27 de jul. de 2007

Parte 3 - "Das lições da história às experiências e experimentações: o abalo do presente"

Dando prosseguimento ao texto de Heliana Conde, a autora se utiliza do artigo de D'amaral e Pedro que trata da discussão sobre modos de temporalidade que os historiadores constroem e narram. Estes podem ser:

  1. História universal do tipo positivista - como se o narrador ocupasse o lugar do "fins dos tempo", ou seja, a extremidade de uma linha reta que caracteriza o tempo e a história. Esta história estaria caminhando em nossa direção. Pensa-se o passado como naturalmente justificado por uma cadeia causal de fatos justificados. Os positivistas foram os primeiros a admitir um fim da história, onde ocupariam o lugar idealizado, em que se estaria a meta, o objetivo, a finalidade a ser alcançada.
  2. O modo do paradigma indiciário - termo esse descrito por Carlo Ginzburg e significa dizer as práticas historiográficas quando posicionadas contra a história tipo positivista. Essa vertente acredita que o presente vive do passado e deste deve procurar uma verdade oculta e invisível. Seria então o presente um momento particular, pois construído a partir de certa realidade do passado.
  3. Modo de relacionar tempo e narrativa - do tipo foucaultiano, em que não foca nem na 1ª e nem na 2ª forma de entender temporalidade, mas sim numa que relaciona o presente com ele mesmo. Ou seja, uma história do presente expressada por Foucault para designar o trabalho construtivo do historiador, ao perceber o desprendimento do presente dele mesmo, quando "a história do presente é feita no presente sobre o presente".

Para melhor contribuir nesse entendimento que Conde se utiliza de um artigo de Deleuze que menciona que Foucault estaria fazendo um trabalho de filosofia dos dispositivos.Na afirmação de Deleuze: "Nós pertencemos aos dispositivos e agimos neles", aponta-se os conceitos de história e atual, em que o primeiro seria o que somos, e o segundo o que estamos em vias de nos tornar.

Fica mais claro ao distinguirmos o que seria o ontem, o hoje e o passado. Nesse caso o ontem é a dimensão do presente, pois é o que somos e deixamos de ser ao mesmo tempo. O hoje significa ser o atual, já que se trata do que estamos nos tornando. E o passado seria a história que se configura no espaço entre o ontem e o hoje. Dessa maneira, o passado não é o que nos fundamenta, mas sim algo ficcionado, de acordo com aquilo que existe nesse espaço entre o ontem e hoje, presente e atual, respectivamente. Porém, só válido desde que haja uma reflexão sobre esse movimento e quando assimilando novas experimentações.

Para Conde, esta possibilidade de conceber o mundo sob esse prisma de temporalidade fica estampado nos trabalhos de Deleuze, assim como nos últimos de Foucault. A problematização aparece sempre, mesmo quando interligada aos temas da biografia, da experiência e dos usos estratégicos da história. O que acontecia é que a experiência, aliada a uma reflexão historiográfica, quando envolvida por uma inquietação, torna-se um ponto de partida para um trabalho teórico, prático e político. Daí podemos chamar de "experiências transformadoras", como Foucault mesmo denominou. Seria a partir dessas experiências, as quais estariam comprometidas em se engajar politicamente, confrontar normas institucionais, entre outros, que o trabalho teórico de Foucault se construiu, levando a "algum fragmento de autobiografia".

Assim foram com obras como História da Loucura, em que freqüentou hospitais psiquiátricos ou na obra Arqueologia do saber (dessa obra não saberia bem explicar como procedeu a sua experiência). Também aconteceu com a obra Vigiar e Punir, que a partir das experiências do Grupo de Informações sobre as Prisões (GIP), aparentemente particular a um certo lugar, demonstrava-se bem mais ampla, pois estaria inscrita em algo que estava em curso, em ações não afastadas, mas comuns. Este livro torna-se um sucesso como empreendimento historiográfico, já que se trata de um livro-experiência em pró da transformação, e não um mero livro-verdade ou livro-demonstração.As experiências dita transformadora, ficam claras em obras foucaltianas da década de 70 e 80, em que focava nos modos de subjetivação, ética e governamentabilidade, pois denunciava a compreensão identitária e subjetiva sob a forma de componentes compreendidos como naturais e profundos. O próprio autor afirma, praticar uma espécie de ficção história, sob o propósito de interferindo entendimento que fica entre nossa realidade e o que se sabe da história passada.

Um dos filósofos bastante admirados por Foulcault foi Nietzche, que emite a idéia de que não é interessante relacionar os homens ao seu tempo, mas sim que a cada momento eles estejam em luta contra seu tempo, o que significa que a obras trazidas por autores seja eles qual for deveriam ter "efeito sobre a vida e sobre a ação". Foucault mesmo numa entrevista em 1978 para Ducio Trombadori relata que um experimentador, mais do que um teórico, constrói seus livros a partir de experiências, sendo esta caracterizada pela transformação que traz e se encontra na escrita para mudar a si mesmo e aos outros. Estaria se falando de uma des-subjetivação, pois seria o ato de "arrancar o sujeito de si mesmo, fazer com que ele não seja mais ele mesmo". No fim, esse tipo de livro possibilitará estabelecer novas relações.

Conde conclui que os livros-experiências psi não nos intoxicaria com saberes psicológicos pretensamente nobres, orgânicos e maiores, como os livros-verdade ou livros-demonstração. Por isso que no texto-apresentação do livro "Foulcault e a Psicologia", a autora busca fazer articulações entre biografia, temporalidade e experiência, por se sentir tocada pelas idéias das "experiências biográficas transformadoras" dos autores que compõem o livro. Estes autores seriam o exemplo de que se pode ir além das grandes narrativas e ter livros tal qual obras de arte que se propõem fazer arqueologias, problematizações auto-reflexivas e interferências em jogos de verdade. A alternativa de se fazer livros-verdade seria uma tentativa de iluminar o olhar daqueles que só enxergam um ilusório descaminho, isto por estarem desimplicados com a realidade, precisando nada mais do que se livrar do que sufoca e com isso "respirar junto", assim como menciona Guatarri, indicado pela autora, como se houvesse conspiração realizada pelos leitores destes livros.

26 de jul. de 2007

ATA - Reunião 24.07.07

  • Visita de Fernanda da TV Aperipê: entrevista com Kleber dia 06.08; matéria com Andressa e Marcus daqui a 15 dias
  • Discussão da organização do grupo: cada um fica resposável por suas próprias tarefas
  • Continuação da Apresentação do texto "Para Desencaminhar o presente Psi": leitura e discussão dos textos postados por Andressa aqui no Blog
  • Indicação de Leitura ---> "Cartografia Sentimental"
  • Presença: Andressa, Danilo, Herica, Karine, João, Lígia, Nelma, Marcus, Vanessa.

