

- Kleber quando voltar do "recesso":
postar fichamento do capítulo 1 "A Volatização do poder capitalista" do livro "A invenção da Psicologia Social".

- Herica e Andressa:
postar fichamentos aqui no blog dos textos "A Loucura e a Sociedade" e "O Nascimento da Medicina Social"

-Fernanda e Laura:
Ler dois textos base
o primeiro capítulo de "A Invenção da Psicologia Social"
a introdução e o primeiro capítulo de "A corrida para o século XXI: o loop da montanha russa"

-Todos:
Tentar responder os questionamentos postado por Bruna e Rafaela. Deixar como postagem

PRÓXIMA REUNIÃO:

-Terça-feira às 9hs na sala próxima ao departamento de Psicologia

- Continuar leitura e discussão do fichamento "A disciplina"

30 de ago. de 2007

ATA - Reunião 28.08.07

- Anúncio das saídas de Nelma, Lorena, Lígia e Danilo
- Discussão sobre possíveis entradas de novos membros: como será feito o encaminhamento deles
- Pauta sobre a metodologia da pesquisa: Genealogia da cibercultura e da psicologia.
Sobre este tema, há 3 textos disponíveis falando sobre o método genealógico (com João)
- Leitura Indicativa: "Post-scriptum sobre as sociedades de controle" do livro "Conversações" (Gilles Deleuze)
- Livro: "Videologias" (Eugênia Bucci e Maria Rita Kehl) - com Herica
- Apresentação do fichamento de Marcus postado no Blog - "A disciplina"
- Presença: Andressa, Bruna, Danilo, Herica, João, Lígia, Lorena, Marcus, Nelma, Rafaela, Vanessa
TAREFA:
- Todos
Com base no texto de Marcus, tentar responder perguntas feitas por Bruna e Rafaela e colocar como postagem no Blog (por exemplo, pode ser feito um texto, etc)
PRÓXIMA REUNIÃO:
- 04.09.07 ás 9 hs, excepcionalmente, na sala próxima ao departamento.

28 de ago. de 2007

Fichamento (estudo dirigido) de "A Disciplina"

Conceitue e discuta a noção de docilidade para Michel Foucault.

É dócil o corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado, aperfeiçoado em função do poder.
Os estudos de Michel Foucault mostram a origem destes mecanismos capilares de poder nos séculos XVII e XVIII, junto com a aparição da arte do corpo humano, do estudo da anatomia, houve a descoberta do corpo como objeto transformável em eficiência e alvo do controle. É o que ele chamou de momento das disciplinas. Desde então tem-se apenas variado as técnicas de submissão e controle. O que é descrito e detalhado nas prisões, hospícios, quartéis, escolas toma forma social mais ampla de uma sofisticada e sutil tecnologia de submissão (movimentos, gestos, rapidez...).
Este poder que se exerce sobre o corpo é ininterrupto (contínuo) chegando mesmo a instalar-se como coerção interna e suas tecnologias alcançam este feito através do que Foucault chamou DISCIPLINA, o que conduz os corpos a relação docilidade-utilidade. Foucault mostra como a idéia de obediência, evolui até as tecnologias imaginárias das sociedades modernas. Na domesticidade escrava a obediência se inscrevia (inscreve-se) no controle sobre a operação do corpo (suas ações em função dos resultados produtivos). Na vassalidade, a obtenção do controle se faz pela produção, é o resultado do trabalho dos corpos onde se instala o controle. A obediência monástica (religiosa) realiza-se através das renuncias. Mas é na modernidade que se constrói uma maquinaria de poder através do controle dos corpos (anatomia política), isto é, o corpo para fazer não o que se quer mas para operar como se quer. É a tecnologia da disciplina fabricando os corpos submissos.


Discuta como o corpo, durante a época clássica, foi descoberto como alvo e objeto de poder. Exemplifique.

O dispositivo disciplinar constitui o corpo como objeto e alvo de poder. O corpo como máquina, tanto no sentido anátomo-metafísico, desenvolvido por Descartes, quanto no sentido técnico-político, desenvolvido no exército, na escola, no hospital por regulamentos e práticas, está cruzado por dois registros distintos: submissão e utilização e, funcionamento e explicação. Todo um esquema de docilidade dos corpos já está posto no século XVIII. Embora toda a sociedade exerça limitações, proibições ou obrigações ao corpo, algo novo está ocorrendo.
A escala do poder que se aplica sobre o corpo atinge até o nível do movimento, do gesto, das atitudes do corpo, da rapidez de execução de suas tarefas. Este poder infinitesimal, capilar, se exerce sobre o corpo ativo, objeto de controle, cuja economia é almejada na eficácia dos seus movimentos. Toda uma cerimônia do exercício, do movimento, está se constituindo. Esta modalidade do poder atua constantemente, esquadrinhando o tempo, o espaço, os movimentos .

Comente o que permite à disciplina aumentar as forças do corpo em sua utilidade e ao mesmo tempo, diminuí-las no sentido político da sua ação.

A disciplina aumenta a força em termos econômicos e diminui a resistência que o corpo pode oferecer ao poder. Daí que o corpo tenha sido fonte de utilização econômica e só se torne força útil se, ao mesmo tempo, é produtivo e submisso. Essa sujeição não é obtida só pelos instrumentos da violência ou da ideologia, pode muito bem ser direta, física, usar a força contra a força sem, no entanto, ser violenta. Pode ser calculada, organizada de forma sutil, não fazer uso de armas nem do terror e, no entanto, continuar a ser disciplina física. Os métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante das suas forças e lhe impõem uma relação de docilidade - utilidade são aquilo a que podemos chamar as disciplinas.

Como o exame combina técnicas de ver e de sanção? Discuta sua função na constituição do indivíduo moderno.

O exame é o produto final de todas as técnicas disciplinares, reúne a vigilância, a sanção, o controle de tempo, de espaço, enfim, uma forma de classificar, punir e corrigir. Está presente em praticamente todos os regimes disciplinares. O poder disciplinar é exercido com subtileza mas encontra-se altamente presente nos corpos que disciplina. O exame corresponde a esta característica, é implícito, não atua diretamente no individuo, porém sanciona-o da mesma forma.

