5 de mar. de 2008

"uma entrevista cartografada"

Para ser um entrevistador tem-se que, antes de tudo, estabelecer uma posição de cartógrafo; assim como fala Suely Rolnik em seu livro “Cartografia Sentimental – transformações contemporâneas do desejo”. Cartografar é acompanhar a transformação da paisagem (Rolnik, 1989. p. 15), é transformar e transcrever junto com quem se modifica, é movimentar-se junto com os movimentos de quem é cartografado.
As cartografias mostram as transformações dos mundos de cada um, seus desdobramentos, abandonos de formas antigas, recuperações de mundos passados, criação de novos mundos. Todas essas movimentações são motivadas pelo desejo, ele é o “processo de produção de universos psicossociais” (Rolnik, 1989. p. 25). Ele é o início, a intensidade que transforma e produz, trabalhando com os elementos mais diversos dos quais tem acesso.
A transformação e a produção de mundos têm um elemento diferencial, eles possuem processos visíveis e invisíveis que produzem algo que Rolnik chama de “máscaras”, não falsidades ou omissões, mas sim, faces que se apresentam de diversas maneiras e que podem mudar a qualquer momento, “a máscara funciona como condutor de afeto (...) ganha espessura de real, ela é viva e, por isso, tem credibilidade: é verdadeira” (Rolnik, 1989. p. 31). Quem olha de fora, só consegue enxergar a máscara já constituída, o indivíduo transformado que se apresenta ao mundo, mas, um cartógrafo, que está em busca de acompanhar essa transformação, percebe também seus elementos mais discretos, os desejos, os afetos que levam à mudança e à criação. O cartógrafo acompanha o visível para descobrir o invisível.
E está aí a principal diferença entra a cartografia e o mapa, mapear é descrever o que já aconteceu, depois de modificado. Cartografar é acompanhar a modificação em todas as suas fases, seus momentos, seus movimentos de transformação; dessa forma, uma cartografia pode demonstrar intensidades e afetos que se manifestam, mesmo estes não aparecendo no plano visível, pois ela os acompanha na medida em que segue o movimento de criação.
Sendo estas máscaras, posições que se pode estabelecer no mundo, elas podem ser várias, se modificar e adaptar-se ao externo a qualquer momento. Para que isso aconteça, são necessárias três movimentações: primeiro o desejo deve ser gerado e tornar-se capaz de ser exteriorizado, deve haver atração de afetos. Essa atitude, em certa medida, depende de um cartógrafo-entrevistador, ser capaz de manter uma relação com quem entrevista na qual os desejos e as intensidades sejam trazidos à tona e possam materializar-se em máscaras. O que a experiência da entrevista veio proporcionar foi isso, a materialização dos afetos para que o interior se tornasse visivelmente presente; e sem a manutenção do ambiente em que os afetos podem sentir-se “livres”, não é possível que isso aconteça.
Num segundo momento, está presente no entrevistado a sensação de habitar o espaço, de poder representar suas máscaras livremente, sem precisar modificá-las a maneira do cartógrafo, mas sim, do seu desejo. Está-se dentro da entrevista, as respostas fluem e as perguntas são construídas acompanhando a trajetória do que é respondido, buscando-se, cada vez mais, a presença dos afetos no ambiente.
Se o segundo momento não se completa, o terceiro não aparece. Este último movimento é aquele da “territorialização” de transformar e manifestar afetos e desejos, de construir o mundo. Por vezes, acontece em meio à passagem do segundo momento para o terceiro, um estranhamento; mas o entrevistador-cartógrafo deve trabalhar para que isso seja positivo, pois, é através do contato com o estranho e com o diferente que os mundos se transformam e se renovam. O estranhamento com uma pergunta permite um pensamento sobre ela, uma opinião que será inovadora, nunca pensada, uma posição que se forma enquanto se pergunta e o cartógrafo-entrevistador acompanha tudo isso acontecer, presenciando a criação das máscaras dos afetos do início, quase em contato com o próprio desejo. O desejo passa a estar em contato com o momento da criação e da percepção do entrevistador.
Em cada situação e vivência que presenciamos, colocamos novas máscaras, elas nos ajudam a interpretar e dialogar com o externo, de forma que a atração dos afetos tornem-se materializadas e algo possa acontecer, como um diálogo em uma entrevista, por exemplo. Nem sempre somos os mesmos, não agimos da mesma forma sempre e cada forma de agir depende da atração e da intimidade dos afetos que se encontram, cada forma de criação é um mundo, uma realidade que se estabelece para aqueles que se afetam. E, por sua vez, cada mundo é uma realidade que transcende um plano individual e atinge a existência do social, o desejo, que parece tão íntimo, não se encontra separado da realidade do social, mas sim, é projetado para ele.
Desejar é adaptar sua máscara ao social que lhe é apresentado, obedecer à troca de intensidades dos afetos, mas de forma que se configure como, realmente, uma troca; um consentimento mútuo de afetos que podem se complementar e não se anular, complementação do desejo com o social, com a realidade.
Esse foi o trabalho e a experiência da entrevista: cartografar, acompanhar os movimentos como eles se apresentam, na sua gênese e na sua transformação; ser acompanhante ao mesmo tempo em que transformador do existente. Ter por caminho apenas o desejo e por guia, os afetos; conduzir uma cartografia e transformar e produzir um mundo.

4 de mar. de 2008

ATA - Reunião 05.03.08

  • Participação de Helmir (falando sobre sua monografia, possibilidade de participação no grupo, participaçao no blog e no email do grupo)
  • Kleber: apresentação e discussão do texto de Suely Rolnik "Toxicômanos de identidade: subjetividade em tempo de globalização", postado aqui no blog.
  • Encaminhamentos da pesquisa PIBIC
  • Presença: Andressa, Herica, Jade, João, Karyne, Lázaro, Laura, Marcus, Rafaela.

TAREFAS:

  • Pibiqueiros: terminar a realização e a transcrição das entrevistas em 15 dias (18.03.08)
  • Todos (sem a obrigatoriedade de Andressa, Marcus e Herica) : começar a análise e discussão de uma entrevista aqui no blog.

PRÓXIMA REUNIÃO:

  • A discutir / não haverá reuniao na próxima semana

3 de mar. de 2008

Precisamos perguntar!

“Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer. E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo. E precisamos todos rejuvenescer” .
(Belchior – Velha roupa colorida)

Esse pequeno fragmento do cancioneiro popular cearense aponta que na década de 70, já se antecipava à condição juvenil, a circunstância RE. Rejuntar, refazer, repensar, reviver, reatar, rejuvenescer. RE em tudo que aparecia, de modo a modificar a aparência.
Pois bem, de lá pra cá, o RE passou a ser usado com maior freqüência e também a significar um estrato de tempo cada vez menor. Se lá (anos 70) a (re)atualização indicava uma ruptura com a década que ficara pra trás, hoje não seria exagero supor, que se luta para deixar de ser o dia de ontem. Muita velocidade para experimentar a vida. Não dá tempo. Re-experimentar talvez permita saber melhor. Não há tempo. É isso que se vive.
Sevcenko (2001) nos apresenta a vida agora como um passeio no loop da montanha russa. Lá o tempo sequer se conta como experiência. Um quase surto.
É disso que trata Suely Rolnik (1997) em Toxicômanos de identidade: subjetivação em tempo de globalização. Suely aponta que as subjetividades se produzem em meio a afetos cambiantes, embriagados pela aceleração das coisas pulverizadas no ar, coisas líquidas como diria o Bauman (2004). Qualquer coisa hoje parece habitar a condição líquida. Contrapartida dessa liquefação nos modos de existir, persiste nas pessoas a vocação moderna de constituição de uma “referência identitária”. Crise que se intensifica, acentua Rolnik. Como ser, onde pelas condições de vida, já não se permite a estabilidade da experiência de ser?
A impossibilidade de ser moderno tenciona a experiência de quem se vê às feras no pós-moderno mundo RE. Aí só enchendo a cara ou coisa que o valha. Surgem os toxicômanos da identidade, onde tudo vale para SER, mesmo que esse ser seja ilusório ou líquido. Psicotrópicos, maconha, cocaína, álcool, tv, internet, literatura de auto-ajuda, esportes radicais, igrejas-show, dietas, definição corporal, cirurgias estéticas, etc e etc. Tudo isso e mais outros tantos dispositivos que vendem a ilusão de ser, se apresentam à experiência humana contemporânea. Esses dispositivos são recursos à disposição de um sujeito com medo, que anseia por ser.
Esse parecer ser o diagnóstico de Rolnik (1997). Consumo que se intensifica para produzir uma identidade ou representação de si. Diante do terror desse modo de existência que se generaliza, Rolnik teme pela ética na vida. Como um sujeito tomado pela carência pode por em questão sua vontade? Resistir é preciso, mas como? Como resistir sem uma verdade dura? "Hay que endurecer-se Pero sin perder la ternura jamás!" diria Che. Mas ternura como? O que dizem as pessoas da amizade que mantém, da necessidade de identidade para ser reconhecido e de consumo para se sentir inserido na vida. Precisamos perguntar.

RB.
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
ROLNIK, Suely, Toxicômanos de identidade: subjetividade em tempo de globalização. In LINS, Daniel. Cultura e subjetividade: saberes nômades. Papirus: Campinas, 1997 (19-24)
SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

26 de fev. de 2008

Imitação da Subjetividade

Utilizando-se de uma linguagem simplória podemos explanar alguns pontos importantes em que o texto retrata a emergente perda de identidade que está acontecendo no mundo globalizado.
Diante do constante ataque fulminante da tecnologia, da robótica e da cibernética em que presenciamos na atualidade, percebe-se também uma constante perda da personalidade de cada indivíduo.
A globalização faz com que se produzam os chamados kits de perfis padrão, de acordo com os anseios do mercado (e aqui poderemos citar as modas lançadas nas novelas bem como nos sites da internet que são seguidos a risca pela massa) que são extremamente flexíveis. As identidades locais e as características étnicas e culturais locais estão desaparecendo para dar lugar ás produções em grande escala e que previnem a diferenciação entre grupos.
Evidente que isso não implica necessariamente em uma recusa aos contornos da modernidade, contudo deve-se ter um certo cuidado e saber diferenciar uma abertura para o novo, ou seja, novos produtos, novas tecnologias, novos paradigmas, de uma perda da sua subjetividade, o que retira do indivíduo a sua capacidade de auto-dicernimento.
Uma das várias espécies do mercado e de suas exigências é o de drogas que sustenta e produz a demanda da ilusão e promove uma espécie de toxicomania generalizada – e aqui o texto explana várias espécies de drogas: não se fala aqui apenas em drogas farmacológicas que promovem a ilusão da identidade do indivíduo, mas também as drogas da televisão que influenciam consideravelmente na subjetividade, a droga oferecida pela literatura da auto ajuda, e enfim as drogas oferecidas pela tecnologia (que vem como conseqüência da globalização).
Assim, diante do exposto, percebe-se através da leitura do texto que estamos diante de uma constante força atrativa provocada pela globalização e seus efeitos, esta força tende cada vez mais a retirar da pessoa sua verdadeira identidade, a “despersonalizar”, para incutir um estereotipo globalizado que vai se adequar aos anseios do mercado.

Texto original retirado de: http://caosmose. net/suelyrolnik/ pdf/viciados_ em_identidade. pdf



OBs: Obtive uma enorme ajuda neste texto de um amigo meu, Italo (estudante de Direito), que se interessou pela temática e pelo texto em específico, e me ajudou bastante no texto e na discussão inicial em torno dele. Somos, então, dois autores do texto acima. Desculpem se não era permitido, mas seria injusto não creditar esta participação.

Identidades Globalizadas

Globalização: ligação de mundos distantes, integração, troca; quando alcançou a tecnolgia e a economia, essa simples palavra se transformou no motor do mundo moderno. mas a globalização pode atingir ainda mais fundo, não promover apenas a comunicação de Toquio e Brasília, mas também atingir o que as pessoas achavam ter de mais concreto num novo mundo onde tudo se transforma: sua identidade.
A moderna globalização provoca dois movimentos, um, onde as identidades são atingidas por suas novidades e intensas transformações, no qual se perdem e são forçadas a renovar-se; no outro, o problema de virar um "nada" e a insistência em estabelecer uma referência, uma identidade, são constantemente expostos a quem é atingido por tantas transformações. A mesma modernidade que renova quer impor uma estabilidade que ninguém é capaz de manter.
Esse duplo movimento faz as transformações nas tão amadas identidades parecerem monstros da modernidade que querem arrancar cabeças, deixando todos sem algo no que apoiarem sua estimada subjetividade. Contra essa possível eliminação "do que eu sou", as pessoas buscam diferentes caminhos. Todos eles levam ao mesmo horizonte, a anestesia contra a mudança e o pensamento de esvaziamento de identidade; todos esses caminhos mantêm uma "ilusão identitária" de algo fixo que não é mais capaz de existir.Qual é a receita para esse mal-estar? Drogas, de todos os tipos: farmacológicas, lícitas, ilícitas; televisivas, imagens publicizadas e transformadas em ícones, ideais; produtos que promovam a transformação nesses ícones.
Porém, como todos sabem, o melhor caminho quase sempre é o mais difícil, e buscar se encaixar em um desses "perfis-padrão" que a globalização cria para modelar as figuras de cada um não é o melhor deles. O caminho é o enfretamento do vazio, como um adolescente, experimentar a falta de significado e, já que se tem tantos para escolher, no fim, quem sabe, encontrar algum.
Rolnik, S. (1997) "Toxicômanos de Identidade. Subjetividade em tempo de globalização", pp. 19-24. Cultura e Subjetividade. Saberes Nômades. Org. Daniel Lins. Campinas: Papirus.
Disponível em
Acesso em 19 de Fevereiro de 2008

25 de fev. de 2008

Mais do mesmo : "Atrás da exata calibragem"

Apesar de ter pavor a essa revista de quatro letras, achei prudente postar o texto de Toledo. É mais do mesmo e só ratifica aquilo que já havíamos discutido, mas...