TAREFAS:

  • Kleber: postar os textos do capítulo 1 "A Invenção da Psicologia Social"
  • Após a 'postagem' de Kleber, os outros capítulo já podem ser publicados aqui.
  • Resenha dos pibiqueiros. Data de entrega: 31.07.07 (com proposta de prorrogação). Kleber pretender conversar sobre as resenhas produzidas individualmente com os pibiqueiros

PRÓXIMA REUNIÃO

  • Dia: 31.07.07 / Hora: 14 hs / Local: UFS (sala próxima ao departamento)
  • Continuar a apresentação do texto de Heliana Conde
  • Discutir as resenhas com pibiqueiros

Futuras leituras:

  • "Elementos para a crítica da cibercultura" (Francisco Rüdiger) - leitura obrigatória
  • "Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo" (Suely Rolnik) - leitura complementar

24 de jul. de 2007

Uma maneira de produzir resenhas

A resenha se constitui de comentários sobre o conteúdo de uma obra, sendo elaborada para fins de sua publicação/divulgação ou como atividade acadêmica. Para a sua elaboração são recomendados além de uma leitura rigorosa a observação dos seguintes a observação dos seguintes procedimentos:

  • colocar a referência de forma destacada, antes do início do texto.
  • iniciar a redação com informes sobre o autor, época em que o texto foi escrito, comentários breves sobre objetivos do texto e sua idéia central.
  • fazer a síntese de cada parte do assunto, ou capítulo, seguindo a mesma estrutura lógica adotada pelo autor do texto, e fazendo ao mesmo tempo reflexões sobre os elementos contidos em sua análise.
  • criticar o texto, considerando: publicação, revisão textual, atualização de gráficos e tabelas, atualização da bibliografia utilizada, sequência e organização do texto.
  • concluir com comentários pessoais, analisando a importância do texto, sua influência na área a que pertence e as consequências mais relevantes.
  • elaborar o texto de forma sintética, com 3 a 5 páginas.

Texto retirado de:

COSTA, A. R. F. , BERTOLDO, E., PIZZI, L.C.V., LUIS, S.M.B. Orientações metodológicas para a produção de trabalhos acadêmicos. 7 ed. Maceió: EDUFAL, 2006.

23 de jul. de 2007

reunião

terça-feira. 14h30. UFS.

21 de jul. de 2007

Para desencaminhar o presente Psi - parte 2 "Futuro do Pretérito"

Tentando dar conta das idéias de experiência e temporalidade, a autora continua seu texto destacando comentários de Dean, quando o mesmo menciona que o que se entende de eventos e história são compatíveis, desde que os primeiros não sejam encarados como esquemas fixos como causa-efeito ou atrelados a significações preestabelecidas. Não é a toa que Foucault e outros historiadores defendem a aplicação da eventualização da disciplina historiográfica, que significaria fazer surgir a singularidade, fazer surgir as rupturas das evidências que suspostamente apoiam o saber e com isso também descobrir conexões, bloqueios, encontros, jogo de forças, estratégias, entre outros. Tendo em vista essa situação acontecer, a autora afirma que se é possível pensar em possíveis construções, denominando o conjunto de futuro do pretérito, que será em seguida melhor explicado.

De acordo com Conde, o evento pode ser entendido tanto como destino (fato consumado, funcionalizado, estruturalizado), como por contingência (raridade, singularidade, contingência). Levando em conta o primeiro caso, seria como se o evento fosse compreendido por regras, que ainda assim existiriam dois entendimentos alternativos: ou apriorismos sintáticos e/ou semânticos (que podem ser estruturas significantes imutáveis, determinações sociais ou dialéticas universalizantes), ou repetição/reforço de práticas determinadas. Mas pelo pensamento de Rajchman em relação a esse assunto, a autora destaca que para ele "nada nos determina a não ser o que nos acontece atualmente", inexistindo, com isso, causa, princípio ou finalidade preestabelecidos, últimos e universais.

Diante das pesquisas realizadas por Foucault que foram relatadas no livro "Genealogia e poder", coloca que estas pesquisas traziam uma interessante característica para o panorama cultural, político e intelectual daquele momento, que no caso é a "eficácia das ofensivas dispersas e descontínuas". Como exemplos, tem-se os discursos e práticas antipsiquiátricos que serviram de entrave ao funcionamento da instituição psiquiátrica; os ataques contra o aparelho judiciário e penal sob argumentos da luta de classes e de certa forma anarquistas, e também a perturbação de certos livros como o "Anti-Édipo", por ser autoreferente e não se atrelar a qualquer tradição teórica, institucional e/ou filosófica.

É apontando certas experiências como estas que Foucault estaria alertando sobre o efeito inibidor de teorias totalizantes e globais, além de um efeito de refreamento que age sobre a realidade, fazendo perceber sempre uma totalidade. Ou seja, estas pesquisas apontaram que há uma eficácia das críticas particulares e locais, já que produziam teorias autônomas, não centralizadas, sem necessariamente estar de acordo com um sistema comum que estabeleça sua validade diante da sociedade. Mas como se poderia organizar este tipo de crítica? Através do retorno do saber, ou melhor dizendo, com a insurreição dos saberes dominados. Estes saberes seriam os conteúdos históricos que foram sepultados, mascarados em certas coerências funcionais ou sistemas formais ou mesmo os saberes que foram considerados desqualificados, não competentes ou insuficientemente elaborados. No caso podemos observar que o saber dito verdadeiro, dentro dessa hierarquia, será o tipo científico, o que enfatiza o valor do especialista na sociedade, onde poderíamos incluir a posição dos psicólogos.

Para tal insurreição destes tipos de saberes, inclui tanto o saber histórico, estes dessingularizados no interior de sistemas de saber, quanto o de pessoas. Este, particiularmente, diz respeito a um saber que não é unanime, mas é diferencial, por se opor a todos os outros saberes ao seu redor. Por conta disso foi deixado de lado, ou mesmo subordinado. Por isso é que Foucault afirma a importância da crítica local, pois unindo esse dito saber sem valor na erudição, ou desqualificado pela hierarquia dos conhecimentos e das ciências, é antes de tudo o saber histórico da luta.

Conde defronta em seguida a afirmação de Barthes e a indagação-resposta de Arlette Farge à afirmação feita. O primeiro coloca que a história seria como um sonho, pois consegue conjulgar, sem assombro e convicção, a morte a e vida. Porém o segundo rebate indagando que como pode ser possível fazer tal conjulgação, dessa vez com assombro e convicção, de maneira que história não seja sonho. Isso faz pensar que história não poderia funcionar de outra forma, quer dizer, não se trata de ser sonho, algo ilusório, mas sim ativo, convicto e mesmo que com assombro, já que mesmo aquilo que desestabiliza deve ser encarado. (Inserção de entendimento de minha parte, podem retrucar...). A autora então completa com as palavras de Farge que história seria "um meio de se decidir quanto ao presente e, quem sabe, quanto ao futuro?", e a autora continua afirmando: "O futuro do presente se vê, assim, implicado no futuro do pretérito".