Sobre o princípio do panóptico, Foucault diz que os “detentos se encontram presos numa situação de poder de que eles mesmos são os portadores”. Como isso é possível?
Ao ser adotada a arquitetura circular nas prisões e escolas, nos hospitais e fábricas, enfim, em toda sorte de instituições que tenham a marca da disciplina, o poder converteu-se em algo invisível e inverificável. Para que o dispositivo disciplinar exerça-se plenamente em todos os seus efeitos basta que aqueles que estão a ele submetidos saibam que são vigiados ou, mais (ou menos) do que isso, que são potencialmente vigiados. A potencialidade da vigilância, sua possibilidade apenas, é por si suficiente para que o poder disciplinar se exerça justamente porque com ela uma sujeição real nasce de uma relação fictícia. Esse caráter ficcional, por assim dizer, decorre do fato de que, ao saberem-se sujeitos a um único olhar a tudo pode ver permanentemente, os indivíduos disciplinam-se a si mesmos, e o fazem constantemente em simetria à permanência desse olhar onipresente. Na medida em que a visibilidade constante dos indivíduos e a invisibilidade permanente do poder disciplinar fazem com que os indivíduos se adestrem, se ajustem e se corrijam inicialmente por conta própria, pode-se afirmar que a vigilância substitui a violência e a força. Sem essas, passa a ser ainda possível se falar em um adestramento ou readestramento espiritual, das almas, e não dos corpos.

27 de ago. de 2007

14 horas e outras coisas

Oi gente, semana passada foi apertada pra mim e apenas agora vou começar a responder as minhas demandas em relação ao nosso grupo. Recebi o resumo/resenha da Karyne, o resumo da Herica e hoje a resenha da Andressa. Há também as questões da Rafinha e da Bruna para comentar e a postagem do texto A volatização do poder capitalístico. Espero que esse fique pronto amanhã. Vou trabalhar nisso que relatei acima hoje, mas há outras informações importantes a serem passadas antes da reunião: Na pasta/xerox: coloquei hoje três textos de minha autoria. São textos breves e têm em comum uma preocupação com a genealogia como um encaminhamento metodológico. Esses textos foram colocados na pasta em função de questões que apareceram numa breve reunião com os pibikeiros, depois da assinatura do terno de compromisso deles na quarta-feira passada. Outras informações desse encontro na nossa reunião amanhã. Na pasta também há duas cartilhas sobre a normatização de trabalhos e referências da ABNT.
Horário: tive quer marcar um compromisso regular às 17 horas das terças, que é o horário limite das nossas reuniões. Peço por isso, que tentemos chegar às 14 horas, pois quanto mais cedo começarmos, mais poderemos discutir e encaminhar.
Entre nós: quero deixar registrado aqui do nosso compromisso em pelo menos ler e dá um ok da leitura no que é postado em nosso blog. Isso não está acontecendo. O grupo precisa desse instrumento para acontecer naquilo que ele se propõe. Nas postagens dessa última semana, nesse momento os indicadores são: Perguntas da Rafinha: 3 comentários. Perguntas da Bruna: 3 comentários. Ata: 7 comentários.

24 de ago. de 2007

A volatilização do poder capitalístico

Perguntas:

- O que, exatamente, a autora chama de individualização? Primeiro ela diz que as sociedades de soberania são compostas por "individualizações ascendentes". Depois diz que as de controle e disciplinares têm uma "individualização descendente". O que é essa individualização? Pois o tratamento dado às camadas populares é completamente diferente daquele que recebem os detentores do poder. Como se pode denominar um mesmo processo em situações opostas?

- Como funciona essa dinâmica, citada pela autora, de que as mediações entre o indivíduo e a sociedade afastam esses pólos cada vez mais?

-Como os três "modelos" de Sociedade podem ser distintos e separados? Será que é certo falar em "modelos" ou atribuir uma ordem "cronológica" para estas sociedades? Os modelos não coexistem em uma única sociedade e em todas elas?

-Por que os três modelos estão vinculados somente à sociedade? Não pode existrir a mesma lógica em outras relações além do social? Ou o social se resume à um conjunto de indivíduos que formam a sociedade?

-A emergência das ciências Humanas não teria sido 'necessária', ao invés de ser dita como 'possível'? De uma certa forma, elas não são tão paradoxais quanto o capitalismo? O novo campo de conhecimento que surgiu não terá sido, também, responsável por criar aquilo que ele próprio questiona (a problemática das questões sociais?)?



Aí tão as da Rafinha :]

Beijos

A volatilização do poder capitalístico

Perguntas:

-A psicologia científica do final do século XIX tinha como função a adaptação do social.Porém, analisando-se as entrelinhas não seria correto falar em "conformação social"?


- Pode-se falar em "construção de desejos" quando nos referimos à sociedade de controle?


- Seria a subjetivação capitalística o meio de se ter uma individualidade, no entanto, com o objetivo de se alcançar uma uniformidade, uma massificação?


- Ter um comportamento "normal" resume-se a atender ou não as exigências do poder?


-A homogeneização dos pensamentos, sentimentos acarretam na "invisibilidade" do confinamento? No desmoronamento do ambiente constituinte da sociedade de disciplina?


- A " subjetivação privatizada" condiz com a ausência de singularidade?


Beijos

22 de ago. de 2007

ATA - Reunião 21.08.07

- Discussão sobre o retorno das resenhas

- Proposta de trabalho sobre a greve cancelado, inicialmente: interesses particulares pode procurar Kleber

- Novos moderadores do email do grupo yahoo: João, Rafaela, além de Andressa

- Material sobre as regras da ABNT está na Casa da Cópia: R$ 3,90

- Quarta-feira 22.08 (hoje) às 9 hs reunião para a assinatura das Bolsas (Kleber, Herica, Marcus, Andressa)

- Presença: Andressa, Bruna, Danilo, Herica, Karine, João, Lorena, Marcus, Nelma, Rafaela, Vanessa.