Até onde ser mulher, até onde ser negro: osdesafios de Hillary Clinton e de Barack Obama
Ser mulher e querer ser presidente dos Estados Unidos ou ser negro e querer ser presidente dos Estados Unidos são aspirações que exigem do ser humano bem mais do que se costuma exigir. Hillary Clinton e Barack Obama, os líderes na disputa pela candidatura do Partido Democrata à eleição deste ano, estão envolvidos numa empreitada hercúlea. Ser mulher e ser negro lhes é permitido, o.k., disso eles não podem fugir – mas nada de exagerar. Saber até onde pode ser mulher, num caso, e até onde cai bem ser negro, no outro – eis um desafio visceral, que se soma aos de fazer história e ameaçar tabus. Demanda uma calibragem de cujo fino ajuste dependem a vida e a morte eleitoral.

Hillary, ao decidir se lançar na carreira política, decidiu simultaneamente renunciar à condição de mulher. Desde que, na presidência do marido, ganhou tarefas como a de coordenar a reforma do sistema público de saúde, adotou o modelo da executiva fria, forte nos números, preocupada com os pobres, sim, mas nem por isso disposta a, como a princesa Diana, posar ao lado dos famintos. Não chegou a encarnar uma Margaret Thatcher, a menos mulher de todas as mulheres que já comandaram um país – tão difícil de imaginar pondo o neto para dormir quanto fácil de supor a varar noites em articulações com parceiros fumando charuto –, mas também se posicionou o mais distante possível do modelo fada-madrinha de Eva Perón. No Senado, seu mais famoso voto, pelo qual hoje é insistentemente cobrada – o de apoio à invasão do Iraque –, foi voto de macho. Se fosse homem, talvez se permitisse votar contra. Sendo mulher, nunca. O voto contra poderia ser interpretado como fraqueza de mulherzinha.

Eis, no entanto, que na semana passada, na véspera da eleição prévia de New Hampshire, Hillary – coisa jamais vista! – chorou. A rigor, não foi nem choro. Numa conversa com eleitoras, uma perguntou como ela conseguia agüentar o stress da campanha, e a candidata ficou com aquilo que nos romances populares se chama de "olhos rasos de lágrimas". A cena, de tão incomum, foi repisada mil vezes na TV. Os assessores de Hillary se apavoraram. Um homem ficar com os olhos rasos de lágrimas se tolera. Já uma mulher vira mulherzinha. Como pode uma pessoa dessas governar a maior das potências? Já se sabe o resultado desse fugaz momento de fraqueza: a ele foi atribuído o fato de, contrariando as pesquisas, Hillary ter vencido a eleição de New Hampshire. Bendito choro. Mostrou-a humana e mulher. Mas isso não quer dizer que Hillary deva sair chorando pela campanha eleitoral afora. Indica apenas que nem sempre é preciso ficar em guarda contra a condição de mulher, ou contra manifestações que o estereótipo dá como femininas e condena como incompatíveis com o exercício do poder.

Barack Obama, embora mulato – sua falecida mãe era branca –, é, sob certo ângulo, o negro mais negro que jamais freqüentou a política americana. Na semana passada correram mundo fotos e filmes de sua avó paterna, uma octogenária que mora na zona rural do Quênia, na mesma aldeia em que nasceu o também falecido pai do candidato – uma avó que fala suaíli e usa os característicos vestidos, turbantes e colares coloridos. Não há no panorama político americano personagem com ascendência africana tão próxima. A mulher de Obama é negra, ou mulata, como ele. Quer dizer: o sucesso não o levou a aderir ao padrão Pelé de certos negros brasileiros bem-sucedidos. Obama converteu-se ao cristianismo, mas a família paterna é muçulmana.
Eis, no entanto, que esse negro de trajetória tão assombrosa, um Lula em escala global, em que o Quênia faz o papel das favelas e do pau-de-arara das origens do presidente brasileiro, está a grande distância do negro típico da política americana. O típico é o militante dos direitos civis. É Martin Luther King ou, em anos mais recentes, Jesse Jackson, que, aliás, também chegou a se lançar candidato a presidente. Andrew Young, outro veterano militante dos direitos civis, hoje na campanha de Hillary, disse há pouco que Bill Clinton é mais negro do que Obama. "Com certeza Clinton já teve mais mulheres negras do que Obama", acrescentou. Era uma piada, claro, mas adivinha-se que uma piada saída do fundo do coração. Obama é um negro que toma suas distâncias da política negra habitual. É aquilo que se convencionou chamar de "moderado". Por isso mesmo é um candidato competitivo, e não, como Jesse Jackson, um negro que entra nas campanhas para marcar presença.

Se houvesse só uma mulher, ou só um negro, concorrendo, em condições de vencer, à candidatura do Partido Democrata, a disputa já seria demais de boa. Ter os dois, como está ocorrendo, é a glória, ainda que a mulher tome seus cuidados para não ser tão mulher assim, e o negro para não ser tão negro. O simbolismo permanece. E tem valor duplicado quando posto em contraste com os horrores da era Bush e seu coquetel de guerra no Iraque, Guantánamo, oficialização da tortura e outros desastres. A glória de abrigar uma disputa eleitoral entre Hillary e Obama é da democracia americana.

18 de fev. de 2008

Hillary ou Obama


Em novembro desse ano acontecem as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Os republicanos já escolheram seu candidato, John Mc Cain. Os democratas decidem entre Hillary Clinton e Barack Obama.
John Mc Cain não representa nenhuma novidade. Obama além de ter o sobrenome “Husseim” é negro e filho de imigrante africano muçumano. Obama não usa o fato de ser negro para se promover, nem Hillary usa o fato de ser mulher. Ela não levanta a bandeira do feminismo, ele não faz discursos contra o racismo.
Independente de quem seja escolhido pra representar o partido Democrata, caso se eleja, será uma mudança. E essa mudança vai muito além do fato de um negro ou uma mulher se eleger presidente. Não seria a vitória de um negro, ou de uma mulher, seria a vitória de Hillary ou de Obama. Seria a vitória da igualdade que não levanta a bandeira da igualdade – isso sim é igualdade.
Mas realisticamente falando isso é um pouco difícil de acontecer. A igualdade não é tão igualitária assim. A modernidade não é assim tão moderna e tem medo de mudanças.


Referência:

CALLIGARIS, Contardo. Eleições Americanas. Disponível em:
< http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ ilustrad/ fq1402200825. htm > , acesso em 14/02/2008.

17 de fev. de 2008

Escolhas (norte)americanas

O que representam as eleições norteamericanas?
Bom, o cenario que se apresenta põe um negro descente de islamicos e uma mulher como grandes personagens do lado democrata e um ex-militar como grande nome entre os republicanos. Sobre esse último, nao ha muito a se dizer: ele é ainda o produto da velha tradição norteamericana de honra aos herois de guerra (apesar de muitos nao serem herois propriamente ditos).