De acordo com a autora, Foucault chama atenção do quanto a história pode ter de estratégico, visto que é possível elaborar certas narrativas, ou mesmo encerrar as grandes, para que se constitua algo distinto do que se tem como desencantado ou quietista. Existiria uma "valiosa inquietação" ante ao que concebe "dado, coerente, óbvio, lógico, previsível, evidente, funcional ou nobremente científico". É possível observar com isso que Foucault não concorda com a cientificidade, mas ao contrário, com a possibilidade, de ao unir os saberes históricos e pessoais, produzir genealogias, que são consideradas "anti-ciências", já que tem a função de ir de encontro aos tais discursos totalizantes. Torna-se, então, uma postura de contariedade diante do que é dito estabelecido.

19 de jul. de 2007

"Para desencaminhar o presente Psi: biografia, temporalidade e experiência em Michel Foucault"

Tentando retomar um pouco do que apresentei na reunião passada, foi colocado que o texto foi uma incumbência dada à Heliana Conde de fazer a apresentação do livro “Foucault e a Psicologia”, de maneira que não fosse uma atitude simplesmente prefaciante, que seria o de decifração ordenadora. A autora vem tentar ir de encontro, ao que o próprio Foucault vem chamar de ordem do discurso, ou seja, práticas logofóbicas (que tem medo de representações) hegemônicas que não toleram a surpresa o aleatório, o inaudito que permeiam ditos e escritos. E obviamente, junto com o propósito dos autores do livro que ela apresenta, que seria “atos discursivos que conclamam à pontecialização recíproca”, preferindo “ensaiar uma experimentação compartilhada”.
Continuando a fazer uma menção geral de seu objetivo, a autora comenta que Michel Foucault afirmou que seus escritos seriam “fragmentos de autobiografia”. Essa afirmação poderia ser comparada a certa “identificação disciplinar” que alguns psicólogos tivessem em relação às hipóteses de trabalho de Foucault. Mas pensando em biografia, tem-se nas colocações de Didier Eribon apenas que Foucault teria tido uma juventude passando por hospitais psiquiátricos, fascinado pelo teste Rorschart, lecionou Psicologia e inclusive pensou em se tornar um. Ora, essa forma de se fazer Biografia, ao olhar de Conde, demonstra ser oposto à menção de sujeito constituinte, que possui muito mais do que meras considerações de ações, posições, entre outros. Ou seja, torna-se necessário evitar enfoques redutores, daí a necessidade de acordo com a autora e se tecer as explicações e articulações do que Foucault fez sobre temporalidade e experiência.
Nesse intuito, tentando dar conta dessas conceituações, a autora inicia comentando sobre a obra “A palavra e as coisas” que teria sido mais um exemplar do ápice do estruturalismo na França, onde inclusive se estaria tratando de epistemes - “conjunto de regras a que obedecem os modos de ver e dizer presentes em um conjunto de saber simultâneos”, ou seja, saberes que vieram antes de serem enquadrados pelas ciências. Entres esses epistemes tem o descontínuo, caracterizado por uma série de sistemas de longa duração. Porém, afim de defender dessa menção anteriormente que Conde vai trazer duas passagens desse mesmo livro: uma que trata do descontínuo, considerado por aquilo que dá acesso à erosão do que vem de fora, ao pensamento que está fora do domínio daquilo que se tem contato, de certa forma, conduzido pela cultura de uma sociedade, daí a autora se indaga de como um pensamento pode ter lugar no mundo e não cesse de começar sempre de novo?
A segunda passagem colocada por Conde fala do problema das mutações, de se é possível explica-las por acontecimentos ou leis. Tais mutações são exatamente aquilo que faz com que se perceba as coisas de forma diferente. No entanto, a autora enfatiza que não basta explicar as mutações, mas sim analisar essa abertura na continuidade, esse acontecimento radical que transforma a superfície do saber e que se é possível observar os abalos e efeitos. Nesse caso, de acordo com livro mencionado, ressalva-se que quanto às descontinuidades, levando em conta os pensamentos ou discursos, tona-se necessário fazer correlações, seja para descobrir ou inventar, com outros tipos de séries. Já no que tange as estruturas, para que de fato apareçam, não devem seguir leis, mas sim os acontecimentos, desde que problematizados. Ou seja, Conde relata que para um livro tão estruturalista, como pode ter Foucalt ter combinado acontecimento e estrutura, “dar conta da estrutura através do acontecimento!”? No entanto, o acontecimento aqui não está ligado a grandes feitos, nem mesmo fatos consumados, mas que apontem a entrada de forças ou ocorrências de acontecimentos rupturais. Com isso, para a coerência do sujeito e/ou suas causalidades poderia ser admitida a diferença.
Para melhor elucidar essas e outras questões, Conde se utilizará do comentador, um tipo de função que não agradava a Foucault, mas que no caso de Mitchell Dean, coube ser trazido. Este teórico se dizia insatisfeito com o recurso das categorias globalizantes, que seria tudo aquilo que compõe a modernização. Através destas categorias é que ciências sociais tentam compreender o presente, conseguiram o prestígio de uma ciência nomotética*, sob o preço de negar a presença da história, apesar de serem chamadas de ciência da história. A sociologia estaria integrando duas formas duas formas aparentemente contrastantes, de acordo com Dean.
Uma dessas formas é a teoria progressivista, que “defende um esquema de progresso social fundado em uma teleologia”, seja “da razão, da tecnologia ou da produção”. Existiriam, então, narrativas denominadas de alto modernismo, que embasariam suas explicações de maneira geral ou causal, com um caráter semelhante ao de uma lei. A outra forma mencionada é a da teoria crítica, que estaria negando e preservando as formas presentes de razão e sociedade. Esta teoria estaria buscando uma versão alternativa para a razão instrumental, com narrativas que estariam incluidas no modelo denominado modernismo crítico. Tais narrativas podem exemplificadas pela Teoria da Racioalidade Comunicativa de Habernas e a Dialética do Iluminismo de Adorno e Horkheimer.
É tendo em vista toda essa discussão de moderno que Dean se indaga "se fomos, somos ou seremos modernos". Nada mais enganoso do que querer se explicar pelo termo modernização, visto que se trata de uma armadilha, pois é através dele que se faz a des-historização. Se por um lado no modernismo pensa que o presente será caminho, para o modernismo crítico será descaminho, mas em nenhuma se pensa des-encaminhado. Por conta disso que o sociólogo Dean traz uma terceira prática para o pesquisador social, a dita problematizante. Esta estaria designada a analisar a trajetória das formas de verdade e conhecimento, que acarretaria a perturbação das narrativas, onde ao invés de descobrir respostas, estaria atrás de questões. Não é a toa que essa prática se manteria receptiva "à dispersão das transformações históricas, à rápida mutação dos eventos, à multiplicidade das temporalidades e, primordialmente, à possibilidade de reversão de trilhas históricas".
Um problematizador, segundo Dean, é também um crítico, com estratégias distintas dos modernistas críticos, pois se recusa a aceitar os componentes dados como óbvios e também as explicações oficiais das coisas. Com isso é possivel existir um inquérito ilimitado acerca do presente, evitando a idéia de constrangimentos contingentes que possam estar manipulando seja o conhecimento, seja a ação política, através de sínteses filósóficas.
Dean ressalta o perigo das palavras, acatando a denominação de Pós-modernismo, desde que significasse a problematização do dado, ilimitando a possibilidade de interrogação.
No final das contas, o que se afirma é um método trazido por Foucault em suas obras seria a descrição de investigações anteriores, ou a antecipação de experimentações futuras. Estas características foram delineados também no livro "Arqueologia do saber" que situa a novidade do estatuto singular no documento histórico. O documento seria tanto organizado em séries, quanto contraposto à questão do problema. Tudo isso levantaria a questão polêmica de qual deve ser o problema: encaminhar ou desencaminhar o presente? Pensando nisso que os textos foucaltianos dos anos 70 estavam determinados a demonstrar o verdadeiro adversário para uma história que deve ser além de crítica, cônscia de seus limites e efetiva, afim de intervir no presente. Tal adversário é todo um supra-histórico que nos rodeia e condicionam os modos de ser, pensar e agir através de modelos identitários.
É de acordo com Nietzsche que Foucault, segundo Conde, aponta a presença de usos do supra-histórico na própria disciplina da história, que pode ser: monumental (quando caracterizado por grandes feitos); antiquário (quando há a acentuação da continuidade-tradição) e crítico (quando há o julgamento-condenação do passado, tornado-o fixo, paralisado e menor). Como alternativas, Nietzsche projeta usos: paródico (quando contrário a uma reminiscência-reconhecimento); dissociativo (quando contraposto a identidade) e sacrifical (ao renunciar à vontade de verdade). Graças a estes artifícios, é possível fazer uma história longe de modelo metafísicos e antropológicos da memória, ou seja, obter uma contramemória e por sua vez, uma outra forma do tempo. A história seria singularmente crítica e efetiva, pois constrói e analisa arquivos, orientando teoricamente nossos procedimentos, só que quando embasada na genealogia é que se afasta o ideal positivista.
Vem a tona um termo ressaltado por Dean chamado de presentismo ou história do presente, que trata do presente estando longe de compreensões simplistas, como se o presente fosse "resultado de um passado aprisionado em significações".
* nomotética: que se refere à legislação ou ao processo e fazer leis; diz-se dos juizos inferidos da observação dos fatos que a todos se impõem, adotados uma escala e um método, em oposição a de experiências pessoais ou juizos idiográficos.