TAREFAS:

- Para todos como leitura obrigatória o capítulo 1 do livro "A Invenção da Psicologia Social"

- Bruna, Rafaela e Lorena:
Ler a parte 3 (A Volatização do Poder Capitalista) do capítulo 1 do livro "A Invenção da Psicologia Social"; postar aqui no Blog perguntas (o máximo que acharem interessante) sobre o texto. Data para publicarem o post: sexta 24.08

- Marcus:
Preparar para a próxima reunião (28.08) os dois primeiros capítulos do texto "A Disciplina"

-Andressa:
Arquivar a tese de Kleber no grupo yahoo

-Kleber:
Mandar a tese para os emails pessoais dos novos membros: Nelma, João, Karine, Lorena, Bruna, Rafaela.
Enviar novamente o projeto do pibic para o email do grupo

-Todos:
Andiantar com Kleber suas resenhas.

- Pibiqueiros:
Já podem ir postando aqui no blog os fichamentos.


PRÓXIMA REUNIÃO 28.08.07:

- Às 14 hs no departamento de Psicologia

- Apresentação dos dois primeiros capítulos do texto "A Disciplina" relacionando com a perguntas postadas referentes a "A volatização do poder capitalista"

- Prazo final para envair para o fichamento e as resenhas para o email de Kleber

17 de ago. de 2007

A greve entre retas e dobras

O que você perguntaria à greve de estudantes da UFS?

15 de ago. de 2007

ATA - Reunião 14.08.07

- Leitura e discussão dos textos postados no Blog do capítulo 1 (A Inclusão da Psicologia Social)
- Entrevista com Marcus, Andressa e Lígia (UFS Ciência)
- Greve: nova proposta de trabalho feita por Kleber

TAREFAS

- Colocar o email do grupo para receber as informações do Blog
- Kleber: postar mais detalhadamente sobre a nova proposta de trabalho (interesses, tarefas, metodologia, propostas).
-Todos: colocar aqui o MSN para uma possível reunião com interessados em tal trabalho.

PRÓXIMA REUNIÃO

- Continuar a leitura e a discussão do texto “As dobras da subjetivação capitalística”

13 de ago. de 2007

Estamos dobrando?

Oi gente, amanhã reunião às 14 horas. Mas desde agora, quero também refletir sobre nós no Entre nós. Deliberamos que todos leríamos todas postagens e pelo menos daríamos um indicativo dessa leitura no blog. Isso não está acontecendo.
Assim, solicito de todos a leitura do capítulo A invenção do social, principalmente dos dois primeiros tópicos que eu trabalhei aqui, pois amanhã a discussão passa por isso.
Como estamos todos crescidinhos, o mínimo precisa ser cobrado. Sei das dificuldades de trabalhar em grupo, mas esse grupo já tem uma bagagem para não se permitir algumas coisas e eu estou contando com isso.
Não podemos permitir uma divisão flagrante entre pessoas que estão e pessoas que estão mais ou menos no grupo. Acho que a pesquisa do Pibic reforça essa idéia, mas ela não é verdadeira por si. O Pibic é uma responsabilidade extra num grupo que precisa ter seu interesse pautado noutra modalidade de compromisso: vontade.
Nossas leituras estão avançando bem, mas todos nós estamos avançando de algum modo com elas? Isso precisa ser dito. O blog é o espaço preferencial para isso, já que ele é o nosso AO VIVO, 24 horas. Está sendo? Estamos dobrando enquanto um grupo?

10 de ago. de 2007

“As dobras da subjetivação capitalística”