Eis, entao, que as eleicoes norteamericanas - normalmente ja um prato cheio para noticiarios de todo o mundo - ganham ainda mais notoriedade. Obama é o preferido entre os joves e de postura mais "moderna", enquanto Hilary... Bom, Hilary seria uma mulher à frente da maior potência mundial. Contra o censo machista, os americanos nao estao muito preocupados com isso. E nem a propria candidata que nao parece mostrar-se adepta de propostas feministas.
Do mesmo modo, apesar da explícita preferencia desse eleitorado, Obana nao se arrisca no irregular piso do racismo. É negro, mas se prefere a moderação. Ou seja, as eleições nos EUA sao até certo ponto decepcionantes para a mídia: há uma mulher notória por perdoar o marido depois da traição e um negro (de sobrenome Hussein) que prefere não lembrar o povo da imensa distinçaõ racial...
This is the Americanway of life!!!

Ciberespaço público e Ambivalência

A ambivalência acaba por perpassar a noção de espaço público na internet. Esta não é apenas uma constatação que se faz por si só, ou mesmo inerente ao ciberespaço, ela se constrói através da análise do uso que se dá a esta nova configuração de espaço público, como mostram, por um lado, Paula Sibilia¹ e por outro, José Carlos Correia².
Os autores vêm mostrar que, simultaneamente, o espaço público gerado pela emergência do ciberespaço, hora é utilizado como vitrine de si, hora como um espaço de encontro e troca. Sabemos que é característica deste novo espaço esta configuração fluida, multifacetada e de significações plurais. Ainda carregando a virtualidade como sua principal característica, estas qualidades imprimem nos ciberespaços públicos um grande potencial de ser aquilo que se fazem dele, pois a potência dos mesmos se atualiza no seu uso. Então é possível identificar essa tal ambivalência, pois se de um lado, como mostra Sibilia, a intimidade está transbordando e inundando os espaços públicos, transformando-os em vitrines de si, em mostruários egóicos onde o “eu” transforma-se em produto de consumo; por outro, diz Correia, o ciberespaço carrega a descentralização dos discursos e suas possibilidades semânticas, fortalecendo instâncias de encontros e trocas marginais, criando, assim, uma maior diversidade significativa, uma espécie de circuito outsider.
Fica claro que a primeira possibilidade aqui apresentada, aparece e fala (de si) muito mais alto que a segunda, até porque é de sua natureza. Mas não se deve pensar que a segunda não existe ou mesmo que seja utópica, pois ela existe e desenvolve-se subterraneamente, de modo silencioso, por entre as sombras das luzes dos holofotes.

¹SIBILIA, Paula. Viver em casas de vidro: "Big Brother", webcams e blogs abrem frestas na intimidade, complicando a velha separação publico-privado. 2008. Disponível em: < http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2946,1.shl >
²CORREIA, José Carlos. De que modo a noção de espaço público altera-se na rede e afeta conceitualmente o webjornalismo cultural?. In: org. BRASIL, André; FALCI, Carlos H.; JESUS, Eduardo de; ALZAMORA, Geane. Cultura em fluxo: novas meditações em rede. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2004

13 de fev. de 2008

ATA - Reunião 12.02.08

  • De 8:30 às 9 hs: Reunião PIBIC
  • Presença: Andressa, Herica, Jade, Karyne, Laura, Marcus, Rafaela
  • Sobre as entrevistas: como aconteceram
  • Mês de Fevereiro não haverá reunião, funcionando somente o email do grupo e o "Li e Disse isso".
  • Possibilidade de apresentação dos nossos trabalhos na Semana de Psicologia

TAREFA:

  • Transcrever a primeira entrevista e ler o livro "Cartografias Sentimentais" de Suely Rolnik para fazer uma análise relacional entre os dois.
  • Prazo para esta atividade: 04/03/08

9 de fev. de 2008

Paradoxo entre o se exibir e o se privar

Hoje fica claro que existe uma ansiedade por exibição, pois tudo que se é, deve ser visto para ser e cada um é aquele que mostra de si, investindo com isso todas as suas munições na aparência. Os recursos vão os mais diversos: de webcams aos paparazzi, dos blogs e fotologs ao Youtube e o Orkut, das cameras de segurança aos reality shows.
Existe no modo de vida e valores privilegiados pelo capitalismo, um verdadeiro "mercado de personalidades", sendo que cada qual com suas habilidades de autopromoção. Trata-se da subjetividade que vigora no séc. XX de desejar ser amado, na busca desesperada pela aprovação alheia e para tanto, procura tecer contatos e relações com os outros.
Mas existem movimentos paradoxais que veio ao longo da história até contemporâneidade, em que existia uma valorização do espaço da privacidade para se produzir uma subjetividade própria, e que no auge da cultura burguesa, ocorriam relatos de si através de escritas intimas, como se fossem um deciframento de si. Por outro lado, atualmente, as versões cibernéticas da escrita de si, apesar de também solitárias, tem um caráter ambigüo, pois se instalam numa publicidade total.
Mesmo hoje, o paradoxo vai além, pois se por um lado se é zeloso com a preservação de certos dados pessoais da privacidade, por outro, promove-se uma verdadeira evasão de privacidade em campos que a intimidade era resguardada por sólidos muros e portas fechadas.
É evidente a separação de público e do privado, que antes era mais enfatizado do que nunca e de uns tempos para cá passa por uma mutação, como se desvanescessem tais limites, superanto tal dicotomia.
Postagem a partir do texto de: SIBILIA, Paula. Viver em casas de vidro: "Big Brother", webcams e blogs abrem frestas na intimidade, complicando a velha separação publico-privado. 2008. Disponível em: < http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2946,1.shl > . Acesso em: 08 fevereiro 2008.

7 de fev. de 2008

Ativista Racker

Hacker já foi sinônimo de nerd ou vândalo, às vezes as duas coisas. Mas no contemporâneo, onde tudo se transforma muito rápido, se adaptando as exigências do momento, os racker (num movimento de transformação que vem ocorrendo já há alguns anos) começaram a desempenhar um novo papel.
Num cenário de aquecimento global, transgênicos, desigualdades sociais, fome, entre outras coisas, dá-se um surgimento de um novo hacker, ou como já é conhecido, o hackertivista, o nome chega a se hilário, porque parece ser a mistura das palavras racker com ativista, meio esdrúxulo não acham? Enfim, o rackertisva, ou ativista-racker é um misto de programador e ativista social, que age não para chamar a atenção para si, mas para suas causas políticas.
Eles através de sites “alternativos”, agindo no espaço virtual, têm uma atuação mais eficiente que grupo que têm suas ações diretas ruas. Seu campo de atuação é bastante vasto, age em vários países, com protestos e táticas variadas. Os mais tradicionais agem, sobretudo na luta pró-liberdade de expressão, pelos direitos humanos e por uma justiça social e política.