18 de jul. de 2007

ATA - Reunião 17.07.07

  • Pibic: 1 bolsa confirmada - Marcus ficou definido como pibiqueiro
  • PICVOL (Programa de Iniciação Científica Voluntária): pedido de 2 bolsas para Herica e Andressa
  • Apresentação e discussão do texte do Heliana Conde "Para desencaminhar o presente Psi" - Andressa
  • Presença: Andressa, Danilo, Herica, Karine, Marcus, Nelma, Vanessa.

Tarefas:

  • Pibiqueiros: atualizar o currículo Lattes; fazer uma resenha dos textos "Sobre a Televisão" (Herica), "Comunicação e controle social" (Marcus), "Para desencaminhar o presente psi" (Andressa). Com o prazo de 15 dias para entrega, dia 31.07.07. Os pibiqueiros podem convidar outros membros do grupo para produzir a resenha.
  • Lembrar que a resenha deve fazer referências ao que está no Blog "Entre Nós", pois serão publicadas no Blog "Conversações", destinado à divulgação do nosso trabalho)
  • Todos: continuar postando e comentando os textos dos capítulos - "A invenção da Psicologia Social"

Para Próxima Renião:

  • Continuação do texto de Heliana Conde

16 de jul. de 2007

REUNIÃO

Confirmo para terça. dia 17/07/2007, as 9 horas. Foi o horário com mais votos. Até amanhã. Abraço!

13 de jul. de 2007

Sobre a invenção do social 1

Rosane Neves da Silva é a autora desse livro que está sendo posto em discussão. Penso ser um livro importante pois busca inserir a psicologia social numa discussão da qual ela tem quase sempre se furtado. Uma discussão nova, mas não uma nova discussão. Ela é nova pois no campo dos saberes e práticas psi, ela tem sido negligenciada, entretanto não é uma nova discussão porque historicamente a necessidade desse tipo de problematização vem sendo denunciada por alguns pensadores da vida e das relações entre as pessoas, as coisas e o mundo. Por isso é preciso olhar para a proposta da Rosane de maneira crítica, para que após a leitura e a discussão, a gente possa avançar para observações e análises da realidade com esse instrumental epistemológico refletido e dado ao uso das nossas pesquisas.
Rosane inicia sua discussão requerendo de seus leitores a percepção de uma "genealogia do social". Para mim, ela traduz essa dimensão ao propor a ultrapassagem de um impasse, que aponta para a necessidade de "deixar de tomar o social como uma evidência e passar a constituí-lo como um problema" (14 p.). Vamos trabalhar com evidências ou vamos trabalhar com problematizações? O que são evidências? O que são problematizações?
Acho que essas três questões nos ajudam nessa trilha de percepção do social.
Assim Rosane toma o social como um objeto fluido, que é "produzido a partir de diferentes práticas humanas e que não cessa de se transformar ao longo do tempo" ( 15 p.). Atentem para aquilo que "não cessa de se transformar". Ora se é assim, a evidência é sempre precária. As coisas passam diante de nós. Então como querer que as coisas se reduzam a UMA COISA.
É um problema relativo a produção da verdade. Assim vamos tomar a verdade como evidência ou vamos tomar a verdade como problematização?
Rosane aponta que o dito senso comum está transitando entre ma coisa e outra, mas muitas vezes, quando fazemos referência a ele, não o percebemos assim. O pensamos como algo cristalizado. Pensar assim, certamente contribui para produzir uma verdade sobre o social numa dimensão absoluta e uma metodologia de aplicação onde o pesquisador assume um lugar de neutralidade em relação ao mundo.
Como vocês pensam isso em relação ao nosso trabalho e também em relação a formação que estão construindo na Psicologia-UFS?
Conversar sobre isso é necessário, aqui e sempre que possível.
Abraços!