Não deveríamos ter dificuldade em perceber diferenças entre aquilo que está em linha reta e aquilo que curva. Não sei por que cargas d’água, temos. Digo isso tanto no que se refere à experiência sensório-perceptiva (lembrar da Gestalt), como também de outras instâncias psicológicas que ativam sentidos em nós, como a memória, a cognição e o pensamento.
Desse modo, refletir sobre a diferença do pensamento que faz curva e do pensamento em linha reta ajuda a compreender o que Rosane Silva quer com esse texto que apresento. Sei que é estranho divagar sobre a flexibilidade de um pensamento, mas para discutir a dobra de alguma coisa, temos que nos relacionar antes com uma ferramenta de acesso a essa coisa que também faça dobra, do contrário, perde-se contato com aquilo que está em análise e faz dobra.
Em outras palavras, é necessário um pensamento que faça curva para perceber e analisar aquilo que em movimento, não se mantém em linha reta. Aponto assim para a questão que inicia esse comentário: no que se refere à análise de algo, muitas vezes se perde a dobra, por não utilizar uma ferramenta que torne essa dobra perceptível. Ressalto que isso não é uma questão técnica. É antes uma questão política e tem a ver com aquilo que Andressa falava do texto de Heliana Conde sobre experiência e temporalidade e os três modos de análise dos sentidos: positivista; indiciário e genealógico.
Dito isso, passo ao texto que tematiza as dobras da subjetivação capitalísticas e o que isso tem a ver com as condições para a invenção de uma psicologia social. Lembro que estou a falar da 2ª configuração do social e como essa institucionalização demandou um conhecimento sobre o indivíduo e sobre o mundo.
Essa 2ª configuração do social implicava numa complexificação imensa daquilo que requeria uma administração formal da vida. Na 1ª configuração se tratava apenas de uma assistência aos desvalidos (século XIII), agora (século XIX) essa política era insuficiente. A vida estava enriquecida de sentidos, tornara-se mais plural e para administrar esse pluralismo ou essas novas práticas sociais, foram requeridos novos saberes, novos entendimentos para compreensão e administração dessa experiência. Essa requisição apontava para o caráter científico para lidar com a dimensão do humano da vida.
Rosane usa Foucault para mergulhar nessa questão. Lembra que a “emergência histórica de cada uma das ciências humanas se deu por ocasião de um problema, de uma exigência, de um obstáculo de ordem teórica é prática” (SILVA apud FOUCAULT, 2005, p. 27). Ora, o que eles estão a dizer é que a política com mais força naquele momento buscava estabelecer uma ORDEM para encaminhar o PROGRESSO. Isso já se fazia a passos largos nos domínios das ciências naturais e exatas. Entretanto, no que diz respeito às relações humanas, havia uma grande carência de saber normativo. Requeria-se a objetivação urgente do social e daquilo que era individual. Esses dois processos eram complementares, mas havia interesse em administrá-los de maneira distinta. Olhando uma representação contemporânea do saber normativo, podemos pensar um pouco sobre isso: SOCIOLOGIA, PSICOLOGIA, PSICOLOGIA SOCIAL. Estranha separação, entretanto real.
Voltando ao texto, acho que a lógica das dobras ajuda a analisar essa questão. Silva (2005) nos encaminha para esse modo de análise, que seria perceber a curvatura das coisas, ou seja, seu processo de subjetivação. Ressalta que “um processo de subjetivação traduz, o modo singular pelo qual se produz a flexão ou a curvatura de um certo tipo de relação de forças” (2005, p. 28). Essa curvatura se caracteriza como um movimento onde a linha (o dentro) verga diante das forças (fora) com as quais se relaciona. Ou como prefere Silva, “a dobra, nesse caso, pode ser caracterizada como o ponto de inflexão através do qual se constitui um determinado tipo de relação consigo; o modo pelo qual se produz um Dentro do Fora” (apud Deleuze, 2005 p.28).
As dobras no que se refere as seus modos de inflexão, podem ser alocadas em quatro formatações, para o filósofo que trouxe ao mundo esse modo de caracterizar transformações no fazer humano, no caso Gilles Deleuze. Diz ele no texto de Silva:
“A primeira concerne à ‘parte material de nós mesmos que vai ser cercada, apanhada na dobra’ (o corpo, entre os gregos; a carne, entre os cristãos, e assim por diante). A segunda é a ‘regra singular’ pela qual ‘a relação de forças é vergada para tornar-se relação consigo” (pode ser tanto uma regra ‘divina’, ‘racional’, estética, ou outra, conforme o caso). A terceira é a maneira pela qual se constitui uma relação entre saber e verdade. A quarta se refere àquilo que, de diferentes maneiras, o sujeito espera (a eternidade, a saúde, a liberdade ou a morte). Esta última dobra pressupõe uma divisão entre o dentro e o fora” (2005, p. 29).
Rosane busca no seu trabalho compreender a 2ª configuração do social e a objetivação do social e do indivíduo a partir dessas dobras. Aponta então que:
Ø Primeira dobra: disciplinar o corpo, vinculando-o a um lugar preciso de produção. Vigilância espaço/temporal.
Ø Segunda dobra: modelo racional de equivalência, segmentação e homogênese dos universos de valor.
Ø Terceira dobra: indivíduo que se reconhece como sujeito e como objeto de conhecimento.
Ø Quarta dobra: movimento de dupla captura: individual e social. Individualização do social e “achatamento e sistemática homogeneização da experiência subjetiva”.