Imanência: um devir iminente

A história da humanidade foi até pouco tempo uma narrativa de acontecimentos que pareciam obedecer a uma lógica cruel e massificante dos indivíduos. Seu poder parecia fazer-nos fantoches representando papéis fixos (lineares) destas narrativas ou meros coadjuvantes das clássicas histórias que sempre reservavam um final feliz para o mocinho. Imperava a cultura da transcendência.
A pós-modernidade, contudo, marca o suspiro dessa sociedade estamental. Ela começa nos nossos dias a sucumbir diante de uma força ímpar que inaugura um novo tempo, rompendo com o sistema de linearidade em que se sustentava a cultura transcendente. Uma revolução silenciosa para muitos, idealizada por muitas mentes incompreendidas e durante anos relegada ao porão da história.
Nesse novo tempo, “a vida evolui pela sobrevivência diferencial de entidades replicadoras". Não há mais espaço para o mesmo de sempre, para o fixo ou o constante. Tudo pode ganhar as mais variadas formas: torcendo-se, retorcendo-se, embricando-se, tocando-se, multiplicando-se, extingüindo-se... É tempo da cultura da imanência, do vir-a-ser. Aproxima-se a era do fim das verdades apodícticas, quiçá do fim da "verdade" - assim como da mentira.
Eis o arqui-culturalismo. As instituições baseadas na tríade autoridade-unicidade-linearidade perdem espaço e se vêem às portas da bancarrota. Em seu lugar surgem produções sempre novas, sempre transitórias, graças às conexões em rede de que fazem parte.
Segundo os autores, ainda que tente um esforço pra se reerguer, a cultura da transcendência não consegue êxito. A natureza de imanência anárquica das redes lhes permite escapar das armadilhas, elas não pertencem a um país, estado político ou se subordinam aos sistemas jurídicos. Trata-se de revolução já consolidada: “os hackers multiplicam-se à medida que são controlados.”

28 de jan. de 2008

Reversível e inconstante

Antes havia uma “instituição cultural” que ditava um único caminho a ser seguido. Todos deveriam caminhar em uma única direção, a estrada principal era uma linha reta. Tinha-se, assim a hegemonia da cultura da transcendência.
Entretanto, o surgimento do mundo virtual permitiu que essa hegemonia fosse quebrada. Desse modo, a cultura da imanência pôde proliferar-se. Na cultura da imanência as estradas apresentam várias curvas, há múltiplas possibilidades de caminhos a serem seguidos. Todos esses caminhos estão conectados através de uma rede. Essa rede apresenta um fluxo constante e é esse fluxo que mantém a rede viva.
A solidez da cultura da transcendência deu lugar à fluidez da cultura da imanência. Não há constância, não há irreversibilidade. No mundo da cultura da imanência, a única coisa que é constante é a inconstância da constância.
Agora o valor de um produto cultural é dado por sua flexibilidade, por sua capacidade de mover-se dentro dessa rede, por sua capacidade de afetar o que está com ele conectado. Tem-se agora um jogo livre de conexões, o autor fala em natureza “anarqui-cultural” das redes digitais.
Como foi dito, os caminhos são múltiplos. Não há uma instituição para ditar o caminho a ser seguido, pode-se escolher por onde se quer andar. Sendo assim, é mais fácil se perder. Mas, agora ao “se perder” é possível, ao mesmo tempo, “se encontrar”.

21 de jan. de 2008

1998 foi um Ano Estranho

Estranho ano aquele, agora longínquo, 1998 quando viu-se concretizar uma nova forma de ativismo político, o hacktivismo. Antes se fazendo presente por ações isoladas, foi naquele ano que os hackers entraram na “guerra” subjetiva de maneira maciça, utilizando este novo espaço (o ciberespaço) a favor da luta pró-liberdade de expressão, pelos direitos humanos e maior justiça político-social. Estes eram os discursos que, de maneira geral perpassavam os vários e diferentes grupos ativistas através das ações de Desobediência Civil Eletrônica, tais quais invasões a sites para publicação de textos e imagens com mensagens de cunho político, “sit-ins” on-line¹ e até mesmo pichações com mensagens antiguerra em jogos on-line. Aquele foi o ano da criação de grupos e sites dedicados ao hacktivismo, que de maneira análoga aos ativistas de rua, nas ruas, estavam ocupando este novo espaço com a criação desta nova frente de batalha. Dez anos se passaram desde 1998 e, de acordo com Ricardo Rosas, o movimento só fez crescer.
Não devemos, porém, tomar 1998 como um ano desconectado, pois ele faz parte da historia da nossa sociedade de informação. Porém o que 1998 significa? Quais são, talvez, os indicativos que emergem junto aos movimentos?
Sugiro um possível caminho ao dizer que “ativismos” sempre existiram quando havia necessidade e principalmente possibilidade para que surgissem. Porém, ter chegado ao ciberespaço diz sobre uma necessidade de ocupar este novo lugar até então não atualizado por políticas deste tipo; diz sobre a possibilidade que este novo lugar traz de tornar público opiniões outras supostamente não capturadas pela lógica vigente. A internet confere organicidade ao computador dentro da história evolutiva do mesmo, porém os primeiros hackers eram impelidos por ímpetos de auto-estima num movimento egoísta e solitário de desbravamento da máquina e suas possibilidades. 1998 veio mostrar que essas práticas atingiram um estágio de maturação tal que transbordou em si e acabou por conectar-se a novos sentidos.



¹ Sit-in é uma prática não-violenta de protesto em que as pessoas se sentam barrando a passagem ou a entrada/saída de veículos ou pessoas. No caso on-line é provocado pelo congestionamento do acesso aos sites atacados.

20 de jan. de 2008

O Trabalho deve ser fonte de Prazer

No capitalismo, o sustentáculo é o dinheiro, obtido sempre através de alguma forma de trabalho – seja verdadeiramente produzido ou uma simulação, como a bolsa de valores – e crescente por causa da tecnologia. Porém, o avanço tecnológico mostrou também seu lado mais negativo: o valor que o sujeito adquire não pelo que é, mas pelo que exerce (seu trabalho) ou até mesmo a falta dele – o desemprego.
Ao observar este cenário, em que a economia vigente dita as regras de ser somente feliz aquele que produz o máximo possível, é clamada uma revolta de todos aqueles que queiram fazer uma crítica voltada ao fundo do problema, às questões sociais, as mudanças descabidas de valores do que é preferencial. O autor denomina estas pessoas de hackers, por modificarem o sistema e introduzirem novos códigos, novos valores, novas concepções. O capitalismo deveria, então, ser destruído ou adquirir novas formas, com o trabalho valendo aquilo que proporciona, e não somente servir para gerar dinheiro; deve haver prazer, buscas de significações ou qualquer outra coisa que o homem deseje. Lembra bastante o que sugere Skinner em Walden II, onde afirma que o trabalho não deve ser a vida em si, mas apenas um sustentáculo físico (alimentação, vestuário, etc) que auxilie na procura da felicidade, na prática do que realmente dá prazer.