12 de jul. de 2007

Horário da reunião

Greve dos estudantes permanece viva. Assim nossa reunião pode ser tanto na terça pela manhã, como a tarde na UFS. O que preferem?

11 de jul. de 2007

ATA - Reunião 10/07/07

  • Leitura e discussão do texto de Andressa referente ao capítulo 4 do livro "Comunicação e Controle Social;
  • Sobre o Pibic: os "pibiqueiros" terão as tarefas de ler, fichar e postar textos de acordo com a leitura de cada linha de pesquisa (amizade, consumo ou identidade). As bibliografias serão colocadas por Kleber na casa da cópia para que todos tenham acesso

Amizade: Andressa e Lorena

Identidade: Marcus, Danilo, Vanessa e Lígia

Consumo: Herica, Karine, Nelma, John e João

  • "A Invenção da Psicologia Social": os textos dos capítulos deste livro já podem ser postados aqui no Blog

Cap 1: Andressa, João, Jonh e Kleber

Cap 2: Karine, Nelma, Lorena e Lígia

Cap 3: Vanessa e Herica

Cap 4: Marcus e Danilo

  • Reflexão sobre o andamento do Blog "Entre Nós" nos últimos 15 dias:

Todos devem comentar sobre os textos postados para, entre outras coisas, apontar entendimentos ou desentendimentos sobre o que foi escrito.

Para próxima reunião:

  • Conclusão da leitura do texto de Andressa - cap. 4 "Comunicação e Controle Socal";
  • Apresentação do texto de Heliana Conde "Para desencaminhar o presente psi" - Andressa
  • Para tal apresentação, os demais devem providenciar a leitura desse texto, o qual está disponível no email do grupo.

Próxima leitura:

  • "Elementos para a crítica da Cibercultura" de Francisco Rüdiger

5 de jul. de 2007

“Me sinto bebendo sólido e comendo liquido, pq simplesmente acabo de ler e não sei o que comentar..”

Essa frase poderia ser de qualquer um entre nós. Foi da Vanessa em uma outra postagem, aqui-agora é minha. Não para sempre, pois como dizia o poeta, “pra sempre, sempre acaba”.
Penso que nos cabe compreender melhor a frase que quase sempre se usa em diversas situações. Podemos usar os conceitos da Escola de Frankfurt, referentes ao texto que estamos trabalhando, podemos usar aquilo que ocupa nossos pensamentos e sensações. Podemos usar outros textos. O importante é a inquietação que essa frase pode produzir e precisa produzir entre nós.
Acho que não demos muita importância a ela, lá atrás. Andressa fez uma interpretação da mesma e até encaminhou uma possibilidade de entendimento para a história do “beber sólidos e comer líquidos”. Como o encaminhamento veio rápido, abro aqui de novo a dimensão polêmica que a frase possui, já que ela dá extensão a uma idéia ou pensamento, mas não consegue produzir outro sentido nessa extensão. Comenta sem comentar. Pode ser um pedido de ajuda, pode ser uma ironia ao texto posto, pode ser mil coisas outras. Entretanto ele foi apenas uma coisa.
Para o pessoal de Frankfurt, a Indústria Cultural (IC) confere as coisas um ar de semelhança. Isso talvez seja o seu pior. Simples; ao tornar o mundo muito semelhante, a tal IC não permite saídas à linguagem que foi instituída e que organiza os desejos e as necessidades. O sentimento de beber sólido e comer líquido naturaliza-se. Sair dessa situação, construir um lugar FORA dessa lógica, inviabiliza-se pelo costume já produzido.
Aos que mesmo assim tentam algo diferente, estabelece-se para esses o lugar do estigma, do marginal, do desORDEIRO. Os pensadores de Frankfurt buscavam denunciar e resistir ao fascismo que se implementava em políticas de governo na Europa e também na vida cotidiana, na relação entre as pessoas. É como se a escuta do FORA fosse abolida. Agora vale apenas a escuta do DENTRO, a escuta oficial.
Isso é trabalhar com a dimensão psicológica a tiracolo. Isso deve nos interessar, pois como já foi dito em outros textos nesse blog, a Psicologia esteve a serviço de práticas fascistas de modo disseminado. O mínimo de uma discussão é por isso em questão e tentar saber mais dessa história, para também se por em questão, como alguém que pratica a psicologia de modo diferenciado na vida social. Adiante então!

30 de jun. de 2007

PARECER DOS TRABALHOS - ABRAPSO

Galeeeeeeera, tenho duas notícas (uma boa e uma ruim, óbvio..): OS TRABALHOS FORAM ACEITOS NA ABRAPSO!! Mas vcs devem estar se perguntando - oSS trabalhoSS?? Pois é, como eu disse em alguma das reuniões, eu fiquei com medo do trabalho não ser aceito como sessão temática e mandei como pôster também!! Ou seja, a notícia ruim é pra mim, pois vou ter que virar em duas pra apresentar os DOIS trabalhos!! Pelo menos o pôster já tá pronto... hehehehe. Então é isso pessoal.... bjos e boa sorte pra mim...

28 de jun. de 2007

beber sólido e comer líquido



“Tudo contém sua negação, tudo contém sua contradição”

Algumas coisas podem parecer muito estranhas a nossa percepção cotidiana, entretanto há muitas outras coisas estranhíssimas que passam despercebidas. As vezes batem em nossos corpos e não fazemos questão alguma de compreendê-las, sequer de reconhecê-las.
Pois bem, acho que esse pessoal da Escola de Frankfurt tinha essa carta no baralho das suas análises e o Pedrinho Guareschi nos aponta isso em seu texto sobre a Comunicação e Teoria Crítica. O texto é curto, mas requer de nós um pensamento que não se entregue às brevidades.
Guareschi lembra que para Karl Marx, “as contradições presentes nas relações de produção maduras” teria por efeito imediato um processo de transformação da sociedade. Revolução social pela consciência das diferenças do viver.
Pois bem, essa promessa-proposta marxista não se deu. As pessoas continuaram cada vez mais a beber sólido e mastigar o líquido e nada de grandes revoluções pipocando pelo planeta. Aqui estamos falando dos primeiros anos do século XX, para se ter uma referência historiográfica.
Pois bem, é nesse cenário que aparece a Escola de Frankfurt propondo ampliar a leitura marxista da vida como ela se faz. Dizem os frankfurtianos que a “crítica radical da sociedade e a crítica da ideologia são inseparáveis”. Isso implica dizer que nada acontece por acaso ou mesmo automaticamente. Se é a liberdade que está em questão, deve-se ter em mente que a liberdade pura, essencial ou plena, é carta fora desse baralho. O mundo se pauta por interesse. Nada se dá desinteressadamente. É necessário para os frankfurtianos, principalmente os dá 1ª geração, tomar partido.
Neutralidades e imparcialidades não cabem na ação que busca transformar a realidade social. Não cabem por também não estarem presentes no pensamento e na ação daqueles que se fazem amigos do capitalismo, por assim dizer. Para a Escola de Frankfurt é preciso “livrar-se da falsa consciência e da coerção auto-imposta”.
Aparece assim na Teoria Crítica um sujeito que sofre para além da mais-valia. Essa frase pode parecer estranha, mas ela quer dizer que ser assaltado diariamente pelo patrão não representa o maior problema na vida do sujeito-trabalhador. Ele pode sofrer também por outros motivos, alguns até fabricados por ele mesmo. Desse modo a psicologia ganha espaço nas análises e proposições dos frankfurtianos.
Por isso Guareschi aponta que a novidade inicial da Escola de Frankfurt pode ser objetivada nesses dois pontos:
· Ampliação do conflito de classe.
· Desenvolvimento da noção de consciência e recuperação da questão da subjetividade.
Bom, desse capítulo, é importante falar também do conceito de Cultura Afirmativa do Marcuse e da Indústria Cultural em Adorno e Horkheimer. Logo falo deles, mas antes seria interessante conversar aqui sobre nossa experiência cotidiana em beber sólido e comer líquido e vice-versa. Abraço!