Dobra por dobra, vamos então desdobrar um pouco o sentido de cada uma. A primeira dobra, Rosana entende que se refere ao processo de individualização dos corpos. Isso está detalhado no capítulo A disciplina, do livro Vigiar e Punir (M. Foucault). Essa primeira dobra buscar fundar um sujeito disposto a manipulação da vida e dele mesmo. É a primeira flexibilização que a humanidade experimenta de modo coletivo e amplo. Para tanto, a possibilidade de controle desse ser, disposto à disciplina, implica em irrestrito controle das condições espaciais e da relação dele com o tempo.
Inicia-se aí uma política de localização espaço-temporal dos seres humanos, pois essa é a única maneira que existe para fazer com que ele se reconheça enquanto um ser diferenciado dentro de um contingente de outros seres humanos. É como se o GPS psicológico tivesse sido inventado lá, ao longo do século XIX. O controle do espaço se dá pela inscrição nos espaços, ou seja, pela especificidade funcional de um espaço onde se está localizado. O quartel, o hospital e a escola são os primeiros lugares a implementar essa política. O tempo é agregado a esse dispositivo disciplinar. Ele é que faz a inscrição do corpo dócil, quando está nesses lugares, ou seja, o tempo dos gestos e o tempo de permanência produzem saberes sobre os gestos e as permanências.
Exemplo: haveria diferenças entre pessoas que ficam dias num espaço, que ficam muitas horas todos dias, que ficam poucas horas alguns dias, que ficam alguns minutos ocasionalmente num espaço? Vamos pensar pelas dobras e ver o sentido que a administração do tempo de permanência permite saber sobre o espaço que se analisa.
É analisando esse tipo de acontecimento que essa primeira dobra vai fundar o corpo individual, quando se fala da 2ª configuração do social. Diz Rosane Silvas: “A noção de indivíduo é então forjada através da lógica disciplinar instaurada no interior de um ambiente fechado, a partir de sujeição dos corpos a uma regra de visibilidade no espaço e uma regra de segmentaridade no tempo; com isso, seria possível exercer uma vigilância generalizada” (2005, p. 31).
Não se pode esquecer que o capitalismo estava em processo de grande ascensão no século XIX e suas digitais estavam também na implementação dessa sociedade disciplinar, que constrói indivíduos em corpo humanos e lhe confere um estatuto, no caso uma identidade, que é efeito de uma produção de subjetividade privatizada, ou seja, formalizada para um viver delimitado (se isso ficou confuso, explico em reunião).
Chegamos então a 2ª dobra, que Rosane define como a reificação imaterial. Expressão estranha essa; reificação imaterial. Digamos assim, ele está querendo nos dizer que paira no ar um processo de refundação de uma idealidade. A realização de uma abstração.
Lembro que até a Revolução Francesa e o movimento do Romantismo, a subjetividade estava ligada aos modos de produção territorializados, ou seja, se vivia o que se vivia em nome de alguma coisa a qual era possível apontar, alguma coisa que tinha uma materialidade formulada, como a família, por exemplo. O pai que fazia a filha se casar por um interesse da família, a tia que queria que a sobrinha fosse freira por um interesse da família, a mãe que queria um filho doutor na família.
A 2ª configuração do social vai iniciar um processo que rompe com essas territorialidades que estavam estabilizadas. A partir do momento em que o indivíduo emerge nesses territórios, nos mesmo se deflagra um processo de fragmentação, um desmanchamento ou o que Deleuze e Guattari chamam de desterritorialização. Ainda referente aquele exemplo da família, é como se o filho chegasse para a mãe e dissesse: “Hey mãe !! Não sou mais menino. Não é justo que também queira parir meu destino. Você já fez a sua parte. Me pondo no mundo, que agora é meu dono , mãe. E nos seus planos não estão você” (música de Erasmo Carlos. Já ouviram falar?).Essa frase do poema de Erasmo foi experimentada inúmeras vezes nesse dito mundo, antes dele experimentar essa condição de vida, pelo anos de 1960. Mas ele pode experimentá-la porque ela se fez força ou dobra, nessa desterritorialização de valores fundados um século antes de seu nascimento.
Mas aquilo que se desterritorializa tende a uma nova composição. Daí aquela energia/valor/sentido desgarrada se conectar a uma outra (nova dobra) buscando a experiência de estalização. Sem os valores fundados e fundantes, a dimensão do indivíduo vai ter um peso significativo nesse desDOBRAmento. Essa maneira de transformar a si e o mundo é que traz sentido para essa história reificação imaterial, pois há um contínuo e disperso modo de se apropriar da vida de modo EGOísta, que vai produzir o que Félix Guattari chama um modo de subjetivação capitalístico.
Pra fixar: essa dimensão imaterial pode ser tomada como a “constituição de um novo tipo de relação consigo. Duplo movimento: desterritorialização, marcado pela destruição dos sistemas de valor tradicionais, e outro de reterritorialização, marcado pela recomposição dos valores que foram destruídos em cima de modelos funcionalmente similares a estes” (SILVA, 2005, p. 33).
Nessa dobra é importante marcar que essa apropriação do sentido a uma identidade, potencializa uma homogeneização da vida. Mais produção de identidade pelo que se é possível representar, dentre elas as possibilidades de consumo, por exemplo.
A 3ª dobra tida como a objetivação de si e do mundo poderia ser denominada também como a dobra do saber. Nela a 2ª constituição social experimenta a produção de um “regime de verdade” com a finalidade de trazer conscistência para seu negócio.
A expressão regime (dieta) na contemporaneidade não guarda dificuldade de compreensão de sentido. Guarda, entretanto, dificuldade de experiência linear e efetiva, que não se dobre ao primeiro impulso. Lá no século XIX, a dieta não se relacionava a obesidade, mas àquilo que não deveria ser utilizado como verdade. Dieta da verdade ou regime de verdade. Diz Silva que um regime de verdade é “conjunto de regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se vinculam ao verdadeiro, efeitos específicos de poder, (por isso) não há relação de poder sem constituição correlativa de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder” (apud FOUCAULT, 2005, p. 34).
É nessa dobra ou clivagem que se estabelecem as mais declaradas juras de amor entre o conhecimento e o capitalismo. A racionalidade moderna, para Rosane, vai legitimar o princípio da equivalência generalizada. “(...) a realização máxima desse sistema de racionalidade se traduz pela invenção de uma subjetividade privatizada cujo protótipo é precisamente esse homo psychologicus que emerge ao mesmo tempo como sujeito e objeto de investigação no quadro desse novo corpo de conhecimentos chamado “ciências humanas”, e que constitui assim o fundamento necessário para legitimar a idéia de indivíduo tão cara ao desenvolvimento do modelo capitalista” (2005, p. 35)
Nesse momento o sujeito moderno realiza a máxima cartesiana de REPRESENTA A SI E AO MUNDO de modo específico e positivo. Fica estabelecida como realidade a dicotomia sujeito/mundo, posto teres eles agora representações distintas. Quando vivo, Descartes havia estabelecido essa relação enquanto promessa. Sou porque penso, aquilo que não pensa é o mundo. Agora o ser e o mundo tinham especificidades distintas. A lógica cartesiana estava caracterizada.
Por fim a 4ª dobra, a dupla captura. Rosane acaba de dizer que houve uma caracterização do que é um sujeito, do que é o mundo com a emergência e desenvolvimento da 2ª configuração do social. Essa caracterização separa, distingue um do outro normativamente, legalmente. Aqui é importante lembrar daquela história de relações informais e relações formais que marcam a emergência do SOCIAL.
Pois bem, o dito social e a sua política, diante da separação, estabelecem modos de aproximação entre o sujeito e o mundo. Maneira de o sujeito reconhecer o mundo e de ser reconhecido nele. Percebam que usei o prefixo RE antes conhecer. Isso foi proposital, pois o conhecer agora está limitado ao normativo, à regra do social inventado e caracterizado cientificamente.
É nesse instante que acontece a dupla captura. Rosane explica assim: “O artifício desse movimento de dupla captura consiste em criar uma regra de identidade entre esses dois registros (o social e o individual) que ao mesmo tempo os opõe (como se fossem duas séries dicotômicas) e os aproxima (como se pudesse explicar ou ser explicado pelo outro), criando desse modo, uma espécie de aderência entre os dois termos” (2005, p. 38).
Demorei, mas cheguei.
Abraço!

8 de ago. de 2007

-Apresentação de 2 novas integrantes:

- Xerox de "Cartografia Sentimental": R$ 9,50 (com Karine)

- Resenhas - Data de Entrega: 28.08.07 (ver regras da ABNT)

  • Lígia e Rafaela: capítulo 5 "Comunicação e Controle Social"
  • João e Bruna: artigo "O Ciberespaço: o termo, a definição e o conceito" (Silvana Drumond Monteiro)
  • Karine e Nelma: "Cartografia Sentimental"
  • Andressa: "Para Desencaminhar o Presente Psi"

- Fichamentos de textos de Foucault - Data de Entrega: 28.08.07

  • Marcus (Danilo e Lígia): "A disciplina" ("Vigiar e Punir")
  • Herica: "A loucura e a sociedade" ("Problematização do Sujeito: Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise")
  • Andressa: "O Nascimento da medicina social" ("Microfísica do Poder")

- Conclusão do texto "Para Desencaminhar o Presente Psi"

- Presença: Andressa, Bruna, Danilo, Herica, João, Karine, Lígia, Marcus, Rafaela, Vanessa