19 de jan. de 2008

O "Bug" Capitalista

A satisfação do trabalho, a motivação para a escolha de uma carreira profissional, tudo isso parece perder-se dentro da malha capitalista de lucro e dinheiro. O sistema funciona como num "loop", um ciclo que se retroalimenta e que só precisa que alguém forneça seu código de existência. Não está em jogo a satisfação pessoal nem o sentido do fazer, mas sim, para quem e como se é preciso fazer. Trabalhar - e o fazer de uma forma geral - virou um fim que justifica vários meios, mas não o seu próprio; o porquê de exercer determinada profissão, o interesse em buscar novas formas de conhecimento, maneiras de crescer profissionalmente e pessoalmente, são tarefas secundárias, o princípio de tudo está em ser máquina. Ser máquina de trabalho, ser força produtiva e de consumo (ao mesmo tempo), sustentar o "loop". Mas um bom entendendor de informática sabe que se algum código é colocado de forma errada num "loop", as conseqüências serão desastrosas; como o mundo pôde perceber pela ameaça do "bug" - o "bug" acontece quando o "loop" (o ciclo) torna-se infinito, quando se comete um erro na programção do ciclo. O capitalismo é um "bug", algo que não pára, que deve manter um ciclo infinto e que consome as forças de quem o sustenta. Os trabalhadores são as máquinas sustentadoras do capitalismo, que o movimentam e o mantém, que são consumidas por ele como apenas forças, sem que exista qualquer preocupação com sua condição humana, de homem que deve ter bem-estar e satisfação; a prática profissional se transformou numa alimentadora de "bug", algo que move o ciclo do capitalismo. Mas, toda história tem seus heróis, e a esperança é ser "hacker", aquele que burla sistemas e quebra códigos. Estão faltando "hackers" na sociedade capitalista, capazes de mostrar ao homem trabalhador que ele é a prioridade enquanto produtor de conhecimento, não um sistema cíclico que o transforma em máquina de produção, para que o próprio homem possa pensar sobre qual o sentido do seu fazer. "Hackers" que não apenas destruam o que já existe, mas que construam coisas novas e que possam valorizar aquele que tem mais importância na construção do social - o homem.

18 de jan. de 2008

Desmaterialização embriagada de Dionízio como forma apolínea de realidade

Li e disse isso:

O novo que olha para o velho para entender o que e como acontece? Nada disso. Mas sim, o novo que olha para o novo e visualiza: novas maneiras de se situar na realidade, novas relações... A desmaterialização.
Críticas são feitas, mas não àquilo que já se foi sim ao que se é. Há a busca de se explicar o caos dos novos tempos e, para isso, não há mais espaço para o passado, o que rege é o presente.
Regras sociais continuam a existir, mas agora o acaso entra em cena. Será ele o intermediador de encontros e não mais instituições ditadoras de morais e bons costumes. Determinismos, portanto, passam a não serem suficientes para que se estabeleçam relações.
O que hoje potencializa a convivência entre os homens é o virtual, enquanto que o orgânico é, a cada dia, desvalorizado. Simulações, os diversos papéis que se pode desempenhar através do ciberespaço instigam, atraem. A oferta de se experimentar múltiplas realidades fascina, não é verdade?

A desmedida e medida, o desequilíbrio e o equilíbrio, enfim, Dionízio e Apolo encontram-se por meio desta nova estrutura social. Aquilo que se esvai no ar, a desconcretização, o caos, ou seja, manifestações dionízeas deparam-se com uma tentativa apolínea de expressão como forma de realidade já que tenta-se organizar, criticar e explicar aquilo que é incompreensível.


Tá aí o que consegui tirar do texto
Beijos

8 de jan. de 2008

RUMO À IMORTALIDADE E À VIRTUALIDADE: Construção científico-tecnológica do homem pós-orgânico (Paula Sibilia)

Paula Sibilia, seguindo reflexões do sociólogo português Hermínio Martins, apresenta interessantes questionamentos sobre atuais processos de hibridização homem-tecnologia pelo viés de uma tradição “fáustica” do pensamento ocidental, uma vez que, como apontada no texto, essa relação pretende uma ultrapassagem das limitações da organicidade, destacando a construção de um ser híbrido “pós-biológico”, misto de corpo humano e artifício técnico. O homem pós-biológico almeja se desvincular das restrições espaciais e temporais ligadas à sua materialidade orgânica, para atingir a virtualidade e a imortalidade. Nesta lógica, o corpo deve tornar-se imortal para se adaptar (Stelarc), no contrário, o corpo humano, na sua antiga configuração biológica, estaria tornando-se obsoleto. Considerando que a evolução tecnológica seria dez milhões de vezes mais veloz do que a evolução biológica, como pretender que o velho corpo humano não se torne obsoleto?
Em oposição à tradição “prometéica”, que pensa a tecnologia como a possibilidade de estender e potencializar gradativamente as capacidades do corpo humano, a corrente fáustica enxerga na tecnociência a possibilidade de transcender a própria condição humana. O homem-pós-biológico estaria em condições de superar as limitações impostas pela sua organicidade, incluindo as doenças, o envelhecimento e até a morte. O “cyborg” seria o agente da sua própria evolução pós-orgânica. Entregue às novas cadências da tecnociência, o corpo humano parece ter perdido sua definição clássica, tornando-se permeável, manipulável, projetável. Mark Dery acrescenta que estamos em condições de transcender as limitações das espécies particulares, combinar e programar as virtudes de diferentes espécies, ou seja, a criação de novos seres transgênicos. Em outras palavras, o homem agora tem condições de se auto-criar, de produzir seu próprio corpo, administrando a sua pós-evolução, através do arsenal de artifícios da tecnociência. Que tipo de saber é esse, que faz do corpo humano um objeto da evolução pós-biológica? A título de provocação, a autora compara tal fenômeno com o famoso mito Frankenstein por ser aquele rapaz que conhecia o suficiente de magia para iniciar um processo, mas não o suficiente para interrompê-lo no momento apropriado.
A tradição fáustica constitui uma das linhas de pensamento sobre a técnica, que pode ser detectada nos textos de diversos autores dos séculos XIX e XX. Nela é possível detectar fortes tendências “gnósticas”, que rejeitam a organicidade e a materialidade do corpo humano, procurando um ideal ascético, artificial, virtual, imortal. A tradição fáustica esforça-se por desmascarar os argumentos prometéicos, afirmando que o caráter da ciência é essencialmente tecnológico tanto no plano conceitual quanto no ontológico. Existiria um “programa tecnológico oculto” no projeto científico, explica Martins. Apontando para uma ruptura com relação ao pensamento moderno, o sociólogo declara que o atual projeto tecnocientífico está norteado por um impulso insaciável e infinitista para a apropriação ilimitada da natureza, tanto exterior quanto interior ao corpo.


IMORTALIDADE: para além do TEMPO humano.

“Tecnicamente, não haveria mais razão para morrer (...) O corpo não precisa mais ser consertado; suas peças serão simplesmente repostas”. (Stelarc)


Várias limitações biológicas ligadas à materialidade do corpo humano pertencem ao eixo temporal da existência humana. A tendência fáustica, nesse sentido, está bem representada pelas atuais descobertas e projetos na área das biotecnologias (transgênicos, clonagem, genoma), que colocam o arsenal cientifico-tecnológica na luta contra o envelhecimento e a morte. Segundo o próprio Hermínio Martins, as biotecnologias criar novas formas de vida. É a vocação transcendentalista que enxerga no arsenal tecnocientífico a possibilidade de ultrapassar as limitações inerentes à condição humana.
Sibilia coloca que, segundo Martins, a tecnociência contemporânea redefine as antigas fronteiras de seres naturais como matéria puramente manipulável, instalando a criação de combinações do orgânico e do inorgânico, do natural e do artificial, do humano e do não-humano. Nesse marco, a sociedade atual assiste ao surgimento das mais variadas “visões tecnofânicas”, aspirantes a um saber quase divino, capaz de controlar a vida superando todas suas limitações tipicamente orgânicas. Inclusive a mais fatal de todas elas: a mortalidade. No processo de hibridização com as máquinas, o corpo humano poderia se livrar da sua natural finitude.