27 de jun. de 2007

Sobre quinta-feira, dia 5.

Oi gente, na reunião de ontem, decidimos que o próximo encontro seria, quinta, dia 5, a tarde aqui em cada. NÃO VOU PODER. Tinha um compromisso marcado e na hora ele não apareceu entre minhas lembranças. Pode ser na sexta ou na terça seguinte, que é o nosso dia oficial de encontros. O que acham?

25 de jun. de 2007

Capítulo I - A realidade da Comunicação




Além da preguiça(e das ressacas), deixei passar a discussão com o intuito de me aproveitar de coisas que foram ditas e coisas que estavam por ser ditas. E pelo visto vou ter muitas cartas para usar. O texto de Andressa está recheado de argumentos que me irão servir pra explicar o texto de Pedrinho Guareschi. E o que Vanessa mostrou sobre o behaviorismo também me ajudará.
No fichamento em tópicos antes feito, a construção da realidade aparece puxando toda a discussão. Falar dessa construção da realidade atrelada a comunicação envolve um problema de existência. A qual a comunicação possui o duplo poder: de fazer com que exista(se realize) ou fazer com que deixe de existir. Ao passo que uma determinada informação está sendo dita ela se faz existir e é claramente perceptível o poder da comunicação quando faz o contrário, algo que existia e estava em voga agora está não dito e aos poucos vai deixando de existir. Fazer uma realidade deixar de existir por ser silenciada é algo corriqueiro. No Brasil, é comum perceber interesses políticos de certos grupos, que controlam as informações, em dar maior destaque à cobertura de um evento esportivo a uma possível crise politica que possa atingir os seus interesses. E assim silenciando aos poucos consegue-se com que essa realidade passe a não existir e não existindo não lhe causará problemas.
Antes de continuar, atento aqui para uma passagem do texto de Andressa quando ela tava falando sobre indivíduos e sujeitos:
"...percebe-se uma realidade vista como universal, porém tida para cada um como pessoal e circunstancial, que é construída exatamente pela concepção de mundo difundida, através dos Meios de Comunicação. Estes enraizam cada vez mais tais "modos de subjetivação", "intensidades de vida", "desejos", que são os produtores e agenciadores de sentidos de real, compreendendo que o real se cria no social, ou seja, somos co-produtores de nossa realidades e não só meras vítimas iludidas. "
Os meios de comunicação difunde, sim, uma concepção de mundo. E dizer que o real se cria no social também está valendo. Porém, nem todo mundo produz sua própria realidade. Têm muitas vítimas iludidas, sem poder de crítica e sem ver no horizonte uma realidade que lhe seja própria.
Voltando a falar dos interesses atrelado a comunicação entra-se no terreno do poder. ”Quem detém a comunicação, detém o poder” e sendo assim; na construção da realidade, quem detém essa construção, detém também o poder. Poder esse sobre a existência das coisas, sobre difusão de idéias e sobre a opinião pública e sua criação. Aqueles que se sujeitam a esse poder são oprimidos. Já aos opressores cabe a tarefa de definir. Definir grupos sociais como sendo bons ou ruins. Subjugar tudo aquilo que lhe for prejudicial. Desmerecer tais coisas pelo fato ter o não o poder. Já que Andressa diz no texto dela que Foucault considera o poder como "um exercício, que se efetua, uma relação, que provoca resistências, porém nada fixo, mas sim com pontos móveis e transitórios que se distribuem por toda a estrutura social.". E sendo móvel ele pode estar aqui ou ali. Desse modo maleável o poder é barganha pra aqueles que o possui.
No final do texto de Vanessa ela ressaltou o quanto os autores do capitulo II se mostram preocupados com o uso das teorias psicologicas para o controle das classes não dominantes pelas dominantes:
Com isso, constatamos o uso e abuso desta teoria – bem como de outras – ao invés de “somente” contribuir, favorece a instrumentalização, da casta social dominante, que se utiliza dos meios de comunicação, para manter-se dominante e casta” (p.33).
Instrumentalizar a casta dominante é realmente o certo? Dar-lhes mais poderes para cada vez mais aumentar as diferenças sociais é justo?
Talvez ainda tenha o que falar...
=P

24 de jun. de 2007

REUNIÃO terça 26/06/07

O endereço da reunião da terça: Av. Augusto Franco (sendo que é mais conhecida por Rio de Janeiro, ou melhor dizendo, q tem a linha de trem), Residencial Morada das Mangueiras, 3500, Rua H, casa 15. Coloquei o mapa para ficar mais ilustrado, apesar dele ser antigo, pois como podem ver, o condomínio nem existia ainda. De qq forma fica como um certo guia...
Ao chegar a guarita, já terá uma lista com seus nomes, sendo então já liberado pra entrar sem ser necessário interfonar.
Qto aos ônibus que podem ser pegos: - vindo do Terminal Dia = Sol Nascente, Marcos Freire I/III, João Alves, Piabeta; - vindo do centro = Sol Nascente, João Alves (Os que mais confio...).
O horário estabelecido para reunão é de 14:30, ok?
Nos vemos galera... Inté