TAREFAS:

- Kleber: enviar novamente para o email do grupo o projeto do Pibic / inserir Bruna e Rafaela nos Blogs
- Andressa: inserir novas integrantes no email do grupo
- Trabalhar resenha de Marcus e Danilo ("Comunicação e Controle Social")
- Herica e Vanessa: concluir resenha ("Sobre a Televisão")
- Resenhas e Fichamentos

PRÓXIMA REUNIÃO:

- Local: sala próxima ao Departamento (UFS) / Hora: 14 hs / Data: 14/08/07

Outros interesses:

- Próxima reunião do Departamento: dia 22.08.07

"proibido colar cartazes"

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II: rua de mão única. São Paulo. Brasiliense, 2000. (30-31)


A técnica do escritor em treze teses

Quem tem a intenção de passar à redação de uma obra mais extensa procure seu bem-estar e permita-se, depois da tarefa concluída, tudo o que não prejudica a continuação.
Fale do realizado, se quiser; contudo, durante o decorrer do trabalho, não leia nada dele para outros. Toda satisfação que você se proporciona através disso bloqueia seu ritmo. Com observância desse regime, o crescente desejo de comunicação acaba tornando-se motor do acabamento.
Nas circunstâncias de trabalho, procure escapar à mediania do cotidiano. Meia tranqüilidade, acompanhada de ruídos insípidos, degrada. Em contrapartida, o acompanhamento de um estudo musical ou de uma confusão de vozes pode tornar-se tão significativo para o trabalho quanto a perceptível quietude da noite. Se esta aguça o ouvido interior, aquele se torna a pedra de toque de uma dicção cuja própria plenitude sepulta em si os ruídos excêntricos.
Evite utensílios quaisquer. A pedante fixação a certos papéis, penas, tintas, é de utilidade. Não luxo, mas abundância desses utensílios é indispensável.
Não deixe nenhum pensamento passar incógnito e mantenha seu caderno de notas tão rigorosamente quanto a autoridade constituída mantém o registro de estrangeiros.
Torne sua pena esquiva à inspiração, e ela a atrairá com a força do imã. Quanto mais refletidamente você retarda a redação de uma idéia que ocorre, mais maduramente desdobrada ela se oferecerá a você. A fala conquista o pensamento, mas a escrita o domina.
Jamais deixe de escrever porque nada mais lhe ocorre. É um mandamento da honra literária só interromper quando um prazo (uma refeição, um encontro marcado) deve ser observado ou a obra está terminada.
Preencha a suspensão da inspiração passando a limpo o realizado. Com isso a intuição despertará.
Nulla dies sine línea – mas talvez semanas.
Nunca considere perfeita uma obra sobre a qual não se sentou uma vez desde a noite até o dia claro.
Não escreva a conclusão da obra no local de trabalho habitual. Nele você não encontraria coragem para isso.
Graus da composição: pensamento – estilo – escrita. O sentido de passar a limpo é que, em sua fixação, a atenção diz respeito somente à caligrafia. O pensamento mata a inspiração, o estilo acorrenta o pensamento, a escrita remunera o estilo.
A obra é a máscara mortuária da concepção.

2 de ago. de 2007

ATA - Reunião 31.07.07

  • Comunicação da saída de John e possibilidade de entrada de mais 1 membro
  • Entrevista na TV Aperipê: Marcus, Lígia e Andressa (ver com Fernanda se pode mesmo ser os 3)
  • Discussão e esclarecimentos de questões sobre o texto postado por Kleber da 3ª parte "A invenção da Piscologia Social"
  • Continuação do "Para desencaminhar o presente psi" -> Futuro do pretérito
  • Criar uma agenda aqui no Blog com os contatos de todos o integrantes (podemos colocar nosso telefones, etc, aqui nos comentários)
  • Entrega de Resenha dos pibiqueiros: a primeira a ser trabalhada será a de Marcus e Danilo (já publicada aqui no blog para discussão) - "Comunicação e Controle Social"
  • Presença: Andressa, Danilo, Herica, João, Lígia, Marcus, Nelma, Vanessa
  • Distribuição de outras resenhas para os demais participantes: João e Lígia ("Comunicação e Controle Social"; Nelma, Karine e Lorena (texto a ser definido por Kleber)

PRÓXIMA REUNIÃO

  • Terminar a apresentação e discussão dotexto de Heliana Conde
  • Ver o andamento das resenhas

. As Cyber-nações .
Vivemos no Brasil, isso é óbvio.E durante muito tempo, isso era suficiente para determinar que tipo de pessoas seríamos, que tipo de comidas comeríamos, que músicas escutaríamos, como nos comportaríamos e que atitudes teríamos diante de certas coisas. Esse tipo de conclusões não vão desaparercer de um dia para o outro - até porque em muitos aspectos, elas continuam sendo verdade. Mas não teríamos chegado na hora de se pensar em um novo conceito de nação como algum elemento subjetivo que une as pessoas, num mundo já quase totalmente interconectado?
O conceito de Cyber-nação pode ser uma das primeiras tentativas para tal reconstrução. Segundo os formuladores dessa hipótese - que admito desconhecer -, "Este tipo de nações não são experimentos exóticos que podem funcionar ou não. Elas já estão aí e existem nesse exato momento à nossa volta, como redes invisíveis de pessoas que partilham da mesmas idéias e mesmos valores. Não há distinção de nacionalidade nessas nações. Seus membros podem ser americanos, espanhóis, brasileiros, tibetanos, etc.. Mas mesmo assim, o que mantém coeso esse "país invisível" é mais forte que qualquer fronteira de geografia. E então percebemos que os membros dessas nações forjam lealdades entre si mais fortes que a lealdade que têm para com seus compatriotas.Isso sem que algum dia se tenham encontrado pessoalmente ou esperem se encontrar." (...).
Ao ler isso, não conseguia parar de pensar no Orkut. O que seria o Orkut senão um conjunto de várias Cyber-nações? Nações em que as pessoas se encaixam (e se fazem encaixar) não por lugar de origem, mas pela identidade que têm de si próprio como uma personalidade que transpôe qualquer barreira. Um exemplo disso são as comunidades. Se pararmos para perceber, as pessoas não se esforçam pra entrar em comunidades que indicam origem geográfica. Lógico, elas existem e muitos de nós inclusive somos membros, mas claramente elas não estão entre as comunidades mais populares nem as mais atraentes ou polêmicas. O fato que parece guiar a conduta do nosso comportamento no orkut é a procura de se encaixar nessas várias cyber-nações, nas quais pessoas de qualquer parte do mundo compartilham um ideal ou gosto em comum e aonde não existe superioridade. Partindo desse pressuposto, passamos a nos sentir mais próximo de uma pessoa do outro lado do planeta que parece com a gente do que de alguém do nosso bairro e que possúi valores e gostos completamente diferentes.
Enfim, acho que isso pode servir para as nossas proximas tendências de estudo, tanto em amizade como em identidade.
dan.