VIRTUALIDADE: para além do ESPAÇO humano
Outro leque de limitações que as potencialidades orgânicas do corpo está inscrito no eixo espacial da existência. O atual “imperativo da conexão” representa esta tendência, estimulado pela abundante oferta de dispositivos e serviços da área informática e das telecomunicações. O corpo humano hoje é entendido como informação: ele é um banco de dados, um código, um conjunto de instruções programáveis. Nesse sentido, ele também pode sofrer upgrades, pois as criações tecnocientíficas prometem libertá-lo dos seus limites biológicos, obsoletos, superando assim a sua organicidade animal para se tornar mais compatível com o tecnocosmos que o circunda.
Estaríamos deixando de ser robôs para virarmos cyborgs? Enquanto o corpo-máquina, característico da era industrial, fica obsoleto, começa a surgir o corpo-informação, o sujeito da sociedade pós-industrial. Nesta nova face do capitalismo global, cuja base já não reside tanto nos produtos materiais quanto na informação, com a ênfase perpassada da produção para o consumo, assistimos a uma virtualização generalizada dos valores.

Neo-Gnosticismo
Transcender (radicalmente) a humanindade, intenção clara do texto, trata-se de ultrapassar os parâmetros básicos da condição humana (finitude, contingência, mortalidade, corporalidade, animalidade, limitação existencial) aparece até como uma das legitimações da tecno-ciência, conforme Hermínio Martins. É fáustico o tecno-transcendentalismo associado aos discursos sobre o nascente homem pós-biológico, e ele está notoriamente impregnado daquilo que Martins denomina gnosticismo científico-tecnológico: horror ao orgânico, repugnância pelo corpo, aversão pelo natural. A tecnologia informática e das telecomunicações parece disposta a realizar sonhos neo-gnósticos, pois, com a sua tendência virtualizante, a aparelhagem digital converte tudo em “informação”, inclusive os próprios corpos humanos.
O texto adota a terminologia proposta por Martins que é neognóstica esta rejeição da materialidade orgânica e esta vontade de “virar luz”, ultrapassando as limitações temporais e espaciais ligadas ao fato de sermos demasiadamente orgânicos. De acordo com esta tendência, então, estaríamos virando pós-orgânicos e, com isso, “pós-humanos”, apontando para a imortalidade e a virtualidade.

Dos “corpos dóceis” aos “corpos ligados”
Quais são as implicações políticas e econômicas destes processos, numa sociedade voltada para a produção de consumidores dos mercados globalizados? Que tipo de corpo e que tipo de sujeito estão sendo criados na nossa “sociedade tecnológica”? Parece-me que o que é aquilo que estaríamos nos tornando, ainda é uma pergunta sem resposta. O direcionamento da criação dos seres humanos é a grande interrogação que nos restaria.
Ao mudar o foco da produção para o consumo, a sociedade ocidental já não parece precisar tanto daqueles “corpos dóceis” destinados a alimentar aos serviços industriais, quanto de novos tipos de corpos dispostos a consumir os produtos pelo novo capitalismo de superprodução. Corpos que intimam com a tecnologia: corpos ligados, conectados, hiper-estimulados e aparelhados pela tecnociência, permanentemente ameaçados pela obsolescência; corpos fáusticos.
Sobre as sociedades de controle, indicou-nos Deleuze que as novas tecnologias inauguraram instâncias subjetivantes capazes de substituir as velhas instituições das sociedades disciplinares. Caberia refletir, então, acerca do papel desse novo sujeito aqui analisado, o homem biotecnológico e teleinformático de vocação fáustica. Quais seriam as suas limitações, e quais as suas opções de resistência e de criação? E, por fim, a grande indagação do “Como manter-se vivo?” - Replicante Roy (Blade Runner), aqui não é mais a mera questão, mas sim o porquê e para que se manter vivo, se tudo a que nos cabe ou a que nos é útil é manipulável, controlável; se podemos recriar, combinar, redefinir novas espécies ou ainda nosso próprios e novos corpos?

7 de jan. de 2008

MINITUARIZAÇÃO DO SENTIR VIRTUALIZADO: DA CONDIÇÃO HUMANA À CONDIÇÃO CYBORG


Helena Taveira vem trazer à tona principalmente com o seu texto a questão da fusão do tecnológico com o biológico, entre o orgânico e o mundo mecânico, a metamorfização do ser real com o ser virtual, ou seja, a maior cumplicidade na co-existência entre essas duas realidades. Vem problematizar a condição daquele que está na fronteira, ou seja, nós que nos vemos entre esses dois espaços e passamos por uma gama de modificações, que envolve tanto o corpo como as emoções, indagando ainda se o mundo mecânico seria um colaborador ou concorrente do ser humano.

O mundo passou por uma terceira revolução tecnológica, que fez crer no computador não mais uma simples máquina ou sistema, indo além principalmente depois da inserção da Internet. Aquilo que era visto como meramente eletrônico, passa a ter um caráter de subsistência, pois os utilizadores vão atrás desse meio, inserindo-se cada vez mais nessa cultura característica de um sistema tecnológico, que toma conta com suas linguagens e símbolos bastante específicos. É nesta revolução do acoplamento das tecnologias do mundo virtual aos limites do mundo real, produz uma reformulação das coordenadas espacio-temporais, associada a idéia de movimento, que fez superar a distância através da velocidade, sendo que aparentemente rejeitando o corpo. Mas não se trataria disso, pois autores como Claudia Giannetti afirma que Internet estaria não excluindo o corpo desse processo, mas dinamizando corpos.

No entanto, ao mesmo tempo em que se ratifica a absorção do tecnológico pelo orgânico, pensadores como Virilio possuem uma visão antagônica, com uma crítica clara a uma suposta supremacia das tecnologias inseridas no virtual sobre o real através das minituarização dos componentes do primeiro. Estaria se falando do declínio da presença física em proveito de uma presença imaterial e fantástica. Para Taveira, torna-se necessário desmistificar o pensamento apocalíptico de tal tecnofobia. Nesse caso, estaria se valorizando a mutação da composição orgânica em síntese numérica quando se inserir no mundo binário numa imaterialidade do corpo ou espectralidade. Poderia se pensar que o ser humano conseguiria adquirir atributos de um Deus divino, ou no mínimo poderia estar fascinado pelo deus-máquina. Mas na verdade o que se enfatiza aqui é a liberdade de ação e experimentação dessa nova entidade corpórea que será mais flexível, que acarretaria dentro desse processo não só uma perda da indentidade, pela reciclagem das diversas epidermes que pode corporalizar, como a total aniquilação do comprometimento, pois se eximiria de qualquer responsabilização pela subsistência do meio que vive momentaneamente (me lembrei dos hackers...).