21 de jun. de 2007

Considerações Finais - Sobre a Televisão

Durante toda leitura Bourdieu aponta para o grande peso simbólico que a televisão exerce. E nesse sentido aparece-nos a expressão “omnibus”, que segundo autor significa “para todo mundo”. Com tal a expressão, o autor chama atenção para as notícias de variedade: fatos ou informações-ônibus constituem notícias que não chocam ninguém, não envolvem disputas, não dividem, não tocam em nada de importante, mas mesmo assim formam consenso e interessam a todo mundo. Elas ocupam tempo e são consideradas fúteis “é que essas coisas tão fúteis são de fato muito importante na medida em que ocultam coisas preciosas”. Nesta afirmação, a quem o autor se refere? As coisas preciosas são ocultadas pela televisão, ou também as são pelo público na medida em que tem consciência que ao ligarem a televisão verão coisas sem tanta importância? Quando a televisão dedica-se a este tipo de informação ela está no mínimo formando uma espécie de monopólio da informação sobre a formação das cabeças de uma parcela importante da população.
Outras linhas do texto colocam que “as notícias de variedades têm por efeito produzir o vazio político, despolitizar e reduzir a vida do mundo à anedota e ao mexerico, fixando e prendendo a atenção em acontecimentos sem conseqüências políticas, que são dramatizados para deles “tirar lições”, ou para restituir sentido ao insignificante...”
A questão é: porque informações que não “acrescentam”, que não chocam, etc, ocupam tanto tempo na vida das pessoas e ainda são capazes de produzir consenso???? Qual seria, então, a “informação ideal” que a televisão deveria passar? O autor tem o ponto do vista que considera a televisão como monopolizadora, ou seja, deixam de passar coisas preciosas para se dedicarem a notícias de variedade. Mas, por outro lado, será que a população seria tão vítima assim da TV?

19 de jun. de 2007

Capítulo IV - Comunicação e Produção da Subjetividade


O presente capítulo vem tratar da relação feita entre os Meios de comunicação de massa e a produção de subjetividade, tendo por ponto de partida o desenvolvimento do capitalismo moderno que afeta as relações de produção e por sua vez determina a construção de uma subjetividade.

Essa subjetividade fabricada, modelada, recebida e consumida atinge o inconsciente dos indivíduos, já que "são afetos produzidos, socialmente, pelo capitalismo moderno e estão diretamente relacionados com o modo dos indivíduos perceberem o mundo, de se "modelizarem" os comportamentos e de se articularem as suas relações sociais". Interessante notar que parece existir uma repetição a menção de modelagem da subjetividade, no Behaviorismo, enquanto que aqui se coloca por modelização, sendo a primeira explicada por aproximações sucessivas, e a segunda é quando a subjetividade é criada socialmente a partir de um processo de homogeneização. Esse processo se dá quando a "subjetividade capitalística" vem trazer uma idéia de individualidade, assim como de interioridade, tal como uma essência humana, pré-social. Este quadro retira o caráter transformador da sociedade, para no fim formar uma massa homogênea, porém estratificada individualmente, com o ideal de trabalhador livre.

Está-se falando de uma grande máquina - o capitalismo moderno - produzindo um "jeito de ser" tanto tanto a nível macropolítico - definindo questões sócio-político-econômico-culturais da sociedade - como a nível micropolítico do desejo - estes que permeiam os pequenos gestos do nosso cotidiano (o qual foi tratado no capítulo III sobre Psicanálise). Ou seja, respectivamente, tem-se, não só num plano representacional (consciência), como também planos semióticos heterogêneos (inconsciente) o qual é reduzida a um proceso de subjetivação dominante e cristalizado por conta do poder. Compreende-se a produção de uma micropolítica como a reprodução (ou não) dos modos de subjetivação dominante, tendo ao mesmo tempo os vetores de expressão criativa (de singularidades) que se delineiam.

Ao se tratar da produção inconsciente, o qual é reduzida aos processos de subjetivação dominante e cristalizada a partir de um poder instituido, Foucault é citado por tratar do conceito da mecânica do poder. O autor vem relatar que ela se expande por toda a sociedade nas formas mais regionais e concretas, por parte de instituições e tomando o corpo através de técnicas de dominação (muito se assemelha às técnicas behavioristas que condicionam o corpo e o apreendem a nível do comportamento). Nesse caso o corpo é dominado pela sociedade, quando penetrando pelo cotidiano, carcaterizado como micropoder, que atravessa as relações no microtecido social. Poder é considerado, por Foucault como um exercício, que se efetua, uma relação, que provoca resistências, porém nada fixo, mas sim com pontos móveis e transitórios que se distribuem por toda a estrutura social.

Adiante no texto, afim de se ter uma melhor visão da questão das formas de dependência, salienta-se que isso se deve ao fato de não só ser conseqüência de processos econômicos e sociais (que envolve forças produtivas, conflito de classes e estruturas ideológicas), como também envolve as relações de exploração e de dominação. Não é a toa que a produção da subjetividade se dá tanto a nível dos opressores como dos oprimidos. No entanto, tudo isso só não dá conta do mecanismo de sujeição da subjetividade que acontece na combinação complexa de técnicas de individuação - em que o a subjetividade tem por carcterística a interioridade e individualidade - e de procedimentos de totalização ou homogeneização já mencionado.

Daí, se aponta para a formação de uma massa que tanto é "indivíduo", como "sujeitos", sendo o primeiro caracterizado como despersonalizado, visto por um ideal igualitário capitalista (fruto da homogeneização) e o segundo resultado de um sistema hierarquizante e autoritário de códigos morais que regem as relações pessoais. Ao observar essa situação, percebe-se uma realidade vista como universal, porém tida para cada um como pessoal e circunstancial, que é construída exatamente pela concepção de mundo difundida, através dos Meios de Comunicação. Estes enraizam cada vez mais tais "modos de subjetivação", "intensidades de vida", "desejos", que são os produtores e agenciadores de sentidos de real, compreendendo que o real se cria no social, ou seja, somos co-produtores de nossa realidades e não só meras vítimas iludidas.

Tentando dar conta dessa idéia do desejo, é explicado no texto como movimentos intensivos que são expressados através da subjetividade, entendidas como modos de os indivíduos perceberem o mundo e articularem suas relações sociais. O desejo, de acordo com Rolnik, é um produtor de universos psicossociais, a partir de três movimentos: 1) por meio dos afetos - intensivo e inconsciente - com o poder de atração e repulsa; 2) quando afetos buscam exteriorizar - tomando corpo em matéria de expressão; 3) Com a formação de territórios existenciais - num plano visível, consciente, estando num aglomerado de diferentes matérias de expressão, onde os afetos se situam e se concretizam.