31 de jul. de 2007

RESENHA

Comunicação e controle social

Livro organizado por Pedrinho Guareschi em 1991.
Uma análise dos meios de comunicação de massa. Procura detectar os mecanismos ocultos responsáveis pela alienação dos indivíduos. O autor aborda temas como ideologia, consciência de massa e manipulação.





O livro em questão divide-se em cinco capítulos: A realidade da comunicação – visão geral do fenômeno; Comunicação, Gestalt e Behaviorismo; Comunicação e Psicanálise; Comunicação e Produção de Subjetividade; e Comunicação e Teoria Crítica.
O capítulo inicial dessa obra faz com que pensemos como a comunicação está presente na construção da realidade, na detenção do poder, na cultura, no próprio controle social e como ela modifica tudo isso e fomenta um novo ser humano.
Fala-se na construção da realidade a partir de o que é comunicado, veiculado, passa a existir e o que não o é cai no esquecimento, no vazio, passando assim a não ser mais realidade. A comunicação tem duplo poder de fazer uma coisa existir ou deixar de existir. Esse poder, aqui colocado, é algo que deve ser particularmente analisado. Afinal de contas, deter essa construção da realidade significa possuir certo poder. Poder esse sobre a existência das coisas, sobre difusão de idéias e sobre a opinião pública e sua criação. Possuir a comunicação possibilita definir os outros, definir alguns grupos sociais como sendo bons ou ruins, piores ou melhores, de acordo com os que detém o poder. Ter o rosto na televisão ou a voz no rádio faz com que se consiga ser eleito. A conclusão lógica para isso é que a voz que desponta e a imagem que aparece é a de alguém que passa a existir, como afirma Guareschi. E no momento de se dar o voto, escolhe-se aqueles que existem.
No campo da cultura é que de longe se percebe a importância fundamental da comunicação. Sendo os meios de comunicação indispensáveis tanto na criação como na transmissão, mudança, legitimação e reprodução de determinada cultura. Capazes, assim, de subjugar outras culturas.
Esse subjugue passa a exercer parte da constituição do controle social. Dominação estabelecida pela comunicação se faz a partir da interioridade da consciência do outro. E assim o dominador estabelece em cima do dominado uma condenação e uma estigmatização a prática da verdade. Desse modo, a verdade só será daquele que possuir o poder da comunicação e consequentemente terá o controle em suas mãos. Deve-se então deixar de falar em Meio de Comunicação Social para em meios de informação, a serviço do controle social.
O segundo capítulo vai relacionar o behaviorismo e a Gestalt com a comunicação social, pois elas julgam que os princípios básicos dessas teorias psicológicas permitem uma reflexão a cerca da comunicação. Os anúncios e os anunciantes passam a se utilizar mais fortemente destas teorias e de outras a partir do momento que informar sobre o produto simplesmente não funcionava mais para a venda destes, assim essas mensagens passaram agora a impulsionarem uma compra irracional.
As duas teorias enfatizam o ambiente, e as respostas e percepção do sujeito. Dessa forma, as duas servem à manipulação ou ao menos a possibilidade de manipular o sujeito e talvez por isso, são tão amplamente usadas pela comunicação social direta ou indiretamente e consciente ou inconscientemente. O importante aqui é perceber as ferramentas que casa sistema ou teoria utiliza pra emitir pareceres.
No terceiro capitulo, o da Psicanálise, temos essa compreensão de ferramenta sendo utilizada também. A autora desse capítulo, Neuza Guareschi, coloca que nada acontece por acaso. E especialmente nas propagandas é perceptível o quanto esse sistema é manuseado. Não que seja como uma receita de bolo, mas que essa utilização estabelece uma razão para ser praticada nas propagandas é fato.
Guareschi comenta ainda sobre a sociedade capitalista na qual vivemos, onde as relações entre as pessoas são de exploração e dominação, e que poucos são os que podem acompanhar o consumismo exacerbado que se implanta nesse tipo de sociedade. A autora diz que mesmo sem condições a maioria deseja aquilo que as propagandas nos mostram. É, então, neste momento que a pressão, isto é, a quantidade de energia despendida para satisfazer o instinto, é muito maior justamente naqueles que não possuem essa condição, este desgaste maior de energia na busca da satisfação, é a “fábrica” das frustrações, que por sua vez geram as angústias que deixam as pessoas confusas e até perturbadas psiquicamente. Essa questão remete ao intenso processo de individualização que se experimenta hoje.
O capítulo seguinte vem tratar da relação feita entre os Meios de comunicação de massa e a produção de subjetividade, tendo por ponto de partida o desenvolvimento do capitalismo moderno que afeta as relações de produção e por sua vez determina a construção de uma subjetividade. É exatamente ligando esse processo aos Meios de Comunicação que essa situação se configura, pois se utilizando da linguagem intensiva, que estabelece conexão direta entre as instâncias psíquicas (definem o modo de perceber e construir o mundo) e o que é produzido pelo capitalismo. Por isso o desejo se torna uma intensidade sempre à procura da linguagem para que possa se expressar. Assim o processo basicamente acontece quando a mídia capta as intensidades, que são investidas de significados ao se criar uma linguagem onde o desejo se concretiza e acontece. Com isso o desejo perde ou anula seu anterior caráter ativo de possibilidade de produções singulares no social, que também faz perder a possibilidade de uma multiplicidade de singularidades revolucionárias. Tal fato aconteceu já que o desejo se vinculou a uma intensidade pluralística de sentidos. Portanto,é possível afirmar que os Meios de Comunicação são um importante equipamento maquínico capitalístico, já que cria o indivíduo do capitalismo mundial integrado (globalizado), ao mesmo tempo produz uma massa desenraizada produtiva (ou seja um indivíduo que técnico, que não se importa com sua história, que esquece dela), o que mantém um sistema hierarquizante de produções.
Creio que os meios de comunicação difundem, sim, uma concepção de mundo. E dizer que o real se cria no social também está valendo. Porém, nem todo mundo produz sua própria realidade. Têm muitas vítimas iludidas, sem poder de crítica e sem ver no horizonte uma realidade que lhe seja própria.
Aqueles que se sujeitam a esse poder são oprimidos. Já aos opressores cabe a tarefa de definir. Definir grupos sociais como sendo bons ou ruins. Subjugar tudo aquilo que lhe for prejudicial. Desmerecer tais coisas pelo fato de ter ou não poder. Foucault considera o poder como "um exercício, que se efetua, uma relação, que provoca resistências, porém nada fixo, mas sim com pontos móveis e transitórios que se distribuem por toda a estrutura social.". E sendo móvel ele pode estar aqui ou ali. Desse modo maleável o poder é barganha pra aqueles que o possui.
E a pergunta que fica é instumentalizar a casta dominante é realmente o certo? Dar-lhes mais poderes para cada vez mais aumentar as diferenças sociais é justo?