As possibilidades que o virtual traz, com seu campo movediço, intinerante e flutuante; aliado a eliminação de algumas limitações “terrenas” na translação incorpórea do estar em qualquer parte em tempo real, faz pensar que o mundo já não nos é suficiente e a possibilidade de ultrapassar a histórica adequação ao sedentarismo, com o retorno do nomadismo. Giannetti ressalta que isso é possível principalmente pelas nossas capacidades naturais, a viagem mental, por mais que o corpo permaneça imóvel a mente pode navegar.

Ainda assim é estritamente necessário que o mundo virtual incorpore alguns traços comuns da nossa realidade, de maneira a se tornar mais complexo, utilizando da associação das tecnologias que atenua a passagem entre as duas realidades construída pelo fenômeno da interatividade, responsáveis pela transmutação de espectadores (participantes do mundo real) em utilizadores (participantes no mundo virtual). Existe até o esforço de mediações possíveis como captadores de sentidos, sensores e teledetectores provindas da produção microeletrônica, o que faz o ser humano um “homem-prótese”. Porém só a mente viaja, enquanto a matéria física não se desloca efetivamente. Mas se percebe em pesquisas realizadas com intuito de impossibilitar qualquer sensação no ser humano, que seja qual for a viagem que a mente queira fazer pelo mundo virtual, afetará incondicionalmente o corpo físico e terá sempre que enviar a este corpo físico o mais ínfimo sinal, para que ele possa se relacionar com o dispositivo intermediário que são o mouse, teclado, entre outros. Por isso, a relação do homem real com o mundo virtual com o processo de desmaterialização do corpo físico em corpo mental com todos os tipos de prolongamentos, contribui para a estreita relação de parceria visto serem fundamentais para a imagem humana sobreviver no mundo virtual.

Chegando a conclusão da perfeita inserção do mundo virtual no real, Taveira admite que se deva formar, pelo menos a nível corporal, uma si (ir)realidade homogênea, tendo em vista que o corpo seria uma unidade indivisível, já que as tecnologias tanto nos colonizou como nós as colonizamos. Com isso surge a questão: não estaríamos nos tornando cyborgs? Estaria se falando nesse sentido de um homogeneização do mundo real com o virtual, com o auxílio das já mencionadas, próteses e prolongamentos, que torna possível potenciar capacidades inatas que se viam até então como entidades pré-existentes e limitadas. Estaríamos então sendo substituídos por equivalentes eletrônicos? A autora Stelarc propõe com seu projeto “Stimbod” algo semelhante, em que parte do corpo estariam conectadas a sistemas de estimulação muscular, que torna possível mover uma parte do corpo a partir de uma cidade longínqua, ou seja, à distância pela rede. Tratar-se-ia de uma adaptação do corpo à máquina ou da máquina ao corpo? Leva-se em questão com essa discussão dois pontos intrigantes: um é o cyborg como um projeto de um corpo mais completo e outro do corpo ser fragmentado pela tecnologia. Ao mesmo tempo, está se colocando também em pauta as múltiplas potencialidades que um corpo pode adquirir, mas questiona-se a capacidade de controle.

Aliada a estes questionamentos, ainda quanto ao assunto da corporeidade, supõe-se a situação de se substituir o corpo mental por imputs e outputs, como meio de melhorar a atuação do ser humano no mundo virtual e expandir a sua consciência em tal realidade. Esta possibilidade não seria uma decisão, provavelmente, irreversível de desvanecimento e desmaterialização da experiência consciente e cognitiva, tão peculiar do ser humano? Mesmo que ainda não seja possível responder a essa pergunta, sabemos que ainda dependemos de nosso corpo para qualquer que seja a relação, ou no mundo real ou virtual e para almejar tal façanha seria necessário não só componentes sensoriais similares aos dos ser humano como de determinadas capacidades humanas que permitem que a máquina manipule uma diversidade de informação. Ora, estas questões não estão tratando apenas de uma biotecnologia, mas de uma bioética. Tal atitude de eugenismo (combinação de influências hereditárias e ambientais, afim de melhorar as qualidades físicas e morais da raça humana – Michaelis, 1998), aparece com freqüência em nossa sociedade contemporânea através das inúmeras possibilidades que a tecnociência fornece. Mesmo assim, o mente ainda permanece muito enraizada na territorialidade e por sua vez, o comportamento emocional ainda é específico do mundo real, nos fazendo perceber que nunca se poderá misturar completamente na virtualidade.

Mas será que é possível fazer um sistema tecnológico exprimir emoção? Será mesmo a emoção sentida por ele próprio? E se levarmos em conta o fato do ser humano sentir empatia por uma máquina? Essas questões me fazem lembrar do filme “O Homem Bicentenário”, interpretado pelo ator Robin Wiliams ou mesmo do filme AI – Inteligência Artificial que questionam se ser humano seria capaz de viver com andróides tal qual com um ser humano. Temas como esse mais uma vez mexem com a bioética, pois estaria se propondo incutir pacotes de emoções pré-definidas ou programas numa máquina fazendo com que um sistema binário fosse capaz de se emocionar, análogo ao humano. Apesar desse intuito, muito provavelmente a coisa funcionaria sob certos limites, existindo apenas, por parte das máquinas, o reconhecimento de expressões emocionais e por vias disso estes iriam responder com uma emoção pré-programada. Ainda assim, a situação parece completamente díspar de um mecanismo biológico do ser humano, pois não se chegaria a ter o inconsciente emocional ou mesmo a espontaneidade do processo emocional.

Já quanto a uma possibilidade de nos emocionarmos com um fluido binário que circule no espaço virtual, ainda existiria o impedimento da espontaneidade, já que esta seria constrangida pelos tais sistemas auto-organizados que se baseia pelo que já anteriormente lhe for atribuído. Assim, não bastaria mimetizar o processo emocional do ser humano, mas criar mecanismos verdadeiros de feedback, para que as emoções coincidam simultaneamente com as condições físicas e as exigências feitas pelo ambiente. De qualquer forma, as máquinas só poderão ter um sistema de mecanismos emocionais, e não sentimentos reais, mas que serviriam para proporcionar maior naturalidade e menos rigidez na ponte entre o homem e a máquina. Nesse sentido, se evitaria para que esta relação não fosse apenas um monólogo intercalado pelos tempos de respostas, tais como proporciona os softwares que são como entidades coletivamente massificadas.

Existiriam com esse incremento às máquinas, mecanismos que permitam um conhecimento e entrosamento mais peculiar e intimo com seu utilizador, buscando individualidade nos seus serviços. Preza-se também nesse processo, o equilíbrio não só entre o mecânico e o orgânico, homem e a máquina, mas também para que não ocorra nenhum sentimento de domínio ou pretensa por parte de um ou outro. Assim, em meio a tantas propostas e devidos cuidados, a relação entre o homem e a máquina, entre o orgânico e o tecnológico, demonstra não requerer um envolvimento tão significativo, apenas necessário, para que produza modificações pertinentes não na natureza do homem, mas na forma como ele vê a si próprio e ao meio que se relaciona com as máquinas. Desta maneira, não só se estará potencializando as máquinas, como quem dela usufrui.