É exatamente ligando esse processo aos Meios de Comunicação que essa situação se configura, pois se utilizando da linguagem intensiva, que estabelece conexão direta entre as instâncias psíquicas (definem o modo de perceber e constuir o mundo) e o que é produzido pelo capitalismo. Por isso o desejo se torna uma intensidade nômade sempre à procura da linguagem para que possa se expressar. Assim o processo basicamente acontece quando a mídia capta as intensidades (que são movediças e mutantes), que são investidas de significados ao se criar uma linguagem onde o desejo se concretiza e acontece, daí a formar o desejo no social. Com isso o desejo perde ou anula seu anterior caráter ativo de possibilidade de produções singulares no social, que também faz perder a possibilidade de uma multiplicidade de singularidades revolucionárias. Tal fato aconteceu já que o desejo se vinculou a uma intensidade homogeneizadora de sentidos.

Portanto é possível afirmar que os Meios de Comunicação são um importante equipamento maquínico capitalístico, já que cria o indivíduo do capitalismo mundial integrado (globalizado), ao mesmo tempo produz uma massa desenraizada produtiva (ou seja um indivíduo que técnico, que não se importa com sua história, que esquece dela), o que mantém um sistema hierarquizante de produções. É através dos Meios de Comunicação, em que a massa social não se comunica, que se ratifica como um meio bastante eficiente na criação de códigos totalizantes de dominação.
No entanto, "os movimentos se desmancham e novos se articulam de forma independente", assim se coloca no texto, afim de mostrar que é possível burlar a interdição da mídia e desenvolver circuitos de comunicação auto-suficientes e de exteriorização intensiva de atualidade, que traz a oportunidade de potencialidade de ação capaz de fazer implodir ou explodir as estruturas institucionais hegemônicas. Da mesma maneira, a forma estética pode, enquanto intensidade criativa, não só socializar a memória, como também recuperar o potencial de transformação e construção do social, através da criação de uma outra linguagem transversal, transubjetiva e social.

18 de jun. de 2007

Capítulo II: Comunicação, Gestalt e Behaviorismo

O texto de Lazzarotto e Rossi vai relacionar o behaviorismo e a Gestalt com a comunicação social, pois elas julgam que os princípios básicos dessas teorias psicológicas permitem uma reflexão a cerca da comunicação. A medida que o texto apresenta esses princípios, são relacionados como a publicidade, em especial, utiliza-se deles. Enfatizei principalmente a Gestalt por que acredito que seja a teoria que a maioria tem menor conhecimento. Além disso, relacionei sempre que lembrei com alguma propaganda que se utilizava da teoria, ao menos aparentemente.
Os anúncios e os anunciantes passam a se utilizar mais fortemente destas teorias e de outras a partir do momento que informar sobre o produto simplesmente não funcionava mais para a venda destes, assim essas mensagens passaram agora a impulsionarem uma compra irracional.

O condicionamento e o comportamento observável são os conceitos behavioristas mais utilizados pela mídia. Acredito que a Propaganda nova da Skol, aquela dos ratinhos, é muito clara nesse sentido. Por que as propagandas se utilizam desses conceitos indiretamente, mas essa propaganda ela mostra o behaviorismo explicitamente.
O outro conceito do behaviorismo importante é o comportamento reflexo (involuntário) e o operante. A idéia do comportamento operante acho que reforça aquela discussão que teve a partir do fichamento de Nelma do capítulo III. Quando as propagandas de refrigerante, por exemplo, colocam pessoas famosas e bonitas, faz com que os consumidores que a bebem vejam como conseqüência o sucesso e não a celulite. Nesse caso, a sede seria o estímulo incondicionado, beber o refrigerante o estímulo condicionado e o reforço seria o sucesso.
O reforço também está presente nas propagandas. O positivo quando os produtos “prometem” exclusividade, bom preço, prêmios, beleza, sucesso e etc. e o negativo é mais usado com o produto concorrente. A modelagem, condicionamento a partir de aproximações sucessivas, também é utilizado pela comunicação. Isso se exemplifica com o lançamento de produtos, em que o produto ele vai surgindo aos poucos, mesmo nas propagandas. A gente pode ver um exemplo aqui em aju, com o lançamento do Burger King, primeiro tinha lá uma construção no shopping e ninguém sabia o que era depois colocaram um site (http://www.soumuitocurioso.com.br/) que não falava o que era o produto, quando você entra descobre qual a loja, acredito que em breve o produto irá cada vez mais ser destacado.

A gestalt tem 3 postulados:
1 – O todo é percebido de maneira distinta da soma das partes. Em comercial a gente pode ver, por exemplo, a propaganda da antártica, porque tem a cerveja e Juliana Paes, e juntas formam a BOA, assim cada separada são diferentes das duas juntas.
2 – No processo perceptivo percebe-se o campo estimulatório constituído de fenômenos ligados por associação.
3 – O campo perceptivo é organizado. Assim a mídia aparece como “perfeita”, “cabada”, o indivíduo não se dá conta do imperfeito, e não parte para a crítica e reflexão, consumindo sem pensar.

Outro conceito da gestalt é a percepção figura e fundo, em que algo está destacado -figura- e algo está como o nome diz de fundo. Um exemplo claro deste, são as propagandas de cigarro, em o cigarro como figura, aparece bem destacado e como fundo aparece à frase “fumar é prejudicial à saúde”.

São 5 os princípios, vou falar os que mais me chamaram a atenção:
àProximidade: “os meios de comunicação colocam sempre próximos o produto ou imagem a ser vendida com algo que lhe traga benefícios e vantagens”.
Assim, acredito que diferentemente da Psicanálise, as propagandas com cunho sexual, não sexualizam o produto e sim, fazem com que o produto tenha uma imagem positiva, ou que seu consumo produza algum benefício que não necessariamente sexual. Acho que continuo sem concordar com aquela idéia do capítulo III.
àSemelhança: “o produto vendável ao lado, ou ligado a uma figura importante, famosa”. Esse conceito é comumente visto em muitas propagandas.
àExperiência passada: “o indivíduo faz associação direta com sua própria experiência”, por exemplo, a associação da boa qualidade de determinada pasta de dente e o beijo.

“Os meios de comunicação munem-se de condições para manipular não somente o sujeito, mas também sua forma de conhecer objetos.” (p.31) Assim, utiliza-se da freqüência de repetição do slogan, a intensidade, a mudança de movimento (é mais atraente uma propaganda com uma pessoa falando do que parada), e ainda a sensibilização do mecanismo de percepção individual.

As duas teorias enfatizam o ambiente, e as respostas e percepção do sujeito. Dessa forma, as duas servem à manipulação ou ao menos a possibilidade de manipular o sujeito e talvez por isso, são tão amplamente usadas pela comunicação social direta ou indiretamente e consciente ou inconscientemente.

“Com isso, constatamos o uso e abuso desta teoria – bem como de outras – ao invés de “somente” contribuir, favorece a instrumentalização, da casta social dominante, que se utiliza dos meios de comunicação, para manter-se dominante e casta” (p.33). Acho que devemos pensar sobre isso...

Bem é isso...