27 de jul. de 2007

Configurações do social

Andressa num comentário nesse blog, requeria de nós, uma definição de genealogia.
Fiz comentário dizendo que a genealogia pode ser entendida como uma metodologia que analisa como as coisas acontecem. Aqui nesse texto estou a tratar disso. Como para Rosane Neves da Silva o social aconteceu no mundo ocidental. Essa genealogia do social é fundamental para a compreensão da tese da invenção da psicologia social, que é a proposição do livro que estamos a discutir.
Pois bem, para Rosane “... a invenção do social implica um modo de intervenção que se distingue das relações informais entre os membros da sociedade em questão” (18p.). Isso significa que o social seria uma dimensão distinta das relações informais, mas estaria voltado para a administração de algo que acontece nessas relações. Por isso ela acentua a questão do modo de intervenção. Resumindo; a invenção de uma forma para lidar com a informalidade.
O desdobramento seguinte dessa afirmação é que essa ação que se volta para questões das relações informais, necessita assumir uma feição que lhe garanta o reconhecimento dessa modalidade de intervenção. Então, para Rosane, o social inventado requer uma configuração que se estabeleça, digamos assim, como sua política.
Ressalta que “É importante assinalar que, quando colocamos a idéia de configuração do social, não temos a intenção de precisar a origem das mesmas em termos cronológicos. As configurações são tomadas aqui como a superfície de inscrição de um conjunto de práticas que adquirem consistência em um determinado momento, ... (e que) traduzem um certo arranjo entre estratégias de poder e as técnicas de subjetivação”(SILVA, 2005, 18 p.).

Rosane então passa a apresentar duas configurações dessas estratégias de poder e técnicas de subjetivação que configuram o que ela está chamando de social. Nessa análise, ela vai se valer de dois importantes historiadores: Robert Castel e Jacques Donzelot. Por sinal esse segundo escreveu A polícia das famílias. Ótimo livro. Vale conferir quando houver oportunidade.

Bem, sobre a 1ª configuração do social, Rosane diz tratar-se de um modelo social-assistencial, que teria função de proteger e integrar segmentos da população carente. Condição para integração nesse social; pertencer a comunidade que estivesse em questão. Rosane afirma que para Castel, esse modelo inventado por volta do século XIII, buscava uma gestão racional da indigência e se dava em associação com a Igreja Católica.

Diante dessa colocação, ela conclui que o primeira configuração do social tinha uma dimensão "estritamente espacial", ou seja, lidava apenas com aquilo que estava restrito ao local de atuação da sua política.
Já com Donzelot, Rosane vai dizer que somente a partir da metade do século XIX, é que se pode falar da emergência de uma questão social. Esse aparecimento estaria diretamente relacionado a experiência republicana, que fez aparecer essa problemática, pois por princípio “concede uma soberania igual a todos, e um princípio que estimula uma liberalização do mercado”. Há aí uma incompatibilidade dos princípios, de um Estado que precisa garantir livre acesso ao trabalho e ao mesmo tempo, obrigado a recusar a responsabilidade de assegurar o trabalho a todos.
Em cena são colocadas duas noções de Estado (1848): o Estado empregador e o Estado regulador das relações de produção. Desse modo, o problema colocado é que para o liberalismo o direito ao trabalho ameaça a democracia.

Daí emerge a 2ª configuração do social, que vai tratar da relação entre trabalho e pauperismo, já caracterizado pelos modos de produção capitalista. Diz Rosane Silva que “... a problematização do social resulta de uma fratura entre uma ordem jurídico política fundada sobre a igual soberania de todos, e uma ordem econômica que acarreta um aumento da miséria” (2205, 23 p.)
Essa cisão marca um outro lugar para o social, onde com o capitalismo industrial, a riqueza e a miséria aumentam de modo proporcional. Aparece então um Social que é a intersecção entre político e econômico e busca neutralizar o contraste entre "imaginário político moderno com a dura realidade da sociedade civil”(SILVA, 2005, 24 p.).

Como pano de fundo, a necessidade de mascaramento da realidade social. As multidões apareciam como um fenômeno e demandavam uma administração. Requeriam pela racionalidade de então um modo de administração. O social se torna objeto do conhecimento. “Aí reside a principal diferença com relação a primeira configuração: a objetivação do social enquanto um novo domínio de saber” (SILVA, 2005, 26 p.).
Saber também em processo de invenção. Saber que vai buscar objetivar o social e o indivíduo, mas isso são desdobramentos para uma nova postagem,